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Bug Cinema

Público·89 membros

Doc “Tambor Sem Fronteiras” (@finishprodutora e @autoral_filmes, 2026)


Muito interessante e curioso assistir a um documentário como TAMBOR SEM FRONTEIRAS e ver a evolução do ritmo dos tambores, algo como um primo do nosso batuque nativo do samba, em outras regiões – principalmente para o sul. Primeiro, por rever as planícies super características dos Pampas Gaúchos, naquelas tomadas regidas por tambores e estradas, quando do deslocamento da equipe de filmagem de Bagé para o Uruguai. É uma sensação de imensidão. Depois, o reconhecimento de países fronteiriços com as mesmas dificuldades, dimensões e pobreza para inferir, realizar mentalmente, que o todo da América do Sul precisa se ver como um continente, um coletivo de pessoas. E depois por reconhecer o que a batida dos tambores gera por dentro em nós e a influência africana que habita o nosso sangue. Em qualquer parte onde ouvimos aquela batida semelhante – ainda que com toques diferentes – a sensação e pertencimento vem. É mesmo uma enorme perda de tempo e energia, defender a ideia de que a proximidade maior entre os tons de pele do que no Brasil, não é fato real e concreto. Somos cada um desses tons e vê-los do outro lado da fronteira foi mesmo maravilhoso. Algo como um passaporte de aceitação plena.

O documentário testemunhal é um gênero ou modalidade documental centrado no relato oral, pessoal e direto de indivíduos que vivenciaram, presenciaram ou têm conhecimento íntimo sobre um determinado fato, evento histórico ou realidade social. TAMBOR SEM FRONTEIRAS é exatamente isso, mas, nesse caso, os personagens descritos pelas pessoas são tambores, não lugares, não fatos, não famílias. Isso plenamente justifica o som dos tambores sempre proeminente, mesmo quando há relatos pessoais em curso, nas gravações.

Do início ao fim, há uma espécie de reconhecimento cultural que transita entre as fronteiras, um traço comum, um parentesco que nos ajuda não apenas a contar, mas também a nos reconhecermos como parte da história, mesmo a tendo como diferente. Por tudo isso vale demais a pena assistir ao filme, já pensando nas diferenças do samba de roda da Bahia e o candombe uruguaio – ambos africanizados, ambos fortes – mas um com dança “miudinha” em roda, enquanto o outro ganha conotação de desfile, incluindo a marcação da marcha com os pés. Tão diferentes, tão semelhantes... Vale a pena assistir.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

É muito tocante, para alguém que nasceu na Europa, todos os significados individuais e coletivos do som, dos ritmos, das batidas, dos tambores, na América do Sul. Um mundo profundamente intenso e igualmente complexo para quem não nasceu nesse ambiente.

O Documentário “Tambor sem Fronteiras”, é encantador. Simples, educativo, intenso. Não imaginava tamanha repercussão humana, social e educacional, através de um instrumento musical. Ele te dá identidade, respeito, admiração, saúde, alegria, te faz criar vínculos fortíssimos. Neste caso, 3 tambores – piano, repique, chico – te dão um lugar e uma família, dom e talento, regras e comportamentos, esteio e caminho. Espetacular!

É impressionante o conhecimento do som, do ritmo, como se entendem e se comunicam, com os tambores. As gerações que que vão mantendo a tradição. Uma linguagem tão difícil e complexa para mim, ver a facilidade como todos sabem e entendem, é sensacional. E perceber que mesmo no meio de uma enorme pobreza, os tambores valem o esforço, de serem construídos, de serem tocados e como podem nos salvar emocionalmente.

Na sinopse refere-se que o documentário tem uma “preocupação feminina”. Tem, mas é muito suave e não me pareceu tão preponderante quanto poderia ser. Mas sou mulher e tudo o que puder ser mais, desejarei mais para nós.

Talvez eu deseje que no próximo documentário que se faça do mesmo assunto, se vejam mais mulheres tocando e mais homens dançando.

Sem cultura o que somos? Nada. Com a nossa cultura o que somos? Tudo.

Gratidão, mais uma vez à Autoral Filmes pelo carinho com o Bug Latino.

Imperdível.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: A perspectiva feminina é um dos destaques da produção, como diz a narração da cineasta: "A mulher do candombe não anda sozinha. É força que emana, delira, desvaira, invoca. Soy tambor". Entre os assuntos abordados pelo documentário estão a presença do candombe na fronteira e as vozes que protagonizam esse cenário, a relação entre uruguaios e brasileiros, com a chegada dos tambores afro-uruguaios no lado brasileiro da fronteira, e a fabricação de tambores como política pública. A estética pampeana compõe a narrativa fílmica.

"Tambor Sem Fronteiras" é um documentário performático, que retrata a chegada dos tambores afro-uruguaios no lado brasileiro da fronteira.

O projeto foi realizado com os recursos da Lei Complementar 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), a partir do Edital Sedac LPG 16/2023 - Audiovisual - Complementação de Longa Metragem.

#tamborsemfronteiras #cultura #musica #candombe #brasil

Ficha técnica

Direção e Roteiro: Adriana Gonçalves

Direção de Fotografia: Rafael Rigon

Imagens: Adriana Gonçalves, Edison Larronda, Giovane Andreoli, José Camargo, Lisandro Moura, Patrick Proença (drone), Tanara Lucas e Wellington Duarte

Direção de Arte: Luciano Santos

Coreografia: Jean Mendes - Vintage Dance Studio

Bailarina: Lívia Thomas

Elenco: Adriana Gonçalves, Carlos Maria Dutra, Florencia Bica e Andrea Rodrigues

Montagem: Lufe Bollini

Finalização: Evandro Rigon

Colorização: Beatriz Ardenghi

Produção: Paulo Teixeira e Evandro Rigon

Produção executiva: Franciele Machado, Sílvia Moglia Pedra Lopes, Christian Ludke e Silvia dos Santos

Designer: Elisa Bronzatto e Rolila Caetano

Som: Ivan Vargas, Edison Larronda, Wellington Duarte e Lucas Hoeppers

Produção musical: Matheus de Carvalho Leite, Lucas Kinoshita e Guilherme Ceron

Desenho de som e mixagem: Clauber Scholles - Tamborearte Estúdio

Finalização de som e Mixagem 5.1: Leonardo Mocca - KF Studios

Trailer e informações:

https://www.youtube.com/watch?v=gpfsj2S-XlI

Crédito Fotografia: Finish produtora

@tamborsemfronteiras

 

Domingo é dia de sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.

Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.

 

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