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“VACINAS SEM PARTIDO” e "Eleições? Que animação..." Bug Sociedade


“VACINAS SEM PARTIDO” Bug Sociedade

As campanhas eleitorais começaram e com elas aquelas caras de políticos super conhecidas e que falam a favor de jogar, de jogar a vida fora com jogo ou de indicar influenciadores que vendem a aposta como se ela fosse a melhor coisa do mundo. Outro dia eu estava no mercado e o menino que arruma os legumes estava arrasado porque apostou R$500,00 na vitória do seu time e acabou perdendo o dinheiro da comida. Não sabia o que ia justificar pra sua esposa.

Quantas mulheres apanham porque homens não querem se ver enquanto viciados e bebem para esquecer da desgraça que estão causando em casa? Como é possível que os políticos aceitem o patrocínio de jogos e álcool para as nossas festas populares? Que o carnaval e festa de orixá sejam patrocinados por cerveja, que os times de futebol, estádios de futebol sejam patrocinados por BETs? Que não haja um único comentário, uma campanha que fale sobre o mal que faz o álcool associado ao jogo? Que associe esses dois vícios ao espancamento, morte, violência contra o gênero feminino? Contra o suicídio de quem vê que levou sua família e sua vida à destruição completa?

Ah, sim: eu sou aquele espírito de porco que não bebe, nem joga. Não, não tenho nenhum motivo: apenas não gosto do gosto da bebida e tenho por norma não apostar nem feijão em nenhum jogo. Não, não sou crente. Não, não estou doente. Apenas sou assim.

Também já estou ficando exausta de ver a antítese do conhecimento que vive passando pelas frestas da porta: ninguém comenta que deveriam existir barreiras contra a “busca de inimigos invisíveis” feita pelos políticos – e se você discorda, então é “comunista”! – seja lá o que isto queira dizer, porque pouca gente sabe o que é um comunista, um país comunista, os princípios comunistas. O que nos leva às vacinas.

A cobertura vacinal é coletiva, mesmo quando pede que cada pessoa vá com suas perninhas – individualmente – em busca da vacina. O motivo que pouca gente pensa ou ensina é que se uma boa parte das pessoas estiver vacinada, o vírus não tem espaço de propagação. É assim que uma ação individual cuida e salva o coletivo. Na busca por inimigos, os políticos inventaram que havia um chip na dose de vacina. Se as pessoas pensassem, veriam que quando a enfermeira puxa o líquido do vidrinho, é impossível achar, catar e pescar um chip pra cada um de nós lá de dentro, né? Se quando cai uma casquinha de ovo dentro da frigideira com azeite, é dificílimo “pescá-la de volta”, como a enfermeira, sem ver nada porque o chip é microscópico, ia conseguir sugar um chip pra cada um, com a seringa? Mas o povo acredita e repete isso.

A minha vizinha diz: “Você ainda toma vacina”? E quando se responde: Claro! Pois se é isso ou morrer! - Faz aquela cara “borocochô”, querendo apontar a nossa “cafonice” ... Espantoso agora lançarem que vacina dá infarte – depois de terem dito tantas coisas dela: antes ela já tinha dado AIDS, já tinha transformado gente em jacaré – e tudo isso parecia crível.

Por que fazer as pessoas acreditarem nessas coisas tão perigosas cegamente, querendo enganar, iludir, pode ser a inescrupulosa moeda de troca das campanhas eleitorais? Nada de verdades! Quem escolhe mentir, vai fundo! Nada de vida real! É bem mais fácil dizer que quem joga sempre ganha – e quem joga, nunca pensa que quem tem cassino também quer lucro, igual ao dono do mercado, do botequim, do posto de gasolina – ninguém se pergunta por que, justamente o dono do cassino nos daria dinheiro de graça? Assim, de presente? Jogue e ganhe! Quem faz isso?

No Brasil, a vacina é de graça – e ainda assim apareceram os mentirosos falando que as vacinas fazem mal, que matam, apareceu ex-deputado que foi ao cartório americano responsabilizar o seu desejo de não vacinar seus filhos! Mas a verdade é que todo mundo sabe que a gente nem sai do Brasil e viaja pra Amazonia, sem acertar nossa carteira de vacinas.  Que dirá indo pra outro País!

Mas quem acredita que a Terra vai mudar de eixo, que os ETs vão ver o celular aceso na cabeça de um grupo e ver naquilo uma mensagem, um SOS; quem pensa que a salvação do Brasil virá de um político americano que vive de ameaçar os covardes e traidores; exatamente este grupo de pessoas vai acreditar que ”agora”, essa nova versão do discurso antivacina vai contagiar a vacina contra o sarampo – que à propósito é um dos vírus que mais se propaga. Ninguém mostra nenhum enfartado por vacina, mas lá está a maledicência para o inimigo da vez.

E tenho que ouvir: “você ainda toma vacina”, como se ela estivesse fora de moda!

Como se diz na Bahia: “inclua-me fora dessa”!

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

"Eleições? Que animação..." Bug Sociedade

A campanha eleitoral começou. Que resultados teremos? Não faço a mínima ideia. 13 anos a viver em Salvador e em tão pouco tempo, já assisti a muita surpresa, a muita reviravolta, a acusações de ambos os lados, a surgirem pessoas do mais estranho que podemos imaginar - e também tem aquelas que nem nos piores sonhos existem. Cada um diz o que quer e essa é a verdade, depois vem outro e diz algo contrário e essa passa a ser a verdade. Para uma estrangeira, é assustador. Você não sabe em quem confia, não sabe em quem acredita, não sabe onde pisa, não sabe se a palavra vai ser cumprida. Porque também aprendi uma coisa estranha aqui na Bahia - existe sempre um sorriso, principalmente quando te querem dizer que não. Não existe a frontalidade de te dizer o que pensam, de te dizer que algo não vai acontecer. Te deixam a marinar. Como todos já sabem que esse marinar significa "não", restam os estrangeiros que ainda não sabem e ficam a marinar, por vezes, anos a fio. Então com o mesmo sorriso que eu aprendi ser algo bom e que vai desenvolver, aqui as expressões: "vamos conseguir", "tamo junto", "apareçam", "vamos marcar", "vamos fechar o negócio", "gostei do projeto", "me dê alguns dias que a gente marca", significam que não vai acontecer nada. Nada. Como se diz aqui, "vão se sentar em cima". É esquisito e te deixa sem saber o que quer dizer o que dizem. Entendem? Sim, uma consulta médica, marcada naquele dia e naquele  horário, acontece. Mas tudo o que pode iniciar - um projeto, um convite para um trabalho, pode acontecer ou não. E o mais habitual é não acontecer. Você espera, ou você prepara os documentos que pediram, ou você prepara tudo o que pediram e o que podem ainda ter vontade de pedir - e espera, espera, espera. Por vezes anos. Por vezes, se você insiste, vem o silêncio, ou o adiamento sem fim, ou vem algo como "infelizmente neste momento não existe verba", ou vem o "infelizmente já não vai acontecer" ou "trocamos de matéria", enfim, você ouve todo o tipo de justificação. E aí você me diz: "mas isso é feito pelos que estão do lado que você não gosta" e eu te digo que isto vem dos dois lados. Porque existe algo que ainda é comum a todos, o fator que quem não nasceu em Salvador não consegue combater - a escolha não é só pela competência, vamos deixar assim. O problema é que isto não existe só aqui na Bahia, nem só aqui no Brasil. Esta forma está espalhada pelo mundo inteiro e cada vez é mais determinante. E é assustador porque antigamente, quem não tinha "essa segunda competência", lutava com todas as forças com seu trabalho e talento e lá encontrava uma brecha, mas essas brechas estão escasseando. A caminhar para a extinção. E as pessoas estão aprendendo e investindo muito mais nessa "capacidade", se é ela afinal quem decide os que vão ou não ter direito, os que vão ou não ser escolhidos, os que vão ou não ter apoio. Isto me causa calafrios, inquietações, preocupações e a sensação horrorosa de assistir a tremendas injustiças. É que dói assistir e sofrer esse tipo de situação.

Esforço, estudo, trabalho, dedicação, empenho, repetição, erro/acerto, disciplina, são ferramentas e habilidades que estão a ficar obsoletas e a ser substituídas por: IA, Fake News, inventar situações bizarras e filmar para ganhar dinheiro nas redes sociais, passar os dias a jogar no computador com os amigos ou sozinho. Não parece mais necessário se esforçar porque pai e mãe já organizaram tudo, já escolheram tudo, já estabeleceram relações de amizade com famílias e pessoas influentes e com o tempo e as oportunidades, vai surgir algo adequado, esperado, satisfatório. E cada um vai fazer pelo outro o mesmo. E tudo parece normal porque você faz parte.

Para quem não faz parte é horrível. Porque você chega cheio de talento, de experiência, de currículo, mas para que serve isso? Alguém se vai sentar em cima, pode esperar.

Então não sei o que esperar destas eleições aqui na Bahia. O mesmo partido se manteve nestes últimos 4 anos, no Estado e na cidade e as coisas pioraram tanto, mas tanto, que isso até se sente no silêncio. Mudar de partido? Mas não existe melhor... Sobre o partido da Prefeitura, é só caminhar pela cidade. Não é andar de carro, nesses carros gigantes que nem olham as pessoas. Falo em caminhar. Caminhe pela cidade e se conseguir não cair, nem mergulhar num buraco, ou ser tragado por uma boca de lobo nas chuvas, nem ser assaltado, pelo menos perceberá que as condições dos hotéis, dos resorts, dos shoppings, das ruas onde moram vereadores, não são as condições do resto da cidade. Porque é isso que somos, o resto, que precisa ter uma parte do dia para fazer reclamações, reclamações, reclamações, sendo bem educada e polida porque as pessoas ficam muito irritadas quando lhes pedimos para fazer o que deviam fazer sem ser preciso pedir.

É isso gente, uma enorme "animação" para estas próximas eleições. Na verdade, rezo diariamente para não ficarmos pior, pior e pior, de novo e de novo.

Ana Santos, professora, jornalista

 


Imagem: Van Gogh


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