portalbuglatino
Jan 4

O CONFEITEIRO / THE CAKEMAKER (2017)

2 comentários

Editado: Jan 4

 

Fica-se muito tempo na vida analisando o amor, a pessoa, o ambiente da pessoa, a família, suas conexões. Na verdade, há o amor. E quando se perde o amor, há o luto da perda. Luto não é coisa para velhos, que morrem de velhos (forma chata de pensar que ainda vejo na cara das pessoas). Luto é feito para qualquer um. É totalmente democrático e democratizado. E este é o começo de um filme que fala de perdas, luto, sofrimento, mas sobretudo de amor.

 

Não que tudo dê certo. Porém, as coisas também não são feitas pra darem sempre certo, obrigatoriamente. Há o amor que pertence ao luto, o desejo que nasce da amizade, que nasceu do luto. E há a mentira e a verdade, a dor que dá vida à mentira e as verdades que doem tão profundamente...

 

O filme é tudo isso. E tudo tão conveniente, gostosa e gulosamente bem empacotado com doses de realismo que não destoam do mundo, mas que que ainda são capazes de nos fazer imaginar que o amor poderia talvez mudar o mundo, se fosse talvez melhor canalizado ou distribuído.

 

Atuações impecáveis, num filme cheio de silêncios repletos de comunicação, de subtextos intensos. Gestos, falas, comportamentos tudo isso moderado – mas uma moderação que conduz a grandes intensidades, não se iludam.

 

E num mundo cada vez mais lotado de pessoas que não cabem mais nos lugares comuns, tipo “meninos de azul, meninas de rosa”, o filme mostra pessoas, amores, perdas e como cada um de nós luta com elas à sua maneira.

Resumindo: QUEM NÃO FOR, VAI PERDER!

 

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

Ligação afetiva e amorosa com a comida. Pastelaria. Doces, bolos e biscoitos. Distância, saudade e escolhas. Família. Atingida em cheio....tumm...

 

Cada um de nós tem, da educação que teve e da sua cultura, coisas que adora e coisas que não gosta. Vive muito tempo com tudo isso até descobrir que pode encontrar uma forma de substituir o que não gosta da sua cultura noutras culturas. E isso é maravilhoso.

 

Em Portugal, as pessoas mais velhas diziam que as mulheres conquistavam os maridos pela comida. As pessoas conquistam as outras pela comida, fazem amizades, criam laços, encontram semelhanças e demonstram o seu amor mais profundo pelos outros. Pessoas que sabem cozinhar comida caseira e a fazem para os outros, são pessoas com um coração diferente e o seu amor é grandioso.

 

Eu tive a sorte de ter viajado um bom bocado. Umas das coisas que sempre me impressionou foi a forma como algumas pessoas mudam quando não estão no seu País. Parece que sentem que estão livres, soltas e sem nenhum julgamento ou lei que as proíba de fazer seja o que for. E o que revelam nem sempre é nobre. Mas outras aproveitam essa distância terrestre para tentar sair das amarras sociais e comportamentais que aprenderam e que não as fazem felizes. Essas parecem-me mais nobres. Sofrem muito mais mas tentam substituir “peças” que não lhes cabem por outras que naquela sociedade parecem mais aceites e usam essa força para si. Se salvam muitas vezes assim. Porque descobrem que existem pessoas parecidas com elas por aí elas descobrem uma saída. Isso as salva. E isso deve ser respeitado.

 

Um homem que toda a sua família foi uma avó que lhe passou todas as aprendizagens que ele precisava para saber viver feliz deveria ser um exemplo para as pessoas que se protegem atrás da família, amigos, favores, promessas, patrimônios, achando que estão seguras. Porque saber viver sendo apenas você e o que você sabe fazer, saber fazer bem e se possível ajudando os outros, são talvez as maiores nobrezas numa vida.

 

O filme é lindo com atores principais espetaculares. Nos mostra o que pode ser maravilhoso e terrível em cada sociedade e cultura. Nos mostra que não existe nenhum lugar ou cultura perfeita. Fala de escolhas difíceis, e de resultados bem diferentes para cada um dos intervenientes nessas escolhas. E escolhas de amor. Nem fala em escolhas de pessoas que apenas pensam no seu amor próprio. Fala de pessoas que genuinamente querem ser felizes e que não pretendem estragar a vida de ninguém, apesar de isso poder vir a acontecer. Fala de pessoas que querem viver a vida das outras quando deveriam viver a sua. Fala de segredos que achamos que nunca serão descobertos. Ai...este filme me diz muito. Acho que vos dirá também, se a vossa vida tiver o amor junto da comida, das escolhas difíceis e da saudade. Desejo que gostem e chorem como eu. Muitas vezes fazer uma comida é uma forma de dar um abraço nos que amamos e estão longe. E uma forma de amar quem cuida de nós.

 

Ana Santos, jornalista e professora

 

Informações sobre o filme

https://www.imdb.com/title/tt4830786/

 

Site da Saladearte

http://www.saladearte.art.br/

betossantana
Jan 15

Também gostei do filme, a delicadeza com que a complexidade da situação é contada nos faz ter empatia por todos os envolvidos, exceto pelo irmão da viúva, que cara nojentinho, rs. ADOREI o parágrafo de Ana Santos sobre o protagonista ter tido como figura materna e modelo sua avó, numa luz positiva, enquanto que na nossa cultura os "meninos criados por vó" são considerados mimados e indolentes!

amauri g
Jan 16

ok ana gostei mas a frase que sintetiza todo texto " amar quem cuida de nos'

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  • portalbuglatino
    há 15 horas

    As pragas de madrinha pegam? Porque o corralito argentino lembra as “genialidades” do plano Delfim, Collor, Bresser, Cruzado, milagre econômico, neste, que é o país que vai pra frente ôôôô! Será que o problema é com a falta de atenção dos santos? A pouca presença de milagres, mandingas e rezas? Somos tratados como debiloides na América do Sul, pelos governos da América do Sul. Por quê? O filme atinge o alvo com absoluta perfeição. No plano Collor, assim como no corralito, quantas pessoas se suicidaram? Quantas deprimiram? Quantas caíram na mais absoluta pobreza? Milhões! E quantas roubaram de nós sem terem nenhuma preocupação com quem ficou sem nada? Como sempre? Rindo da nossa cara? Meio lento, mas com absoluta certeza do que estava apontando, “A Odisseia dos Tontos” incendeia nosso desejo de ir para Brasília e perguntar qual a justificativa para os deputados trabalharem só 3 dias, os senadores idem, o presidente ter e sustentar centenas de puxa sacos ao seu redor com ministros claramente incompetentes, num momento onde precisamos de esperança, de ideais e não de perseguição e polarização. Não no Brasil, não na Argentina, não na América do Sul. Precisamos. É uma falta mundial. E se pudéssemos pegar o que já demos? Já pensaram nisso? E se pudéssemos olhar para o esconderijo do que nos tiraram? E no caso da América do Sul foi muito mais do que dinheiro; foram vidas. Inúmeras. No último quarto, finalmente o filme acelera e quando faz isso fica perfeito. É um sonho latino-americano, uma conquista internacional, uma vitória pessoal, mesmo sabendo que tudo é filme, que nada vai mudar, que a falta de educação e de previsão do que fazem, vai continuar ao redor dos poderosos como uma praga de madrinha que nos assombra a todos nós, que somos o povo, os heróis da jornada, aqueles que em algum momento da nossa evolução precisam ganhar por serem honestos. Quer viver esse sonho? Lembrar que já passaram por aqui ditadores, militares, colonizadores, religiosos, cada um com uma ideia mais louca, com um plano mais mirabolante, mas que nenhum deles jamais nos roubou a esperança? E ver isso com um roteiro que não é perfeito porque se alongou um pouco além? Na ficção, eles se uniram e venceram. Temos um mundo ambientalmente semimorto, crises econômicas diversas, desemprego, refugiados, pobres, miseráveis, bombas, assassinos, milicianos e soluções ditas fáceis como ressurreição de regimes de força. Ou trabalho em grupo, previsão da existência dos outros. O que deixaremos? Ricardo Darín mais uma vez realista ao extremo na confecção da ficção, num elenco de primeira linha. Vejam o filme. Vejam mesmo. É como olhar para o espelho e dizer: um dia este será o nosso dia. Como sonho, sensacional. Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV Quando o ponto de partida de um filme é a participação do ator argentino Ricardo Darín, o Bug está presente para saborear o momento. Se o filme tem a participação do seu filho – excelente ator, da sua neta e de vários atores igualmente sensacionais, é um prato cheio. Se, além disso, a história é baseada em fatos verídicos e se apresenta em jeito de metáfora sobre como lidar com os tempos que se vivem no mundo, principalmente em alguns países da América do Sul, torna-se imperdível. Os argentinos são surpreendentes e no cinema espantosos. Um filme sobre os tontos, inocentes, crédulos e, ao mesmo tempo sobre os “espertalhões”, os que acham sempre que sabem mais do que os outros e sua vaidade os convence que merecem sempre mais do que os outros...apenas porque são eles...é um assunto permanente entre seres humanos em sociedade. Atualmente parece até que pioramos e muito nesse aspeto. Quem é inocente e puro parece ser cada vez mais tratado e considerado inferior, menor, pouco inteligente e incapaz de “aproveitar as oportunidades”. Uma inversão de valores inacreditável. Vemos a importância da amizade, da colaboração, da partilha, de sermos eternamente “tontos”/puros procurando a justiça sem desistir nem desanimar. Vemos a diferença como algo a somar. Na verdade só existe isso na diferença, mas insistimos ver outras coisas. Vemos também os que sempre consideram que são tratados de forma inferior, humilhante, que se sentem espezinhados, pela sociedade, pela família, pelos colegas de trabalho...e um dia, se uma oportunidade surge, eles podem escolher e ou se comportam heroicamente ou se comportam inundados de “cegueira” e egoísmo. Vemos o interior geográfico de todos os países onde as oportunidades são muito escassas. E o interior de Portugal comparado com o interior de um País como o Brasil é incomparável. Apesar disso, não deixam de ser em ambos os países, lugares com menos condições, menos apoios, menos oportunidades. Vemos os oportunistas, “cara de pau”, no seu terno/fato engomado e seu sorriso e simpatia hipócrita. Vemos as nossas vidas, as injustiças que foram cometidas no mundo e que assistimos ou sofremos. Vemos que não se pode deixar as pessoas que fazem as coisas erradas, tão à vontade. E vemos que nunca se pode desistir. Principalmente se fazemos parte dos “tontos”/puros. O filme nos faz recordar de relações humanas que estão desaparecendo e que devemos cuidar em manter – a verdadeira amizade, sem interesses secundários, em que se pode confiar totalmente, onde nosso coração se sente em casa e em paz. E nos avisa para sempre termos cuidado com os que parecem de confiança e leais, através do seu discurso, sorriso ou promessas. Assinar documentos sem ler, nunca; assinar documentos que não se entende o que está escrito, nunca; assinar documentos que dizem uma coisa mas que o advogado diz para não dar importância e confiar nele, nunca; acreditar em promessas e sonhos de aplicar dinheiro seguindo a palavra de pessoas aparentemente confiáveis, nunca; acreditar que alguém que é humilhado uma vida inteira, vai defender quem o humilhou numa hora difícil, é esperar um milagre; tratar mal pessoas durante anos e depois, em um instante e com um sorriso esperar que tudo seja esquecido, outro milagre.; etc, etc, etc. Se cuide. O mundo está num momento em que muda de sentido de forma inusitada e súbita. Você se dedica a vender camarão e de repente o mar se enche de óleo e seu produto de venda é destruído. Você tem um currículo e uma carreira profissional invejável, muda de país e mudam as regras. O que você alcançou não tem importância nesse lugar. Precisa começar de novo, fazer outras coisas. Médicas que viram empregadas domésticas, etc, etc, etc. É um filme a não perder. Tem algo nos filmes argentinos que me lembra Portugal do interior e das pessoas que largam tudo para se unirem. Desejo um bom filme e boas recordações. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre o filme: https://www.imdb.com/title/tt10384744/ Site do Circuito Saladearte http://www.saladearte.art.br/
  • portalbuglatino
    há 2 dias

    A nossa capacidade – nossa no sentido de nós, adultos – envenenarmos as situações de maneira geral, em busca de um equilíbrio que justifique os nossos desequilíbrios é a base para que essa comédia francesa funcione muito bem, nos ridicularizando da forma como merecemos. Construímos um mundo que fala de direitos, mas nós temos extrema dificuldade em lidar com diferenças – o Bug Latino tem um programa que as discute, inclusive – o que cria inúmeros atritos, dúvidas e medos que, na verdade, são apenas nossos preconceitos e dificuldades mal resolvidos. E qualquer preconceito nasce da nossa própria ignorância sobre aquele determinado assunto, o que também é claro porque, se tivéssemos a experiência, teríamos também o conceito e tendo o conceito, não haveria espaço para imaginarmos um “pré-conceito” para coisas que estranhamos. Fácil, não parece? Mas não é. Na França, há pessoas de inúmeras etnias o que teoricamente democratiza o convívio sociocultural – e assim seria, se – SE! – não nos afastássemos de diferenças, criando um defeito para justificar nosso afastamento. Assim, o filme aponta com humor rascante inúmeras situações que poderíamos trazer para o Brasil, já que quem acha que não tem preconceito, nem vive num país racista, corre ao ver negros e mestiços – nós, pois isso é quem somos – correndo também, não importa o motivo. Assim, um grupo de negros correndo em direção a um ônibus é: A- assalto; B- gente com pressa de chegar em casa; C- arrastão – e há quem responda assalto ou arrastão sem pensar! Interpretações maravilhosas e tanta diversidade que a gente, num Brasil que se acha uma democracia racial, se pergunta de onde vem aquela uma ou outra pessoa. Uma confusão familiar adorável, brigas, erros, acertos e, afinal, as crianças acabam resolvendo as questões mais complexas, como sempre porque priorizam o que sentem. Um filme bem-humorado que deveria estar nas escolas para iniciar um debate sobre preconceito e ignorância, tanto quanto como o conhecimento pode ser uma arma poderosa contra as pessoas mais “tapadas” socialmente, tornando as nossas diferenças apenas no que são – diferenças – porque o principal, a nossa humanidade, independe de raça – depende mesmo é do caráter de cada um nós. Muitos ditadores já tentaram – Hitler o mais visível historicamente – criar uma marca para a diferença – no caso dele, a braçadeira com a estrela de Davi, de tal forma apontar que os judeus eram inferiores por não serem brancos, arianos. Se naquela época já tivéssemos testes de DNA, quanto tempo ele levaria para ser ridicularizado? Nas democracias isso também está cada vez mais visível com patetas como Trump e seu inexplicável muro anti-mexicanos. E atualmente isso se estende a qualquer pessoa – de ditadores a pastores – numa configuração mundial cheia de gente tapadinha que quer impor valores tapadinhos como se fossem grandes coisas – oops – não são. São só “ridiculices” e devem ser tratadas assim. Não esqueçam de prestar atenção nos ridículos que tentam demonstrar que são a vanguarda do pensamento, mas que são apenas pessoas politicamente corretas que não são capazes de darem um único passo em busca do desconforto da aceitação e da descoberta. O mundo está superpopuloso desse tipo. Cuidado, “teens”! Para professores: exponham a cara de bocó de Hitler e como o mundo pagou caro por fechar os olhos ao ridículo por medo de desemprego, medo de perder seus valores morais, medo de ser atingido, influenciado - como se nós não precisássemos ser influenciados para podermos melhorar como pessoas, julgar melhor nosso lugar e nossos limites. Levem seus filhos e vale um sorvete com conversa pra todo mundo ter certeza que viu o melhor do filme. Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV Filme obrigatório para professores, para pais, para quem de algum forma está relacionado com o sistema escolar e se preocupa com esse tema sensível da sociedade. Obrigatório igualmente para os que se preocupam com os problemas que surgiram com a diversidade – social, económica, de pertença, etc – num momento em que o número de pessoas que estão fora do seu país, ou nem país têm, é avassaladora... Sempre muito bom ver filmes de outros países, outras formas de olhar a vida, onde sempre percebemos que as diferenças não são sobre países mas sim sobre as pessoas. As que são do bem e as que nem por isso. Nunca sobre de onde você é, mas QUEM você é. Um casal que vive um pouco fora do sistema social esperado. Que bom! Pessoas encantadoras, criativas e humanas. Dá vontade de tocar na campainha para participar das conversas, dos convívios. Lembram pessoas verdadeiras e incríveis que aqui e ali todos temos a honra de conhecer e conviver. A trilha sonora/banda sonora do filme é sensacional. Um das músicas mais bonitas se ouve num dos momentos mais belos de convívio das famílias felizes. Instante puro e lindo. Amei. Isso é cinema!!! Os planos, a velocidade das imagens. Fantástico. As escolhas do casal nem sempre lhes permitem ter uma vida tão serena e tranquila quanto desejam. Mas seguem seus corações e a tentativa de serem justos, tolerantes e compreensivos. Porque não somos todos assim? Onde se perdeu isso em nós? Puxa...os conflitos do mundo burguês ou, das pessoas que fazem de conta que são burguesas, atrapalhando a felicidade de TODOS...chato isso não? O filho mais novo e as mudanças sociais e culturais no bairro da escola que frequenta; os colegas de escola e suas famílias; o bizarro mas carinhoso diretor da escola; a professora “out” e cheia de palavras vazias que representa tantos professores no caminho errado; provocam alguns confrontos e reflexões no seu modo de pensar e agir. O filme nos alerta para a cruel realidade atual, no encantador jeito brincalhão do povo francês. A necessidade de preparar as crianças para ataques terroristas – o que fazer, o que nunca fazer, o que dizer, o que nunca dizer, para onde ir por mais bizarro que possa parecer para uma criança; para a diversidade cultural, religiosa e humana dos lugares no mundo (que ainda são) mais “pacíficos” para se viver; para as escolas públicas e privadas e para a forma como se vende o melhor lugar para “educar”/”formatar” os filhos. O inesperado da violência é marcante na vida dos brasileiros. Mas a Europa, sem desejar, se tornou um lugar onde a violência inusitada criou medos, marcas, fraturas. E a França, sofrida, mostra as suas feridas e também como enfrenta o que pode acontecer a todo o momento. Servem e são uma referência sobre como fazer quando o inesperado (extremamente destruidor) acontece. Obrigada França. Vocês não sabiam, mas nós olhamos vocês e aprendemos muito. O sistema escolar sempre procura padronizar, regular, formatar – pelo menos os alunos. E, sempre aumenta o trabalho, a carga horária, as responsabilidades, as culpas – dos professores. Professor deve não pensar, não sentir, não ser. Tudo é para os alunos. Mas sabemos que nada funciona de forma saudável quando só um lado usufrui. E, o que acontece é que neste momento, o sistema escolar é insatisfatório para todos os que estão envolvidos – professores e alunos. Em sociologia falam de díade social – relação entre dois “lados”, em que um alimenta o outro. Se um não alimenta o outro...perdem os dois. O professor perder, quem quer saber? Se perde é incompetente! Falamos de pessoas que dedicam profundamente a vida aos filhos dos outros... Mas o aluno...paga tanto...como pode isso acontecer? Educação e saúde virarem no século XXI preocupações de lucro nos países é inacreditável. Uma profissão que por base é criatividade, sustentada em ciência e disciplina, virou algo que é mais semelhante a cuidar de grupos numerosos tentando que não se magoem e que sejam minimamente educados na forma como falam e se comportam. Ser diferente tem custos. Ser diferente é difícil e duro. Não obedecer a regras instituídas socialmente, mesmo regras criadas arbitrariamente, confrontam os “free spirit”/ espíritos livres constantemente. Alguns não resistem e adoecem, outros seguem o sistema e aceitam a formatação em troca de sobrevivência. Os que conseguem permanecer e resistir, são heróis. Mas serão sempre olhados, reprovados, criticados. Precisam de saber quais as regras fundamentais a obedecer para não serem disseminados. Mas devem ser sempre pessoas atentas e vigilantes. Porque o sistema não os quer assim. Atores sensacionais, incluindo os meninos e meninas jovens. Fabulosos. Amei, amei. Mais um filme a ser visto e a ser razão de uma conversa e reflexão com pais, alunos, professores do ensino público e privado. O preconceito, algo permanentemente a resolver, principalmente em países e zonas geográficas que têm presentes e principalmente passados violentos e fraturantes. E novamente vemos, neste caso num filme, que, quando somos todos íntegros, na hora da verdade, da necessidade, da colaboração, estamos todos presentes e nos vendo e aceitando verdadeiramente. E que, o que vivemos e sofremos na época de criança e adolescente é determinante na nossa vida adulta. Sabemos e esquecemos. Por favor, sendo pai, mãe, tia, vizinho, etc, vamos ter isto como algo a cuidar? Por favor? Faremos mais pelo mundo do que muitos presidentes de “fachada”. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre o filme: https://www.imdb.com/title/tt8171974/ Site do Circuito Saladearte http://www.saladearte.art.br/
  • portalbuglatino
    Out 23

    O trabalho de ator é, ao mesmo tempo, artesanal, explosivo, sensorial e psicológico. Reunir Angelina Jolie e Michelle Pfeiffer era uma promessa de que tudo isso poderia acontecer; sem dúvida - aconteceu. MALÉVOLA continua um filme baseado no amor – agora com camadas complexas sobre as diversas formas de aceitação social do mal e de quem é mau justificar socialmente suas ações, sobre como pode ser simples influenciar pessoas e de como resistir e acreditar em quem você é. É cada vez mais difícil a gente assistir um filme que parte de princípios humanos, nossos ideais e sentimentos num dado momento do filme, são só princípios postos em xeque. Todos sabemos que os refugiados do mundo estão sendo oprimidos, mas permitimos que vivam em cantinhos do mundo, pedindo um espaço para poderem viver; sabemos do racismo, do machismo, da violência da polícia, de políticas e sobretudo de políticos podres; sabemos do meio ambiente destruído, da nossa incapacidade de garantir vida às próximas gerações. Sabemos. Mas nos deixamos influenciar porque não queremos decidir. Porque entre sua mãe e o homem que você ama, é melhor ficar numa posição social dos “sem atrito”. “Não me embarace, não estrague o meu lado, faça um esforço, engula e siga” são ouvidos o tempo inteiro ao invés de “conversem, se entendam, como posso mediar uma tentativa”. Mas com toda a força de suas poucas palavras no filme, Malévola (“well, well”...) explode em emoções, em coragem e em amor – que lhe sai pelos olhos, maciçamente. Colocar um corpo no mal foi necessário para que as crianças e, sobretudo, os adultos possam imaginar o que estamos perdendo ao permitirmos que as discussões se tornem infinitas porque não buscam e não querem o entendimento por mais que um dos lados alinhe provas, argumentos. É apenas o exercício orgulhoso de se estar certo, como se o certo e o errado não afetasse a vida de todos, não prejudicasse ou melhorasse o convívio sempre tão difícil entre a pessoas. “- Os meus amigos do Face sabem que eu sou brutal”! – Vocês não leem frases subliminares assim em muitas páginas, de muitas pessoas? Michele Pfeiffer abraça e representa essas pessoas com extrema frieza, sem competição com a nobreza de malévola. Ela assume o mal e o representa. E como nós saímos ganhando... O final do filme é épico, com direito a escolha de se ir pelo caminho do amor ou pelo caminho da violência. Chorar? Meu Deus, chorei muito, como choro muito - é muito difícil seguir por um caminho, tentando ser correta, assumindo que precisamos de mais educação e cortesia e que isso não pode ser confundido com falsidade e hipocrisia. É muito difícil. Mesmo agora, na vida real, quem se sentir enganado pode voltar para a trilha difícil. Ser bom é difícil e evolutivo, acreditem. Quando a gente vê um filme como Malévola, ele permanece difícil, mas é redentor. Levem seus filhos e netos, peçam a seus filhos e netos que os levem, que os estimulem a ir. A maior magia de um filme “pseudamente” infantil é que saímos do cinema renovados. Prontos para, como Fênix, renascermos de nossas próprias cinzas e irmos em frente, em busca de humanidade menos “Ingrid” e mais “Malévola”. Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV O filme. Novamente representações excepcionais de atrizes e atores excepcionais. Um novo passo numa história que conhecemos “estável” há muito tempo. Uma história sem fim, por que desde que surgiu a “Malévola” anterior (2014) com um final diferente, passamos a ter um mundo de possibilidades de novos “episódios”, um negócio de sucesso com muito futuro, releituras (como se fala muito agora) permanentes sobre histórias infantis. Angelina Jolie e Michele Pfeiffer sempre foram atrizes talentosas e dotadas. E como poucas nas expressões faciais ou micro expressões. Continuam incríveis nesse domínio, apesar da “necessidade” de plásticas no mundo audiovisual diminuir essas habilidades. Falo com tristeza de Michele Pfeiffer que tentou parar o tempo na sua cara mas perdeu muita da magia que tinha com isso. Mesmo assim, que show de talento e competência... O início do filme tem uma imagem de movimento tão excepcional, que só por esse momento, já vale a pena. Bons voos. Relembrando as pessoas que nunca tiveram fascínio por filmes de “criança” ou “infantis”, isso já não existe há muito tempo. E este filme tem muita resenha/reflexão para ser feita se o nosso olhar não se prender só na fantasia. As nossas vidas são cheias de clichês, de padrões, de “destinos”, de “assombrações”, de...”se fizeres isto, terás aquilo”..., o proibido, etc. Mas não são eles que decidem a nossa vida e estamos a esquecer disso. As crenças e mitos parecem sempre vindos do mundo da imaginação e do fantástico. Tem quem afirme que enlouqueceremos se não mantivermos um mundo de sonho e fantasia e desejo neste mundo mais e mais frio e destruidor dos mundos encantados de cada um. Mas eu deixo uma pergunta a todos nós: o que é colocado nos filmes provoca ações em nós ou as nossas ações são tão inacreditáveis que viram histórias de filmes? E, se souberem a resposta, tem só uma opção? Por que neste filme vi os cegos poderosos que sempre justificam as atitudes com o que sofreram ou com o que tem de ser; os que andam na vida de olhos fechados e nada fazem, nada entendem; os que são bondosos e frágeis, mas muito sós e incompreendidos; os considerados errados e negativos para a sociedade por que não desistem de lutar pelo que é certo nem se intimidam com os poderosos que fecham portas, que os amedrontam e que tentam impedir constantemente o seu caminho; etc, etc, etc. Eu assisto a estes filmes e depois vejo no mundo real as fadas, os anjos, os duendes, sendo esmagados, destruídos, abafados, humilhados, excluídos, por que são frágeis. Mas ser frágil é determinante para viver plenamente, para se aceitar o todo, para se mergulhar profundamente na vida, no que somos em nós e no que somos com os outros. Mas, de alguma forma, os filmes e/ou nós todos em vida, estamos determinando que é muito mais interessante e fascinante e visível (a palavra do século), ser cruel, destruidor, “mau”, conflituoso, manipulador, “oportunista” etc. Ser “bom”, justo, doce, frágil, emocional, inteiramente amigo, etc, é uma babaquice/menor. Onde foi que “batemos com a cabeça”? O que estamos fazendo com a nossas vidas? Com as dos outros? Você vê uma multidão de pessoas que segue, que aceita, que acredita...em quem lidera, em quem tem o poder. Não questionam, não analisam. Parecem nem ter pensamento, reflexão, bom senso próprio, opinião própria. Na verdade, acho que fogem de ter tudo isso para não se confrontarem com a sua escolha de “hipnotizado sobrevivente”. E ainda justificam que tem de ser assim. Que ser adulto é isso. E, se o líder muda, mudam. “Claro!”- dirão, com cara de responsabilidade e maturidade. Ter opinião própria, saber apresentar a sua opinião, saber discordar sem brigar, sem dividir, saber construir e somar com a sua opinião e sua ação é o que o BUG Latino tenta manter e promover nas pessoas. Era o que o mundo e as pessoas faziam antigamente. Como foi que nos tornamos no que somos hoje? A sorte de poder experimentar olhar o mundo fora do sistema, desenvolvendo o BUG Latino é impagável. Em todos os sentidos. Você tem a possibilidade de ver, de finalmente ver as pessoas escolhendo as filas, os lados, os caminhos, totalmente desfocadas do verdadeiro sentido da vida e da sua importância. Ver isso, nos dá uma energia extra por que podemos ajudar muito e é o que tentamos constantemente. Os outros sentidos? Também vemos com muita clareza, quem ostensivamente ou discretamente tenta inventar o pó destruidor de fadas e sonhos e impedir que se construa, que se desenvolva. Quando sabemos que algo está errado, o que fazemos? Nada e morremos intoxicados em conjunto como todos e com todos? Ou agimos, falamos, movemos? Mesmo que depois sejamos considerados os ridículos, os pobres, os feios, os errados. Mesmo que não seja sempre. O mundo está neste estado pelo que não temos feito. Vamos fazer algo sempre que pudermos? Vamos? Vamos. Temos. O filme também toca num assunto sensível: a confiança. As pessoas mudam muito facilmente a sua forma de pensar sobre os outros. Conheço histórias de pessoas que dedicaram a sua vida, repito, a sua vida, aos outros, em particular os da sua família e, num mal-entendido muito útil para alguns, se veem envolvidas numa confusão absurda e são criticadas, manchadas e desconsideradas para sempre. Os que fazem e que falam e que semeiam a discórdia são vis, mas os que aceitam e acreditam, são iguais. Prestemos mais atenção às ações e às palavras das pessoas, à sua dedicação, seu esforço e não derrubemos a sua história só por que neste momento fica bem e de forma nenhuma queremos arranjar confusão no reino da invenção. Isso destrói muitas pessoas, famílias, vidas. Novamente a opinião própria e o bom senso na nossa conversa... O Bug Latino é feito todos os dias, todos, para vocês fadas, duendes, excluídos, injustiçados, invisíveis que querem ajuda, que querem ser frágeis mas verdadeiros e úteis. Não existe força que destrua isso. Nunca se esqueçam. Ele também existe na procura dos que são como nós. E já somos bastantes os que caminhamos com o Bug. Sentimos a vossa presença com muita intensidade e saibam que somos muito gratas por isso. Este filme mais uma vez nos mostra que parece ser muito mais fácil e prazeroso ser mau, fazer o mal aos outros. O gostinho do PODER, dizem, estimula as pessoas para o abismo como um “viciado”. Como é triste ver isso em tantas pessoas. Pessoas que são o exemplo para multidões. Sempre que tiver poder, lembre-se, ele lhe foi dado para somar, não para destruir. O que eu falei parece não ter nada que ver com o filme? Se for ver o filme vai entender. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre o filme https://www.imdb.com/title/tt4777008/ Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha http://www.itaucinemas.com.br/filmes/

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