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“Ponto de Virada: Geração 11 de Setembro” / “Turning Point: Generation 9/11” (Netflix, 2026)


Eu acompanhei o 11 de setembro, passo a passo, desde a ideia de que tinha sido um acidente trágico, até a certeza de que tínhamos acompanhado pela TV, pela primeira vez, um atentado terrorista ao vivo. Dois prédios, quase 240 andares viraram pó, literalmente – "do pó viestes, ao pó retornarás". E depois da Bíblia, a vingança, a caça, a invasão do Afeganistão, a suposta salvação e depois a entrega da população do País a Al Qaeda – de salvadores de um povo, de guerreiros que acabaram com o grupo terrorista que devastou seu país, de defensores, de matadores de Osama Bin Laden, a soldados perdidos, nunca treinados a abandonar um povo que estava sendo trucidado frente aos seus olhos – também ao vivo, em todas as TVs do mundo.

Sim, este é o DOC PONTO DE VIRADA: A GERAÇÃO 11 DE SETEMBRO – com uma cena – a cena,…


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“Uma Mulher Diferente” / “Différente” (Netflix, 2025)


Repito e não me canso: adoro filmes baseados em fatos da vida real. Por muitos motivos. Mas creio que o principal é que olhamos muitas vezes a vida como se fosse um lugar onde coisas inusitadas acontecem com as pessoas que aparecem no Jornal Nacional, sem pensarmos que todos nós podemos ter o nosso dia de reportagem. Sem pensar que podemos nos reconhecer como portadores de algo que nos diferencie. E que isso deveria ser usual, mas não é. A enchente, o tsunami, o vulcão, o terremoto, o autismo, a Chikungunya - tudo acontece na TV.

A história de UMA MULHER DIFERENTE é exatamente essa: a pessoa se esforça para ter uma vida "dita" normal, até que a reportagem que estava montando lhe revela que aquele esforço - tantas vezes insuportável em busca dos vernizes e futilidades da nossa vida eram muito mais que sacrifícios - era autismo.

Ah, sim,…


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“Os Sabores do Palácio” / “Les saveurs du Palais” / “Haute Cuisine” (Youtube, 2012)


Está lá você na sua vida comum - cozinhando as comidas que gosta num pequeno comércio - quando, de repente, entra uma pessoa do governo e lhe diz que precisa participar de uma reunião com alguns chefes de departamento, políticos porque o Presidente Mitterrand não suporta mais a comida cheia de frescuras do Palácio e você tem a oportunidade de fazer a sua comida para ele e seus convidados. No Palácio Presidencial.

Muda uma vida? Sim, muda uma vida. Mais ainda por ter acontecido na vida real!

OS SABORES DO PALÁCIO te envolvem em venenos, invejas, disputas de poder, suspenses, de uma maneira inacreditável. E lhe apresentam um presidente que jogava fora desses esquemas, que tinha gostos simples e que adorava comer.

A pressão sobre Hortense Laborie - interpretada por Catherine Frost - foi tão grande que ela se demitiu depois de dois anos de desavenças e bem aventuranças, mas…


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Doc “Dra. Jane Goodall: Últimas Palavras” (Netflix, 2025)


Mesmo que você não saiba que sabe, que não relacione o nome à pessoa nesse DOC, se pensar qual  figura humana está totalmente relacionada aos chimpanzés, imaginará o rosto de uma mulher amorosamente dedicada – a Dra Jane Goodall – numa entrevista que foi gravada para só ser veiculada depois de sua morte – livre de quaisquer amarras sociais, portanto.

                  O que você diria, se soubesse com certeza absoluta que o que dissesse só seria ouvido após a sua morte? Que segredos - da sua compreensão da sociedade - revelaria? São 55 minutos onde ela coloca seus olhos sobre o mundo e fala sobre quem é, no passado – e as linhas do tempo se misturam, já que ela assume que realmente o que acredita ter visto em nós, só vai ser revelado no futuro – que para nós, os espectadores, é o presente.

                  Falamos então de filosofia…

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“Amelia Toledo - Lembrar de Não Esquecer” (Autoral Filmes, 2026)


A função de um Doc é informar, ao mesmo tempo em que encanta. Eu não conhecia a obra de Amelia Toledo, mas quando filme chegou ao fim, já me sentia em débito com a cultura e arte por não a conhecer.

Claro que uma pessoa tão diferenciada quanto ela teria que ter problemas com qualquer limite. Principalmente os impostos pela ditadura brasileira, que as pessoas continuam insistindo em chamar de revolução. O que aconteceu transcende qualquer compreensão do significado de revolucionar qualquer coisa, já que as tentou impedir, proibir, censurar, obrigar.

Seu trabalho, sua forma de ver o mundo, a forma como a direção do Doc conseguiu transpor para a lente o seu olhar, criou uma atmosfera muito particular com cores, texturas, materiais – e danças, sorrisos, percepções, reações. Todas elas diferenciadas e com personalidade marcante. Quantas pedras nos passaram pela frente dos olhos, hoje? Quantas vimos? Realmente? Amelia as…


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“14 Montanhas, 8 Mil Metros e 7 Meses” / “14 Peaks: Nothing Is Impossible” (Netflix, 2021)


Se existem DOCs que marcam, 14 MONTANHAS, 8 MIL METROS E 7 MESES é um deles. Paisagens incríveis que não vemos, tememos; alegria, festa, comemoração da vida, do estado de viver. E perigo. Em toda parte. Pela direita, pelo vento, pela esquerda, pelas nevascas, avalanches, mortes, salvamentos. Pela coragem.

Aquele homem, exatamente aquele, era para ser mais um que passaria invisível pela glória do líder da expedição; era como o guia que mostra o caminho para o "herói"- mas não quis fazê-lo porque queria mostrar que os guias eram os verdadeiros heróis de todas as histórias.

Nirmal “Nimsdai” Purja, do Nepal, conduzindo apenas companheiros do Nepal numa aventura épica -  vencer 14 montanhas de mais de 8 mil metros de altura em curto espaço de tempo. O recorde era de 16 anos. Sua marca? 7 meses. O Nepal, país dos guias que nunca aparecem no filme, virou o filme.

Que…


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A Casa dos Budas Ditosos (Teatro Castro Alves em Salvador, 2026)


Eu amo - AMO! - peças onde a ação verbal nos conduzem pela nossa imaginação. É como pegar a nossa "criancinha mental" pela mão e levá-la pelo labirinto do que ela vê, ao ouvir o ator - a atriz - que atriz! - Fernanda Torres! - narrando a peça.

A primeira coisa: os políticos deveriam cair duros e com espasmos, ao ouvirem o que significa narrar - e não aquilo o que eles chamam "narrativa", atualmente.

Segunda coisa: Quem domina a respiração, faz o tempo da ação ficar em suas mãos e Fernandinha - é grande = enorme - em cena - e sem se mexer.

Terceira coisa: A plateia baiana tem peculiaridades estranhas, como o desespero que a leva a rir - tantas vezes espasmodicamente e em momentos estranhos. Poucos atores conseguem a sutileza das falas e principalmente das pausas para controlar a "ênfase baiana" pela risada louca e…

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“Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho” / “Champagne” (Autoral Filmes, 2026)


Como uma pessoa que se dedica ao estudo da comunicação como eu, CHAMPAGNE traz inúmeros detalhes importantes que as pessoas insistem em deixar passar. O mais importante de todos é que jogamos fora décadas de oportunidades de aproximação e no momento em que isso conta, não sabemos como começar, enquanto sufocamos de coisas para dizer. Nesse sentido, para contar uma história assim, Leo Alkemade, que não por acaso assina também o roteiro do filme, é um universo de expressões, olhares e silêncios. Uma interpretação difícil, cheia de interrupções, irritações, até que... você é colocado diante de uma doença.

Como caminhar na linha do tempo ao contrário e reencontrar o amor que comunica com carinho de mãos, de voz, de palavras, de assuntos, de passados? Como se reencontrar com o amor? Claro que nós sabemos que ele está ali, claro que a nossa preocupação mora dentro de nosso sentimento, mas... como…


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“Doris, Redescobrindo o Amor”/ “Hello, My Name Is Doris” (Netflix, 2015)


Eu adoro o trabalho de Sally Field porque ela consegue nos colocar cuidadosa e levemente dentro de um caldeirão dramático, com o fogo ligado a mil graus, como se nada fosse. Em DORIS, REDESCOBRINDO O AMOR, ela faz de novo esse movimento incrível. Meio bobona, meio cafona, meio desligada da vida, guarda cenas de absoluta explosão dramática e nos expõe às nossas perdas, ao que nossos irmãos “acham” que é normal aguentar-se ou aos “podres” que sua melhor amiga pode falar em relação a você, numa discussão.

DORIS, REDESCOBRINDO O AMOR é isso? Nem tanto. É muito mais que tudo – TUDO – depende do ponto de vista de onde se está olhando. Doris é tudo isso que eu escrevi – de um ponto de vista. De outro – de um cara mais novo, diretor de arte – ela pode ser incrível e também excêntrica, ousada e obcecada - dependendo…


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