“QUEM SABE DIFERENCIAR OPORTUNIDADE de CORRUPÇÃO?” e “Votar em consciência?” Bug Sociedade

“QUEM SABE DIFERENCIAR OPORTUNIDADE de CORRUPÇÃO?” Bug Sociedade
Honestamente, não me agrada nada a ideia de que emissários da nossa justiça possam receber os salários que lhes pagamos pela via pública, enquanto lucram juros e dividendos com seus filhos, netos e bisnetos na vida privada. É uma realidade, mas sem moral nenhuma, uma coisa sem noção, eira ou beira. Porém, nada disso, infelizmente, é ilegal.
Guardem isso. A pergunta que me incomoda, perturba e assombra é: o Brasil sabe diferenciar OPORTUNIDADE de CORRUPÇÃO? Mesmo? Um porteiro aponta no condomínio problemas e vai uma empresa consertar. O responsável da empresa logo propõe colocar um pouco além do valor que ia cobrar na nota pra passar para o zelador, se ele indicar sempre a mesma empresa. É oportunidade ou corrupção?
Cerveja para o guarda quando ele nos manda parar o carro é oportunidade ou corrupção? Ah, mas ele vai tirar a multa! Pode tirar a multa, comprando o guarda?
Oferecer jatinho para autoridades da república é oportunidade ou corrupção?
Convites para shows nacionais e internacionais para políticos?
Mansão no carnaval? Camarote nos desfiles de escola de samba?
Festas com charutos e o prestigiado uísque escocês Macallan?
Prostitutas de festas e de motel?
Projetos de lei que aumentariam os valores devolvidos ao público em caso de falência dos bancos? Oportunidade para o banqueiro ou corrupção ativa? Passiva, se envolve o político junto?
O mais soturno: a venda de sentenças em troca de mesadinha para filhos e ataque às nossas Instituições é uma oportunidade de ficar rico? Mesmo se caso, o Brasil vire uma ditadura de novo? Ou é uma vergonha absurda e nojenta termos ainda magistrados em todas as instâncias que acham normal venderem seus juramentos em detrimento da justiça?
Quando a gente ouve: “aqui é assim”, devemos aceitar e logo passar nossa chave PIX ou devemos responder “aqui pode ser assim, mas eu não sou assim, eu não sou isso”? Quando você ouve: “o excelência X deu a oportunidade de meu filho receber sem precisar trabalhar. Ele segura pra si “uma ponta” e dá ao meu filho outra". Lhe parece ser uma oportunidade ou você está vendo o fenômeno brasileiro da RACHADINHA em ação e deve se ofender com a proposta do político, já que nós é que lhes pagamos os salários?
Quem disse que é status andar de jatinho pra baixo e pra cima e que pra ter esse status algumas pessoas acham que podem receber privilégios? Receber? Não seria melhor dito “vender”, “trocar” privilégios por outras coisas?
O fato é que estamos olhando diretamente para coisas historicamente emblemáticas e soturnas – mas que todos sabíamos, conhecíamos. Por que, por que, por que nós continuamos querendo confundir proposta de corrupção com uma oportunidade de nos darmos bem? Por que vendemos tão barato a nossa dignidade?
Agora, vemos a voz tonitruante de Flavio Dino, demolindo o tal professor de oratória que não aprendeu ainda que nada – NA-DA – vence os fatos. Vemos a voz experiente do decano que já viu de um tudo, mas que com erros e acertos, numa vida de 20 anos de Supremo aponta o dedo e lança: "É impressionante a desfaçatez desse sujeito."; "Isso sim é leviandade, um sujeito investido de um sentimento policialesco, junto com seus delegados."; "Evidente condução político-eleitoral. Isso não se faz”. “Pessoas decentes não fazem isso”; "Até a máfia tem ética. É preciso ter decência"; “Acachapante. Extravagante. Evidente que se trata de um 'pixuleco', de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando.”; “Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.”; "Quem não se dá o respeito não merece respeito."
É hora de levantarmos os nossos dedos contra os candidatos monstrengos, milicianos cariocas da pior espécie, bandidos e, por mais que eles pareçam nos oferecer oportunidades, temos que reconhecer no fundo dos seus olhos azuis: sedução para corrupção. Sedução para nossa própria prostituição. Íntima. Profunda.
Reajam. Não contornem dando justificativas de direita ou esquerda. Apenas olhem os fatos. E reajam na hora do voto. Aqui não precisa ser assim. Votem na democracia. Aqui não precisa ser assim.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
“Votar em consciência?” Bug Sociedade
Penso que todos somos educados para procurar - e obter - uma vida financeiramente confortável, que permita que possamos cuidar da nossa saúde, ter uma boa educação, cuidar bem dos nossos filhos e apoiar restantes familiares, viver de forma confortável, fazer e ter coisas que gostamos, ter dinheiro para imprevistos, momentos difíceis e, envelhecermos sem preocupações financeiras. E se possível for, ter algum patrimônio para deixar para quem fica e negócios para serem continuados. Fomos educados para perseguir isso, apesar de parecer algo impossível para a maioria das pessoas. Estamos cientes que nem todos vão conseguir, muitos terão tudo e depois perderão tudo, outros, vidas que oscilam, outros vão sofrer para depois serem recompensados ou ainda, outros sempre estarão bem ou muito bem.
Quem aprendeu em criança a planejar seu futuro e a criar ambições reais, partindo do ponto inicial que lhe foi “atribuído”? Ou as possibilidades eram fadadas ou presenteadas para cada um no seu caminho?
Uns podem fazer tudo o que está ao seu alcance, que mesmo assim, nunca chegarão à vida que desejam. Outros sempre serão favorecidos, sempre estarão bem, sempre terão ajuda, serão sempre os eleitos, façam misérias ou bondades.
As coisas que nunca são faladas, fazem parte de um conjunto de informações na vida, o “não dito” – aquilo que todos sabem e obedecem, mas nunca conversam sobre e fazem de conta que não existe.
Regras visíveis e definidas, documentos, gente capaz a liderar tudo o que necessita de ser liderado, nos esforçamos uma vida inteira, mas o que sempre irá decidir na sociedade será o “não dito”, esse invisível presente e marcante.
Aquilo contra o qual não temos poder se não fazemos parte, e temos poder sempre quando fazemos parte.
Decidir fazer parte ou não, é portanto, uma decisão muito importante na vida.
Fazer parte parece que implica aceitar regras que não dão importância às nossas opiniões. Tem custos.
Não fazer parte significa fazer valer as nossas opiniões, nossa dignidade, nossa honra. Tem custos.
Em cada lado se encontra um sabor agridoce, já que em cada lado você ganha e você perde.
O que você escolhe perder e ganhar?
Cada vez é mais difícil a sociedade valorizar o lado em que a nossa opinião tem valor.
Cada vez “lhe” interessa menos nossa opinião.
Cada vez mais as pessoas têm de aceitar, têm de aguentar, têm de calar, têm de viver com o que dá, em vez de viver como desejam.
Uma percentagem bastante elevada da população mundial não tem tempo sequer para fazer valer sua opinião. Não tem casa, nem comida, nem trabalho, nunca estudou, aprendeu a repetir a vida de outros com problemas iguais ou piores aos seus. Não existe quem ajude, quem apoie, quem proteja. São humilhados, explorados, almas feridas, sem tempo para poesia ou para olhar o pôr do sol.
Mesmo assim, são inundados de pedidos de doação, nas TV’s, para ajudar a acabar com a pobreza no mundo, em publicidades em que atores ricos e famosos falam de sofrimento e necessidade. Realmente? Realmente é a esses que se deve pedir? Aos que lutam todos os dias por pão? Aos que têm de viver apertados por manterem suas convicções? Aos que vivem apertados, no sistema ou fora dele, calados e obedientes? Não existe um pingo de vergonha? Os que pagam IPTU mas sem calçadas, nem esgoto, nem a quem recorrer, são esses? Os que não sabem como será seu amanhã? Não se pode incomodar os ricos. Os que viajam de avião particular, que fazem negócios de milhões, de bilhões, também não. Os pedidos são feitos aos que olham a televisão no final do dia, exaustos, tentando encontrar uma identidade com o lugar, cidade e país onde vivem. E lá está um pedido, outro, outro...
Os que nada têm, quase só têm deveres, obrigações, cumprimento de regras, pedidos, queixas.
Imagine um país como uma família aos quais nunca se dá nada mas se exige tudo. Por todos os lados. O ser humano vive num lugar onde a terra não é sua, nem a água, nem o gás, nem a eletricidade, nem os alimentos. Atualmente os estrangeiros são os que não são bem vindos, mas o futuro trará a versão em que os que não são estrangeiros também sejam “mal vindos”. Essa é uma nuvem negra se aproximando. Ela já existe nestas pequenas coisas – no pouco que tem o direito e no muito que tem o dever.
Como votam estas pessoas?
Por que votam em quem votam?
Votam em quem desejam votar?
Votam em quem vai deixar seus patrões contentes, em quem vai manter seu trabalho, em quem acreditam que lhes vai dar uma vida melhor
Votam no que pensam que podem conseguir manter, portanto no que têm medo de perder. Como se pode votar em consciência, assim? Sem saber quem fala verdade? Com medo?
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: Pollock
@buglatino
Terça-feira, dia de escrever sobre o que acontece no dia a dia. De crítica, de conselhos, de admiração, de espanto, de encontrar caminhos melhores para todos.
@buglatino
A Plataforma que te ajuda a Falar, Pensar, Ser Melhor.



Comentários