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Poesia dos duros dias

há 7 minutos
1 min de leitura

“Tantas vezes maldizia”

 

“Este céu e esta terra,

As mãos do moinho com musgo

Agitando-se pesadas!

No anexo está um morto,

Hirto e grisalho, num banco,

Como há três anos atrás.

Os ratos roem os livros,

Para a esquerda verga a chama

Da vela de estearina.

E canta e canta odioso

O guizo de Níjni-Novgorod

Uma singela canção

Da minha aldeia amarga.

E pintadas vivamente

Erguem-se rectas as dálias

Pelo carreiro de prata

Com corações e absinto.

Foi assim: a reclusão

Tornou-se segunda pátria,

Mas da primeira não ouso

Nem nas preces recordar.”

Anna Akhmátova

Julho de 1915

foi uma das mais importantes poetisas acmeístas russas

 

“O último brinde”

“Bebo à casa arruinada,

às dores de minha vida,

à solidão lado a lado

e à ti também eu bebo –

 

aos lábios que me mentiram,

ao frio mortal nos olhos,

ao mundo rude e brutal

e a Deus que não nos salvou.”

Anna Akhmátova

foi uma das mais importantes poetisas acmeístas russas


Imagem: Salvador Dali


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