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Bug Cinema

Público·89 membros

“Olhe o Mar” / “Regarde” (Autoral Filmes, 2025)



Se existem poemas que podem ser apresentados sob forma de filme, certamente – certamente – Olhe o Mar é um deles. Sim, aborda o tema da perda de visão de um menino muito mais do que suave e delicioso; não, a abordagem não é pesada, cheia de médicos, internações e perdas. Apenas a perda entra na vida deles, assim como entra na vida de todos – ela invade, muda o destino e temos que lidar com ela da melhor maneira. E quem dera que todas as esquisitices dos pais fossem assim.

O trabalho ao redor da construção do roteiro do filme é incrível. Toda a cadeia de acontecimentos é perfeita e você já está envolvido pelo filme no minuto em que põe os olhos nele. Isso nos leva ao magistral trabalho dos atores, construindo um drama potente com “baldes e baldes” de comédia. Dificílimo.

Mas segure a ideia preconcebida de que você pode guardar os lenços porque Olhe o Mar vai surpreender de novo. Há momentos em que os lenços não chegam, você vai ignorá-los e chorar copiosamente. Há um nível de beleza, de sensibilidade que nos fazem chorar, apenas por existirem e estarem diante dos nossos olhos – videntes. Perfeitos.

A perda, o medo, frustração diante da entrada do destino podem nos causar muitas reações e com maestria Audrey Fleuot, Dany Boon e Ewan Bourdelles (mas o elenco é primorosamente escolhido, você não vai achar falhas) nos guiam para sentir as mãos do imponderável se fechando, se fechando... um manual para vencer uma batalha que muitos dariam como perdida.

Como disse, um poema.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

Vivemos as nossas vidas em automático. Brigamos, separamos. Temos filhos em relações separadas, dividimos tarefas. Os filhos vão crescendo e seu percurso é mais ou menos controlado pelos pais – separados ou não. Até algo nos dizer que não temos controle sobre nada e até entendermos que a vida não é algo para acontecer de forma mecânica.

Um filho, subitamente adoece, subitamente tem como destino, perder a visão em breve. Tudo aquilo que parece normal, organizado, destinado, separado, escolhido, não faz mais sentido. As brigas entre casal separado também não. As relações precisam fazer sentido, as palavras passam a ter peso e valor. Os abraços também. Como os olhares, os momentos, tudo aquilo que importa.

Um filme sensacional, sobre um tema tão mas tão importante neste novo mundo em que vivemos e em que nada faz mais sentido, em que as palavras são apenas sons, em que as pessoas fazem as mesmas férias, as mesmas viagens, colocam os mesmos dentes, peitos, bundas, lábios, cabelos. Algo precisa nos “acordar” para entendermos a vida, para o que é verdadeiramente importante. Mesmo que os outros, das redes sociais, de mundos aos quais não pertencemos, não entendam. Acordamos com acidentes, doenças, problemas, mas quando acordaremos sem ser preciso isso?

Os atores são maravilhosos, talentosos. O ator, Ewan Bourdelles, que faz a personagem “filho doente”, tem um sorriso encantador, expressivo e é um excelente ator. Fiquei fascinada.

Filme obrigatório. Lindo, sensacional.

E o encanto e honra de podermos assistir a um filme destes apenas porque a Autoral Filmes é a sua distribuidora no Brasil. O Bug Latino sempre, sempre, agradece a honra.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: Pais divorciados e brigados se unem em férias especiais com seu filho de 16 anos após descobrirem sua doença ocular. Uma jornada para criar memórias antes que ele perca a visão.

Direção: Emmanuel Poulain-Arnaud

Roteiro: Emmanuel Poulain-Arnaud, em colaboração com Julien Rigoulot e Jean-André Yerles

Elenco: Audrey Fleurot (Chris), Dany Boon (Antoine), Ewan Bourdelles (Milo), Nicolas Marié (Papichou), Amalia Blasco (Nina), Camille Solal (Isabelle) e Thomas VDB (Peyo)

Música: Julien Glabs

Cenografia: Charlotte Martin-Favier

Figurinos: Cécile Cenoura-Guiot

Fotografia: Nicolas Gaurin

Som: Guillaume Valeix

Edição: Grégoire Sivan

Produção: Laetitia Galitzine, Émilie Pégurier e Nathalie Toulza-Madar

Produtoras: Chapka Films e Studio TF1 Cinéma, em coprodução com Beside Productions, Société nouvelle de Distribution (SND) e TF1 Films Production

Distribuidoras: Athena Films (Bélgica) e SND (França)

País de produção: Bélgica / Bélgica

Idioma original: francês

Formato: colorido

Trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=rWM0cTpnD4A

Informações:

https://www.imdb.com/pt/title/tt34479814/

 

Agradecimentos à Autoral Filmes

@autoralfilmes


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