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A Casa dos Budas Ditosos (Teatro Castro Alves em Salvador, 2026)


Eu amo - AMO! - peças onde a ação verbal nos conduzem pela nossa imaginação. É como pegar a nossa "criancinha mental" pela mão e levá-la pelo labirinto do que ela vê, ao ouvir o ator - a atriz - que atriz! - Fernanda Torres! - narrando a peça.

A primeira coisa: os políticos deveriam cair duros e com espasmos, ao ouvirem o que significa narrar - e não aquilo o que eles chamam "narrativa", atualmente.

Segunda coisa: Quem domina a respiração, faz o tempo da ação ficar em suas mãos e Fernandinha - é grande = enorme - em cena - e sem se mexer.

Terceira coisa: A plateia baiana tem peculiaridades estranhas, como o desespero que a leva a rir - tantas vezes espasmodicamente e em momentos estranhos. Poucos atores conseguem a sutileza das falas e principalmente das pausas para controlar a "ênfase baiana" pela risada louca e…

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“Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho” / “Champagne” (Autoral Filmes, 2026)


Como uma pessoa que se dedica ao estudo da comunicação como eu, CHAMPAGNE traz inúmeros detalhes importantes que as pessoas insistem em deixar passar. O mais importante de todos é que jogamos fora décadas de oportunidades de aproximação e no momento em que isso conta, não sabemos como começar, enquanto sufocamos de coisas para dizer. Nesse sentido, para contar uma história assim, Leo Alkemade, que não por acaso assina também o roteiro do filme, é um universo de expressões, olhares e silêncios. Uma interpretação difícil, cheia de interrupções, irritações, até que... você é colocado diante de uma doença.

Como caminhar na linha do tempo ao contrário e reencontrar o amor que comunica com carinho de mãos, de voz, de palavras, de assuntos, de passados? Como se reencontrar com o amor? Claro que nós sabemos que ele está ali, claro que a nossa preocupação mora dentro de nosso sentimento, mas... como…


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“Doris, Redescobrindo o Amor”/ “Hello, My Name Is Doris” (Netflix, 2015)


Eu adoro o trabalho de Sally Field porque ela consegue nos colocar cuidadosa e levemente dentro de um caldeirão dramático, com o fogo ligado a mil graus, como se nada fosse. Em DORIS, REDESCOBRINDO O AMOR, ela faz de novo esse movimento incrível. Meio bobona, meio cafona, meio desligada da vida, guarda cenas de absoluta explosão dramática e nos expõe às nossas perdas, ao que nossos irmãos “acham” que é normal aguentar-se ou aos “podres” que sua melhor amiga pode falar em relação a você, numa discussão.

DORIS, REDESCOBRINDO O AMOR é isso? Nem tanto. É muito mais que tudo – TUDO – depende do ponto de vista de onde se está olhando. Doris é tudo isso que eu escrevi – de um ponto de vista. De outro – de um cara mais novo, diretor de arte – ela pode ser incrível e também excêntrica, ousada e obcecada - dependendo…


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“Criaturas Extraordinariamente Brilhantes” / “Remarkably Bright Creatures” (Netflix, 2026)


O filme funciona como uma armadilha amorosa. Começa assim sorrateiramente despretensioso e você relaxa, achando que vai gostar mais ou menos, que é aquela mesmice – mas isso é só pra gente relaxar e se deixar levar.

A personagem principal é um polvo – Marcellus – já no final da vida, amargurado por se ver aprisionado num aquário, fugindo sempre que pode e analista comportamental dos humanos ao seu redor. Colocar toda a perspicácia nele é uma sacada incrível. Cada personagem do filme é essencialmente solitária e infeliz, tentando se entender ao entender seu momento, sua perda. Nada dramático, sem nenhuma hemorragia – mas olhar para as personagens, significa olhar para dores e perdas humanas – coisas que de uma maneira quase vil o jornalista torna comum pela super exposição diária. Essas pessoas jamais seriam notícia, acreditem.

A análise eventual de Marcellus, a atuação justa e na medida certa de…


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“Tre ciotole” / “TRÊS VEZES ADEUS ” / ”Three Goodbyes” (Autoral Filmes, 2025)



Poderia começar de muitos lugares, mas a direção é sensível, maravilhosa, leve – num assunto onde 99% dos diretores iriam descambar para a troca de foco e o exagero.

Um roteiro primoroso, onde as pessoas falam acerca dos defeitos umas das outras, procuram saídas, mas não renunciam ao fato de que tudo é parte da vida e das nossas buscas.

Alba Rohrwacher esteve perfeita o filme inteiro. Tão perfeita, que no começo parecia meio fora do ar – num dado momento, percebi que somos nós, a sociedade, que fugimos do ponto principal, perdemos o foco e com isso, nos perdemos de nós, da nossa essência.

Vamos todos morrer. Não importa muito se o bebê vai nascer morto ou morrer de velho; vamos todos morrer. Deveríamos encarar a morte com extrema naturalidade, mas... em mil outros filmes, ao aparecer a variável esperadíssima: “você também vai morrer, como todos”- o filme muda…


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"Sinta a minha voz" / "No abbiam bisogno do parole" (Netflix, 2026)


Eu amo filme água com açúcar, todo mundo sabe. SINTA A MINHA VOZ tem um mote interessante, já que, dentro de uma família surda, uma única menina nasce ouvinte. Num dado momento, se sente responsabilizada por “traduzir” tudo o que pensam, num momento em que seu pai quer se candidatar a prefeito da cidade, enquanto ela descobre o seu talento para o canto, e enquanto se apaixona. É muito interessante discutir e rediscutir a questão do encurtamento – que já deveria ser obrigatório – entre o código utilizado por ouvintes e surdos. Talvez, apresentando a linguagem de sinais para crianças da pré-alfabetização; talvez apontando meios das crianças surdas compreenderem o que se fala por meio da leitura lábio facial. O fato é que gera perdas e nenhuma perda é necessária.

No filme, Sarah Toscano faz essa ponte entre a família e a sociedade, linka os mundos e mesmo sem um…


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“Esta Sou Eu” / “This Is I” (Netflix, 2026)


Ah, os filmes chineses são tão peculiares! De uma maneira muito, mas muito peculiar, “ESTA SOU EU” aborda as questões de gênero com enorme dignidade, embora com leveza e até algum bom humor.

Há uma catástrofe social que finge não ver que as pessoas não são feitas socialmente, tanto quanto também não o são corporalmente. Embora religiões e costumes busquem ditar normas e papéis sociais, a identidade de gênero transcende o meio externo, refletindo como o indivíduo se percebe e se reconhece internamente ao longo da vida. E o filme mostra isso com absoluta perfeição de detalhes. Era uma vez um menino que desde muito pequeno sonhava em ser uma star. Cantava, fazia coreografias. Cresceu e continuou a não ser ver como um ser masculino. Era uma vez um cirurgião que queria algo além de salvar seus pacientes. Às suas maneiras, ambos tinham a visão exata do que eram e…


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“Pódio para Todos” / “Rising Phoenix” (Netflix, 2020)


Espetacular!! Com muitas exclamações! Vivendo uma Copa do Mundo xoxa, totalmente sem graça e fora de lugar, que deveria abrigar a diversidade cultural e está apostando no preconceito e segregação racial, ver o documentário PÓDIUM PARA TODOS é absolutamente inspirador.

Nada de jogadores estrelas, com canelas anatomicamente normais, vaidosamente transformadas em canelas de vidro, com ataques e chiliques, ao invés de dedicação absoluta – falamos dos atletas paralímpicos, que dão seu tudo, não deixam nada pra depois, não ganham rios de dinheiro, não têm super patrocinadores, não são vistos como os atletas profissionais o são, mas são adorados pela torcida, quando ambos – torcida e atletas – conseguem se sintonizar, já que a Organização dos jogos deixa a paralimpíada como um apêndice,  sendo eles exemplos de entrega e heroísmo.

 PÓDIUM PARA TODOS conta exatamente essas histórias – e a gente quando percebe já está chorando, emocionadíssima. É um arrebatamento internacional…


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“A Garota Canhota” / “Zuopiezi nuhai” (Netflix, 2025)


O Bug costuma aceitar indicações que nos são feitas, além dos filmes e espetáculos que vemos e costumamos indicar, aqui. Agnaldo Lopes, grande ator baiano, já havia me sinalizado sobre A GAROTA CANHOTA, mas minha internet da Claro – mais uma vez – estava dando problema e, portanto, só vi o filme depois de alguns dias. É um atropelamento emocional absolutamente realista e imperdível, nesse nosso momento social e familiar onde simplesmente embolamos o meio de campo todo. Isso porque muitos valores mudaram, enquanto proibições caíram – o que deixa o contexto de três gerações como se fossem abismos. O que é proibido? Se for segredo e os outros não souberem, já fica sendo permitido? E antes de atirar a primeira pedra, lembre que já acharam, inclusive, alguns quilos de cocaína no avião presidencial brasileiro no governo passado e que um único funcionário da Receita Federal barrou a entrada de…

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