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“TSE e Tapa na Cara” Bug Sociedade


“TSE e Tapa na Cara” Bug Sociedade

Claro que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não é apenas o que decide um juiz. Mas às vezes um juiz afeta e arranha diretamente a imagem que temos de uma Instituição que precisa ser da mais total transparência e confiança, como um Tribunal, ainda mais Superior. Tentar impedir uma manifestação de arte e cultura de expressar insatisfação e isso resultar em alguma coisa que não seja insatisfação expressada com mais vigor? Quem cala a cultura é a censura. E nem ela conseguiu, no Brasil. Inclusive, foi o momento onde a MPB foi mais brilhante e criativa – pra driblar a censura e os tapados dos censores. E temos obras primas que provam que Caetano, Gil, Chico, Edu Lobo, Tom, Vandré, Taiguara... foram tantos...


Bem, o excelentíssimo senhor juiz se achou maior do que qualquer pessoa pode ser e tentou calar a raiz do Brasil, a nossa arte e o artista. Cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu, é um dito que no Rio era falado, repetido e propalado a cada vez que alguém ousava nos mandar calar. Cala a boca já morreu... Não à toa a ministra Carmen Lucia e o Lulu, também cariocas e o Felipe Neto, idem, repetem isso com orgulho – cala a boca já morreu – virou até nome de projeto contra a censura. Bem, morreu mesmo. Anita, carioca - sem coincidência - ainda riu na cara do cala boca – 50 mil? É uma bolsa!


Sabe a cena do rei Leão? A gente não resiste e a repete, a cada cala a boca vazio:

- Perigo? Eu rio na cara do perigo! Eu vivo na selva braba! – E o Rio é selva, o Brasil é selva! Mas a justiça, a justiça não tinha que ser selva e sim cega. E nesse governo ela não é cega, olha só pra um lado e protege quando não tem que proteger, agride quem, dentro do seu direito, emite opinião e fecha os olhos pra tudo o que o outro lado faz. É praticamente uma coisa “pitoresca” porque ela persegue quem denuncia e protege a quem deve ser denunciado.


O pessoal mais novo precisa votar pra nos ajudar a acabar com essa pouca ou nenhuma vergonha porque cala a boca já morreu. E aqui ta todo mundo “vivinho da Silva” – outro dito - e doido pra virar mais uma página “de amargar” – mais um dito carioca.


Isso é uma coisa. Outra coisa é você esquecer onde está e dar uma bolacha na cara de um colega de trabalho, no meio da maior cerimônia de premiação da classe artística do mundo – o Oscar.


Que americano é tosco fazendo humor porque faz bullying e não sabe se expressar, ok. Mas todos os anos acontece a mesma coisa. Foi surpresa pra alguém o Cris Rock ser desagradável? Seja qual tenha sido a ofensa, foi aquele humor americano indelicado de sempre e, portanto, ninguém esperava um tabefe daqueles bem no meio da cara dele. O ponto central é que cada ator que sobe naquele palco precisa ser um exemplo. E qual foi mesmo o exemplo? “Machos saem na mão”? O que a nova geração aprende com isso? Quem estava vendo na TV – ao vivo, para o mundo inteiro, sem possibilidade de edição, embora a Academia estivesse apagando loucamente os áudios do que o Will gritou pro Cris – aprendeu que basta ser famoso que todo mundo tem que engolir a “chapada na cara” e pronto? O próprio Will fala que ele protege – porque representa – um monte de pessoas. Muitas mais do que as que ele lembrou e evocou, com certeza. Muitas mais. Tão acostumados a serem protagonistas das questões do mundo pra escorregarem na indelicadeza que virou agressão.


Afinal, um final de semana lotado de exemplos a seguir e a não seguir. Mas exemplos como o dos nossos artistas mostram que muita gente foi torturada e morta aqui nessa república por defenderem que quem “CALA A BOCA JÁ MORREU!” Porque tem coisa pra qual vale pena gritar, que desperta a vontade de gritar. E essa foi uma.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“TSE e Tapa na Cara” Bug Sociedade

Estamos estranhos. Talvez piores. Cada semana, cada final de semana, somos surpreendidos. É incrível como cada surpresa é pior do que a anterior.


Assistir Will Smith dar um violento tapa na cara do humorista Chris Rock, em plena cerimônia dos Óscares, no século 21, depois de uma piada desagradável sobre a falta de cabelo de Jada Pinkett-Smith, sua esposa, chega a deixar a pessoa sem palavras. O humor ácido de Hollywood é bem conhecido por nós, mas parece, de repente, ser uma surpresa para Will Smith, ator que fez humor e assim enriqueceu, por décadas. Jada, sua esposa, sofre de alopecia, uma doença que se agrava com o estresse. Curiosa a forma do marido ajudar a manter um ambiente menos estressante em sua volta. Perante milhões e milhões de pessoas, na volta de uma das cerimônias mais queridas pelo mundo, Will Smith vira o centro das atenções de uma forma muito triste e preocupante por muitas razões. Uma delas, muitos jovens sonham em estar ali um dia, recebendo um Óscar, outros, jovens ou não, consideram a partir de agora que têm o direito de responder de forma animalesca a piadas feias. E se minha mulher tiver uma doença mais grave? Posso ir mais longe? Tapas na cara de mulheres não, e acho muito bem que não, mas nos homens, ok? Desaprendemos as “saídas” mais elegantes? Mais civilizadas? Vamos voltar à época dos “Flintstone”? Já estávamos mal, pioramos mais um pouco.


A responsabilidade que carregava nos ombros, de ser, no filme, o pai das incríveis atletas, não a mereceu. Ficou ofuscado pelo ego, pela vaidade e pela soberba. Como se estraga em segundos o que se constrói em décadas. Belo exemplo, sim senhor. O foco devia estar no emocionante discurso de Troy Kotsur, o primeiro homem surdo a ganhar o Óscar de melhor ator coadjuvante, nas belas músicas a concurso, em ter os 3 gênios do Skate, Surf e Snowboard presentes, etc, etc, etc. Afinal, os Óscares de 2022 ficarão lembrados pelo tapa.


Lollapalooza, 2022. São Paulo. Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. O olhar ainda estranha muito a volta das aglomerações monstruosas. Ainda fica confuso. Ao mesmo tempo é impressionante de ver. Alguns artistas nem parecem cantar, levam seus shows preparados, com tecnologia de ponta, efeitos incríveis e ficam no palco dançando, saltando de microfone na mão. E está tudo certo para os fãs. Eles nem querem saber se ele canta ou se está tudo gravado. Só querem a sua presença e fazer parte desse momento. Lollapalooza é um festival muito particular, o público e os artistas também.


Subestimar o impacto do que esses artistas falam, fazem, pensam, nos seus fãs – e são muitos viu? – é andar muito distraído. É acender uma fogueira que já estava com bastante energia e com sede de justiça. Lollapalooza, 2022, vai ficar na história muito mais pela forma como os artistas se mantiveram interessados em estimular os jovens a se recensear e a votar. Mesmo os estrangeiros como Marina. O mundo sabe muito bem o que se passa no Brasil e tem uma opinião muito bem formada, muito bem estruturada. E não é influenciado por Fake News. Um Presidente de um país do tamanho do Brasil, sentir-se intimidado pelas manifestações de artistas e público de um festival, dá que pensar. O TSE indicar multas e o seu valor para quem descumprir a lei, transformou a situação, na luta entre o gato e o rato. Os artistas que têm dinheiro para pagar os R$ 50 mil com facilidade, até brincam com a situação e os que não têm esse conforto financeiro, fazem o mesmo, de forma “legal”. Suspeito que daqui a uns anos, na escola, nas aulas de história, ainda se vai falar nisto, tanto ou mais como se fala agora.


Ouvir os discursos do Presidente do Brasil atual e atualmente é cada vez mais difícil. Uma boca que tem dificuldade em articular algumas palavras, algumas sílabas num homem com tanto poder, incomoda. O que ele precisa para perceber que algo precisa ser tratado? Tem dinheiro para fazer essa correção. Não é algo assim tão difícil. Basta procurar uma fonoaudióloga. Tanto médico por perto e ainda nenhum o aconselhou para algo tão importante na sua imagem... Enfim, se o aconselham sobre a farofa daquela forma, realmente, está difícil. Coloca um ar pesaroso, de quem trabalha muito, de quem tenta melhorar o mundo mas não o deixam. Que sua luta é pelo bem contra o mal. Com os comportamentos que lhe observamos desde que está na presidência, fica difícil. Se acredita em Deus e de que forma acredita, é pessoal. Nenhum presidente deve misturar suas opiniões, crenças pessoais, com seu cargo. Está nos livros. Corre o risco da população temer que só defenda quem pensa como ele, quem segue a mesma religiosidade e isso é muito incorreto e não deve acontecer.


Esta semana, este final de semana, foi mais um tapa na cara das pessoas que tentam sobreviver. Os políticos vão se ajeitando para as eleições, para os cargos. Até esquecem que estão ali pelo povo. Ser ministro da educação parece ter novas regras. A Ucrânia está sendo destruída com bombas, armamento. Mas alguns países também são destruídos pelos comportamentos, decisões, ações. Onde estão os Zelenski’s desses países?

Ana Santos, professora, jornalista


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