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“VACINA-SE CONTRA HIPOCRISIA” Bug Sociedade


Fotografia de Berenice Abbott - 1935

“VACINA-SE CONTRA HIPOCRISIA” Bug Sociedade

Hoje mesmo, diante da possibilidade de que São Paulo “perdoe” aos multados por não utilizarem as máscaras no momento crucial da COVID, ainda ouvi pessoas que insistem em dizer que respeitar regras sanitárias básicas é optativo. Isso é permitir matar, é inconcebível. No nosso caso, foram tantas mortes que nenhum governador pode, sob hipótese nenhuma, “colegagem” nenhuma, ideologia nenhuma justificar a vergonha de retirar o único grito social que havia naquela época. Diante do caos, das inúmeras incompetências sucessivas, o ex governador de São Paulo tinha coragem de encarar o pomo da discórdia. Pelo menos, havia a multa. Se o atual governador de São Paulo já esqueceu tudo ou não perdeu ninguém importante, já que parece insensível, nós perdemos. É ultrajante ver essa pessoa tentar “ajeitar” as coisas para seus correligionários – inclusive porque quem lhes paga o salário não são eles, somos nós.

Cada vez mais, não consigo ver e fingir que não estou vendo, saber e fingir que não estou sabendo. Chegamos a um ponto no Brasil onde até muamba passa diante dos nossos olhos e as pessoas querem nos convencer que os milhões não são milhões, é apenas uma pessoa carente que precisa de ajuda para pagar suas dívidas... Afinal, o que somos? No quê nos transformaram? A coisa, o fato, está diante de nós. Não é opcional tomar vacina; é colocar em perigo a sua vida e a de todos; é uma temeridade, um desvario. Não punir quem evitou usar máscara dá nojo em quem paga impostos. Vocês querem saber por quê os brasileiros tentam fugir do pagamento deles? Porque eles nos são roubados em sucessivas ações e os políticos sabem disso! Viram 300 bilhões empregados na compra de votos, corrompem classes que deveriam ser conscientes de que deveriam proteger a nós e não se voltarem para o lado de uma gente que se diz nacionalista, mas na verdade não é... nada – pelo menos nada que preste.

Cá estamos nós – de novo e ainda – nos equilibrando entre escândalos, com mãos enormes, bocas enormes, narizes enormes de lobos cruéis que tudo fizeram – e fazem – para mascarar a realidade para os cegos que não querem atentar aos fatos claros, comprovados, fotos, recibos, sombras e lixeiras de celulares.

- É o lobo, é o lobo! – não demonstra o nosso horror. É fácil colocar na boca dos arautos do apocalipse a palavra “comunista” para tudo o que seja discordante de cegueira coletiva. Mas entre direita, esquerda, em cima, embaixo, existe o subterrâneo da mentira, da traição, da corrupção – que tenta passar a muamba sem nenhum sortilégio, debaixo da nossa cara e se fazendo de coitadinha, com direito a média e pão com manteiga – e aquela deglutição... pra piorar ainda mais...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Nozes, pão e vinho branco” Bug Sociedade

Ontem comi nozes com pão. Meu pai e minha mãe me ensinaram que nozes, pão e vinho branco “sabem a casar”. Aprenderam nos tempos de juventude e percebi imediatamente a magia quando provei a primeira vez, junto da sua companhia. Guardei para sempre seus sorrisos e sua felicidade nesse dia. Esse momento, me veio hoje com muita intensidade. Ficou um símbolo, um sabor, uma sensação de felicidade. Comprar nozes no Brasil é um luxo. Em Portugal pedia nozes à minha mãe. Nunca em 47 anos de vida comprei nozes. Tem uma nogueira no quintal da casa e todos os anos minha mãe distribuía com carinho uma quantidade generosa de nozes para cada um. Agora, no Brasil, compro, muito raramente, um minúsculo saco de nozes descascadas. É quase como casar. Experimentem sem ideias pré-concebidas.

Minhas pesquisas de trabalho são muto diversificadas. Sempre foram e agora que meu trabalho é diversificado, mais diversificadas são. Tenho andado pesquisando sobre Bruno Mars e fiquei surpresa ao ouvi-lo dizer numa entrevista que teve muita dificuldade em ser aceite na indústria porque queriam catalogá-lo e ele não se encaixa em nada que existe. Chegou a fazer um contrato com a Motown Records, mas não deu certo por essa razão. Queriam defini-lo de acordo com algo que já existia e não foi possível, nem ele aceitou. Depois de muitos anos e muito esforço, alguém aceitou arriscar e graças a essa confiança e apoio, a humanidade tem tido a sorte de o ouvir e apreciar as músicas incríveis que inventa, cantadas por si ou por outros artistas igualmente famosos – Adele por exemplo. Lembrei muito do Bug Latino nestas pesquisas. É inacreditável como o Bug Latino, útil e essencial na vida das pessoas, é abafado, desconhecido, travado por se recusar a mudar e entrar na categorização “que dá certo”. As pessoas não querem ouvir, entender, nem aceitar o que pode ser benéfico para elas. Elas apenas querem o que já existe, com algumas alterações – tipo trocar arroz seco por arroz de legumes. De cada vez que surge alguém que diz que quer ajudar ou apoiar o Bug, deseja catalogá-lo e dar essa mudada que vai dar certo – o Bug Latino é único, como catalogar e alterar o que é único? Sem falar nas pessoas que surgem achando que o que falta ao Bug, são elas. Acredito que o Bug Latino, um dia terá o espaço devido e poderá ajudar a quantidade de pessoas que foi construído para ajudar. Mas é preocupante que o trabalho honesto caminhe lento e outras formas de “vida”, caminhem voando. Não se entende.

Esta semana que passou foi marcante. Soube que no dia 27 de julho, no Paquistão, na segunda montanha mais alta do mundo – chamada de K2, enquanto Muhammad Hassan se sentia mal, desfalecia e viria a morrer, outras pessoas “com pressa” de atingir o cume passavam por cima dele e seguiam seus “objetivos esportivos”, sem se preocuparem em dar qualquer tipo de ajuda. Chocante demais. As pessoas perderam o norte, o sul, o chão, o pudor, a noção de justiça e de bondade. Na alta montanha, na baixa montanha, na estrada, por todo o lado. Como é possível?

Assisti ao vídeo onde Eduardo Moreira explica, tecnicamente, o que aconteceu com a empresa AMERICANAS e fiquei preocupada. Muito preocupada. Sua explicação é simples e útil e deve ser ouvida por todos, vivam onde viverem.

Descobri um artigo com técnicas ou estratégias simples e acessíveis de psicólogos especialistas lidarem com sua própria ansiedade. Vão me dar jeito de cada vez que assistir a vídeos do ex-Presidente, fazendo suas cenas. Desta vez com ar de pobreza e combalido, bicando um leite com café num copito e amassando na boca – aquilo não é mastigar – um pão com alguma coisa dentro. Com tanta joia, com tantos milhões arrecadados no pix, dizem que com tanta joia, dizem que com tanta rachadinha, aquele ar de passarinho abandonado, de velho desalojado, está ficando cada vez mais difícil de assistir. Um hacker abriu a boca sem pena em plena CPI do Golpe de 8 de janeiro e gente, o que ele falou, estremeceu o universo. Que o universo tenha coragem e provas para, junto com tudo o resto, colocar na prisão quem lá devia estar há muito tempo. Imagina-se bastidores movimentados, estratégias engendradas, favores, etc, etc, etc.

Nozes e pão, vida com sabor. Enfrentar tempestades, escolher bem os amigos para subir as montanhas. Aguentar as contrariedades, buscar sem fim apoio em pessoas que entendam e aceitem o que fazemos de diferente e de bem à humanidade, enquanto se ouve Bruno Mars. Não tolerar mentirosos, aldrabões. Não tolerar. Se não falamos, eles seguem. Se nos intimidamos, eles seguem. Mesmo assim eles seguem. Por isso, precisamos seguir.

Ana Santos, professora, jornalista

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1 comentario


dias.dcs
22 ago 2023

Parabéns, professoras Anas, pelo texto.

O que falta é sensibilidade, repeito pelo outro e ética.

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