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“The Starling” / “Um Ninho para Dois” (Netflix, 2021)


Melissa McCarthy é muito mais do que uma grande humorista: é uma grande atriz. Tê-la num drama, como UM NINHO PARA DOIS é um presente e uma aula de interpretação porque ela se entrega, recria realidades. Nesse filme, com Chris O'Dowd, eles tocam o nosso coração duramente - já massacrado pelas perdas da Covid - e todos juntos, de maneira diferente, vamos mergulhando nas águas densas e turvas do luto.


Cada personagem, cada realidade – até a nossa, com as perdas da pandemia – vão se moldando à realidade da perda, às perguntas que não têm, nem terão resposta. Por que foram estes a morrer e não outros? Temos responsabilidade direta ou indireta? Não temos nenhuma? Como podemos nos mover ao encontro do perdão a nós mesmos? Tudo no filme é apropriado para o momento e de alguma maneira facilita a passagem – tão difícil e complexa – da dor para o caminho, para o futuro.


Muito apropriado também colocar-se diante de nós que, muitas vezes, o nosso gatilho de reconstrução mora em experiências pouco esperadas – no caso do filme, com um pássaro. Há uma dor, ela fica, mas as pessoas passam de ausentes a presentes, diante dela; de passivas, a ativas, respondendo ao chamado das perguntas ao redor da morte, da culpa, do luto e do deixar ir, do desapego.


Uma trilha sonora perfeita, eclética e uma fotografia libertadora – não sei se a sensação de maior leveza ao final do filme me fez perceber a trilha e a fotografia assim, mas achei o momento perfeito para o filme perfeito, num Brasil onde as pessoas tentam passar por cima do fato de que 800 mortes por dia significam ainda cuidados redobrados e preocupação constante, o que não parece estar acontecendo aqui, na nossa terra com palmeiras onde canta o sabiá.


As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam mais sem uma lágrima. Que ela seja clara e disponível para amadurecermos enquanto pessoas e País, é o que sinceramente espero.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro, TV


A vida parece tão fácil, tão previsível, tão dependente de nós. Quando ela, a vida, nos mostra que coisas acontecem, apenas acontecem, e por vezes coisas muito duras, precisamos entender que não existe culpa nem nada adiantava ter sido feito de diferente forma. Talvez seja das “coisas” mais difíceis, aceitar isso. Entender que a vida é assim. Quando acontece com os outros é fácil. Mas quando acontece com a gente, aí dói muito. Uns continuam a seguir, a tentar seguir. Outros desabam, ou fazem como costumam quando lhes surge alguma dificuldade – se culpam, recuam, bloqueiam, não conseguem olhar em frente.


É um filme lindo, com atores incríveis. Incríveis. Com uma trilha/banda sonora espetacular. A todo o momento uma música ou canção que emociona, que aponta as sensações, estabelece uma espécie de ponto de alerta para o espetador também poder fazer suas reflexões. Amei.


Toca com muita sensibilidade e ironia nas abordagens da psicologia e da psiquiatria para lidar com pessoas que sofrem traumas ou perdas. Gostei que o filme expusesse essa faceta da vida porque muitas vezes parece que quem sofreu e sofre é frágil e os técnicos destas áreas são sempre perfeitos, corajosos e superam os problemas da vida com muita facilidade. E sabemos muito bem que todos somos humanos, todos somos fortes, todos somos frágeis. Quando a dor e a perda chega, ela dói em todos.


Um filme lindo, engraçado, doce, triste, mas muito interessante de ser visto nesta época em que todos perdemos e sofremos.

Ana Santos, professora, jornalista


Sinopse: Depois de uma perda terrível, Lilly entra em uma batalha contra um pássaro territorialista para recuperar o domínio do jardim. Essa luta acaba se transformando em um caminho inesperado para processar o luto.

Diretor: Theodore Melfi

Elenco: Melissa McCarthy, Chris O'Dowd, Kevin Kline.

Link com informações e trailer:

https://www.imdb.com/title/tt5164438/


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