“Quartos Vazios” / “All the Empty Rooms” (Netflix, 2025)

É um DOC de curta metragem. Portanto, você tem a dimensão do que ele tem a dizer em apenas 30 minutos. Tantos meninos ali com vida há 1 minuto atrás e, de repente... apenas não estão mais porque alguém atirou, porque o sistema comprometeu, porque a sociedade está cada vez mais egoísta, porque há psicopatas, porque quem atira foi manipulado, anestesiado em suas emoções... Quem sabe o que transforma uma pessoa comum, num atirador, afinal?
O fato é que dar esperança diante de pura desgraça cansou o repórter Steve Hartman. Ele se uniu então ao fotógrafo Lou Bopp e voltou à casa – especificamente aos quartos – dos meninos mortos. Não para criar mais um roteiro de falsa esperança e nenhuma atitude política na prática – mas para fazer e entregar um álbum fotográfico com pequenas memórias, detalhes, personalidades, lembranças. Álbuns que traduziram o que ele sentiu, pensou, abandonou enquanto jornalista, para ganhar como ser humano – um roteiro pequeno de muitas realidades diferentes, entregues para cada família como relíquia...
Pra mim foi tão importante ver... Nós estamos sendo permanentemente anestesiados da nossa própria humanidade e – em um instante – o manto da sensibilidade nos acolhe. Aí conseguimos ver, “re-ver”, prever como seriam seus futuros, o rosto dos pais, as lágrimas, o som da voz gravada, ali dentro do ursinho de pelúcia... Cada micro sentimento somado a tantos pais e a empatia volta em cheio.
Num mundo onde temos que ouvir “macho alfa, rei, príncipe, bonito e gostoso” justificando que a esposa morta por suas mãos é culpada de suicídio, ver o amor que permanece a qualquer perda é um bálsamo.
Não deixem de ver com seus filhos, seus netos. Não deixem de falar da força do amor familiar. Não deixem de falar de sentimentos. Vai valer cada segundo, eu garanto.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro, TV
35 minutos de uma imensa emoção. Crianças e jovens que morreram em ataques em escolas, famílias destroçadas que mantiveram os quartos delas, uns como os deixaram, outros organizados, mas igualmente “ativos”. Todos os quartos parecem aguardar a chegada da pessoa falecida. Muito lindo, muito doce, muito duro. Um lugar para onde vão com frequência, para chorara a dor, a saudade, para tentar chegar perto do filho ou filha.
Um fotógrafo que capta com sua câmera, coisas que estão nos quartos, e nessas coisas fotografa as emoções, as memórias, o amor, a saudade. Homenageia cada um e cada uma, ouve as declarações dos pais, dos irmãos. Parece tentar que a vida possa seguir menos dolorosa, permitindo a divulgação do quanto estas crianças e jovens eram amados/as, dos imensos sonhos e talentos contidos dentro deles que nos perguntamos, até onde poderiam ter chegado.
Apesar de ser um documentário curto, é o suficiente para nos emocionar, para nos enternecer, para nos chocar, como podem acontecer estas coisas, com cada vez maior frequência, em cada vez mais lugares, escolas, países.
Um assunto estranhamente pesado, preocupante e difícil de resolver. Mas que mesmo assim, precisa ser enfrentado e percebido, para ser resolvido.
Vencedor na categoria Melhor Documentário em Curta-Metragem, Oscar 2026 (98ª edição).
Imperdível.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Acompanhe o correspondente Steve Hartman e o fotógrafo Lou Bopp enquanto eles embarcam em um projeto de sete anos para documentar os quartos vazios de crianças mortas em tiroteios em escolas.
Direção: Joshua Seftel
Elenco: Steve Hartman, Lou Bopp, Frank Blackwell
Trailer e informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt37798645/
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