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Peça de Teatro "Vermelho Melodrama" (Salvador, 2026)


Falar de melodrama, carta subtraída, não entregue, órfãos que escondem seus verdadeiros sentimentos, sublimações, ações inconfessáveis, emoções extravasadas, tudo isso picado e passado num liquidificador de luzes e músicas pode virar um espetáculo? Pode sim. VERMELHO MELODRAMA é exatamente isso – muitas vezes tão absurdo, que se torna incompreensível – mas com cenas que preenchem, remetem, recordam – no meu caso, recordam perdas sociais cada vez mais frequentes. Inclua aí a própria comunicação linguística, que não dá mais conta de expressar grande parte de nossos sentimentos, perdas e medos.

Destaco o trabalho de Vinicius Bustani – desde a voz falada, a articulação, as pausas, até a voz cantada e o sotaque português (o de Portugal) perfeito. Ele consegue criar e desconstruir a peça com muita inteligência. Muitos momentos vocalmente lindos, Diogo pleno, Lia Lordelo é uma voz cristalina e interpretação justa em cada cena.

Isso não quer dizer que a…


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“53 Sundays” / “53 domingos” (Netflix, 2026)

Quem gosta de filmes de ação de verbal? São mais difíceis de fazer – muito mais difíceis – embora que, sem a ação física evidente, a palavra seja a rainha do roteiro. Em 53 DOMINGOS, o elenco inteiro domina as palavras, o ritmo da comédia, a velocidade das frases, as interjeições, a prosódia, dando vida a uma história irônica e hilariante que, não à toa, nos coloca a todos dentro da história.

                   O filme recebeu as 5 premiações principais do Goya: melhor filme, direção, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e roteiro. Falar de interpretação e direção após isso, é praticamente desnecessário. O filme foi rodado quase que integralmente na ambiência de um apartamento, com 4 pessoas circulando em ambientes pequenos e diante de diálogos que transbordam ironia e cinismo. Prosódia. Tons de voz, olhares, detalhes verbais contornam cada palavra, de cada ator. Portanto, é impossível não cair em êxtase!


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“Reine Sobre Mim”/ “Reign Over Me” (Netflix, 2007)


De novo daquela série especial “antigo, mas imperdível”, REINE SOBRE MIM mostra o motivo pelo qual tanta gente viu graça em Adam Sandler: que ator... Como ele passou tanto tempo gastando seu talento naquelas comédias bobas americanas? Estar como protagonista de um drama que contorna tudo o que aconteceu em termos de sofrimento pessoal no 11 de setembro, sendo americano, sem descambar para nenhum outro lugar que não sejam emoções genuínas é muito difícil. E com um elenco estelar e roteiro milimétrico, Mike Binder fez isso.

                  A cada novo momento, o nonsense inicial para aquela “aparição incompreensível se deslocando de patinetes por Nova Iorque” vai fazendo seus contornos de sofrimento intendo, de fuga da realidade da dor. Ao mesmo tempo, Don Cheadle desenha uma personagem cada vez mais “padrão atual” – pouca comunicação, em meio às confusões de uma vida profissional onde se passa 8 horas olhando para dentro…


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Doc “Com Causa”( @autoral_filmes, 2025)


É bom podermos nos ver, cada um carregando sua gota de dedicação ao mundo. Belizário Franca e Pedro Nóbrega revivem dentro de nós algo bastante concreto como esperanças – de que o pantanal não pereça, de que as baleias nos salvem, que todas as crianças tenham direito de caminhar, sonhar e de pensar, que as tartaruguinhas que vemos na Linha Verde, aqui na Bahia, contem nossas histórias de sucesso a favor do meio ambiente e que ele – Krenak – seja o nosso educador, no Brasil.

                  O filme não é muito longo, mas traz pessoas muito marcantes, de discursos poderosos – a começar por Krenak. Mas muitos são tótens de estímulo, como Edu Lyra, Juliana Camargo, Muzoon Almellehan e Paul Watson. Ter o olhar de um animal como uma baleia pousado no seu e saber que ela, ferida, escolhe lhe poupar a vida porque percebe sua intenção de ajudá-la,…

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“Caso 137”/ “Dossier 137” (Autoral Filmes, 2025)


Que filme! Você é exposto ao pouco que virou o exercício de autoridade nas forças policiais, com “controladorias controladas” pelo corporativismo. Cada espectador reconhece que todos querem cartas marcadas, embora “queiram denunciar freneticamente” quando não se sentem partes daquele bolo.

                  Roteiro engenhoso, que parte dos protestos dos “coletes amarelos” franceses, que todo mundo viu na TV, com as respostas que ninguém no mundo precisou de TV pra aprender. A policia faz o que quer e depois diz que a culpa é de quem teve que encarar o tiro, a porrada e a bomba. Você fica enojado durante a exibição? Sim. Na vida real você se sente assim? Se não, talvez você faça parte de alguma panelinha de poder.

                  Direção incrível de Dominik Moll, que nos arremessa para questionamentos como o preço do poder ou a diferença entre energia e violência, num roteiro irritantemente perfeito de Gilles Marchand e…


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Documentário “Pele de Vidro” (@autoral_filmes, 2023)


Me lembro perfeitamente das matérias sobre esse incêndio, com todas as autoridades dando desculpas esfarrapadas e líderes do movimento fugindo da imprensa. Ver, porém, a imponência do edifício, sua história, muda tudo porque agrega valor verdadeiramente humano aos cartazes colados nos tapumes; agrega discursos do povo – nosso povo - sobre um abandono social, que é  histórico; agrega as fisionomias dos políticos dando desculpas esfarrapadas  – como sempre - que, ao invés de falarem claramente sobre a falta de planejamento residencial/urbano de cidades como São Paulo – uma coisa imperdoável, lamentável – tergiversam e gaguejam, colocando “a culpa nos pobres” por quererem morar a uma distância menos ultrajante do trabalho.

                  São séries de imagens incríveis – desde fotos antigas até drones – numa direção verdadeiramente pedagógica de Denise Zmekhol, que passeou pela biografia de seu pai, Roger Zmekhol, com detalhes acerca de sua emoção diante do que a vida…


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“Uma Batalha Após a Outra” / “One Battle After Another” (Netflix, 2025)


Depois de ver HAMNET, achei quase incompreensível o filme UMA BATALHA APÓS A OUTRA ter ganhado os Óscares principais. O filme apresenta duas atrizes incríveis e que – elas sim – deveriam ter ganhado alguma premiação – falo de Teyana Taylor e Chase Infiniti – construção de personagens fortíssimas, perfeitas.

                  Me cansa cada vez mais versões pós modernas de qualquer versão de filmes do tipo “tiro, porrada e bomba” – esse é só mais um. A questão racial, a questão da supremacia branca, a questão da ignorância, a questão do preconceito, das drogas, do submundo, subvida, crenças absurdas – tudo está no filme: de forma confusa, muitas vezes difusa, patética, engraçada – Leonardo Di Caprio está incrível – mas nada que me conduzisse a querer nomear o filme, premiar o filme. Nada.

                  Aquela fábula antiga de que o vilão leva um tiro de espingarda no meio da cara…


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“O Drama Menstrual de Jane Austen”/ “Jane Austen's Period Drama” (Youtube, 2024)


Que curta maravilhoso! Atualmente as pessoas se perderam do fato de que a primeira menstruação é absolutamente estranha para as meninas porque tudo é mais falado – mas não deixa de ser estranho só porque é mais falado.

                  Poder ressignificar, ao “re-sentir” é apenas perfeito! Fazer isso com o bom humor inglês, a ironia fina fecha o contorno do quanto os homens e a sociedade evoluíram – e o quanto ainda precisam evoluir, ao culpabilizarem TPM, cólica, “descontrole emocional” por todas as vezes em que “ousamos” discordar. Julia Aks e Steve Pinder assinam roteiro e direção – ambos primorosos. Leves, sendo profundos. O tema mulher precisa de muito mais olhares, tenham a certeza.

                  Se você tem filhos de qualquer idade e qualquer gênero, veja. Apresente o ser feminino, discuta o ser feminino, pergunte sobre o ser feminino. Os séculos não conseguiram ainda permitir que a sociedade finalmente nos…

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“Os Cantores” / “The Singers” (Netflix, 2025)


Há inúmeros motivos para nos determos sobre esse filme. Talvez um dos principais seja a nossa conscientização de que somos seres preconceituosos que estão no mundo tentando evoluir e limpar nossa percepção acerca das pessoas, que nos assola depois de pouquíssimos segundos de observação. Isso acontece nesse curta de imediato, praticamente de forma automática. De repente, num filme de menos de 20 minutos, nossa mente é chacoalhada pela quebra de uma certeza. E depois outra e mais outra. Assim, cada personagem nos surpreende de uma forma chocante.

                  O diretor Sam A. Davis e o roteirista Ivan Turgenev nos conduzem de imediato a esse golpe sensacional – que nos coloca frente a frente com o pouco que somos – “reis dos julgamentos” – apesar de todo o árduo trabalho contra isso – pelo menos no meu caso. A interpretação de todos – todos mesmo – os atores envolvidos, as máscaras…


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