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“TEMOS QUE FALAR SOBRE A MORTE” Bug Sociedade


Fotografia de Lisa Kristine - @lisakristinephotography

“TEMOS QUE FALAR SOBRE A MORTE” Bug Sociedade

Estamos ao redor de inúmeras discussões que a envolvem – a morte. Nos acostumamos a tratar a morte não como parte da vida, mas como algo que só ocasionalmente passa pela vida dos ricos na mocidade, já que o normal é que eles morram de velhos. Talvez por isso, o Brasil tratou a segurança pública com o relaxamento com que age sempre que a coisa envolve o público - nós. Lançou condomínios fechados cada vez mais luxuosos, colocando uma linha, um muro, seguranças, alarmes entre nós e eles. Olhando para hoje, me pergunto a serventia disso, quando no Complexo da Maré existem fuzis que rompem carros blindados e helicópteros no ar, a longas distâncias.

Para os que ainda evocam de boca cheia que “bandido bom é bandido morto”, pergunto-me onde eles irão se esconder daqui pra frente. As barreiras estão cada vez mais frágeis: ou nos incluem a todos, ou todos seremos vítimas da mesma violência. Os bandidos do Rio, agora viajam pela América do Sul. Tudo virou “empresa” da grande holding do tráfico e das milícias.

Destruímos o que há, querendo manter a vida, o planeta, o meio ambiente. Só que as pessoas estão cada vez mais se sentindo sozinhas e algumas não aguentam. Walewska foi uma delas. As culpas perpassam, todos estão ainda muito traumatizados por perceberem que faltaram, que poderia talvez ter havido um pouco mais de presença, de conversa, de convivência, de um espaço maior para o rigor da seleção evoluir para a vida comum. Porque sempre queremos uma vida comum, até que a temos, essa é a verdade.

E assim, temos diante de nós dilemas cada vez maiores. Confundimos nossas opiniões com o dever do Estado - o Estado brasileiro tem o dever de proteger e cuidar todos os seus cidadãos. Os que acreditam num Deus cristão, num Deus muçulmano, budista, espírita, candomblecista, umbandista. Tem que cuidar e proteger também os que não acreditam em Deus nenhum e os que se creem emanações de Deus. Precisa haver tratamento para todos. É muito difícil falar de aborto, se você não foi violentado, se o seu marido não lhe estupra, se você não se vê e à sua vida sem nenhuma saída. Não é uma questão de ser contra ou a favor, mas aceitar que existem coisas que estão acima do que podemos compreender naquele momento. E que por isso, não é o seu palpite que tem peso, mas a necessidade daquela pessoa que precisa desesperadamente de ajuda. Algumas vezes, basta ouvi-la, outras, ampará-la, ainda outras, entender que ela está fazendo o que acha que é preciso. Mesmo que você não seja capaz, mesmo que a sua religião não permita.

Sim, ficamos com esse sentimento de perda horrível, incompreensível porque embora saibamos que vamos todos morrer, criamos essa crença de que não é tão agora e poderemos adiar o momento. Mas é vital entendermos que a vida de todos nós pode mudar num segundo, numa mensagem de texto, numa troca de alianças, num passeio a pé ou de carro. A vida pode mudar em um segundo. E talvez mude pra cada um de nós, pra você - e mesmo que ninguém entendesse, dentro do seu coração você gostaria que as pessoas apenas abrissem um espaço para o que te foi possível fazer naquele momento. Pense nisso, antes de condenar tudo o que não se coaduna com o seu gosto ou a sua vida. Porque ela muda. Às vezes em um segundo.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Que Maré!” Bug Sociedade

Aqui está o assustador mundo real do Complexo da Maré, uma das maiores comunidades do Rio de Janeiro. “Complexo da Maré, para quem não sabe, é um aglomerado de favelas cariocas localizadas no bairro da Maré, criado em 1994, compreende um conjunto de 17 comunidades onde moram cerca de 140 mil pessoas. A região margeia a Baía de Guanabara e está localizada entre importantes vias rodoviárias que cortam a cidade do Rio de Janeiro.” (trecho retirado do google). Uma dessas vias é a única via que dá acesso ao aeroporto do Galeão. O Fantástico divulgou este domingo uma matéria com imagens inéditas da Maré e do controle da piscina e quadra de futebol - públicas - pelos traficantes, criminosos, facções, quadrilhas. Imagens das movimentações, treinamento militar e da ocupação das zonas em volta são assustadoras. Assista aqui. A linha vermelha ou via expressa, junto da Maré é a única via que transporta passageiros para o aeroporto do Galeão, o maior do Rio de Janeiro. É interrompida muito frequentemente por conta dos tiroteios e assaltos aos motoristas e isso tem sido a razão de afastamento de taxistas e pessoas que precisam viajar de avião. Isso tem aumentado a frequência de passageiros no outro Aeroporto - Santos Dumont. Sem falar abertamente no assunto nem resolver este perigo que levou as pessoas a evitar o aeroporto Galeão, as autoridades estão a tentar obrigar a população a viajar por esse aeroporto. Existe um perigo iminente de qualquer pessoa ser morta ao passar nessa via, mas o mercado, o lucro das companhias aéreas, a gestão do mundo “aéreo”, não pensam nisso. Quem já passou nessa “estrada”, de noite ou de dia, sabe do que estou falando.

Nas pesquisas para trabalhos do Bug, encontramos muitas relíquias, ou melhor, muitas pessoas em forma de relíquia. Uma delas foi a Dra. Ana Beatriz Barbosa, quando fizemos o programa sobre sociopatas. Quando vejo matérias como esta do Complexo da Maré; quando vejo que as pessoas vão ser obrigadas, de novo, a passar por essa via para viajar; quando vejo a crescente violência a céu aberto, bem do lado das ruas por onde circulamos na nossa vida, quando vejo muitas outras coisas, penso mais na morte. E lembro de Beatriz falar que o nosso cérebro “esconde a morte” para podermos viver mais livres e leves. Acontece que muitas vezes perdemos a mão e vivemos achando que nunca vamos morrer e que o mundo nada é sem a nossa presença. Então encontrar um equilíbrio é necessário – estamos todos de acordo até aí. Mas também esquecemos que podemos mudar de vida sempre que percebemos que aquele caminho não está bom. Aí já começa a dificuldade. Poucos são capazes de mudar, de abandonar a segurança, o conforto, as certezas. Segurança, conforto e certezas que são ilusões apenas. Quem está à beira da morte mostra arrependimentos: devia ter vivido mais para si em vez de se ter dedicado tanto ao marido, aos filhos, aos alunos, aos outros de uma forma geral; devia ter estado mais tempo com os amigos – a família da vida; devia ter escolhido a profissão que desejava e não a profissão que os pais e a sociedade indicavam como melhor; devia ter sido capaz de mudar aquilo que não gostava na sua vida; devia ter cultivado mais seu espírito, amadurecido mais suas emoções; devia ter comprado menos coisas; devia ter dito mais o que sentia e menos o que devia. Então, enquanto ainda cá estamos, bora aproveitar? E deixe os outros fazer as loucuras e mudanças que sentem vontade. Cada um precisa de dar suas próprias “cabeçadas” e fazer suas próprias buscas.

Hoje pela manhã, ao abrir um vídeo do youtube, abriu antes um anúncio inacreditável. A venda de uma pistola pequena, que dobra e fica parecendo um canivete fechado. Você abre, coloca a peça onde coloca as balas – o tambor - coloca as balas e o disparo é eficiente, dizem. Um preço baixo se comprar agora e no final um site com o nome patriotas. Fiquei sem nem saber o que dizer. Dizem que o algoritmo avalia para quem deve enviar os vídeos. Fiquei tão braba...Desculpe Senhor Algoritmo, mas você se enganou profundamente. Quero essa arma a milhas, esse link patriotas bem longe e se você voltar a aparecer vou te denunciar.

Quantos de nós já viram um mapa do mundo com as proporções reais? Aqui está e se espante. Veja como a Europa é minúscula e a África é gigantesca. Também não sei se já reparou que na maior parte dos mapas do mundo a Europa aparece no meio. Mas se procurar um mapa do mundo na China, por exemplo, é a China está no meio. E bem. Mas se pesquisar um mapa mundo no Brasil ou nos Estados Unidos, é a Europa e a África que estão no meio. E deveria estar a América no centro. Coisas estranhas e muito discutíveis da geopolítica.

Porque temos colorações de pele variadas? Apenas pela adaptação ao clima, nada mais. Não é virtude, nem defeito. É uma forma de proteção que o corpo tem em relação ao sol. Quem o diz é Lilian Thuram e tem total lógica. Por que raio é que a espécie “mais inteligente” do planeta decidiu dividir as pessoas pela cor de pele? E nós continuamos a aceitar?

Lilian Thuram te estimula a estar atenta às violências que te rodeiam e te instiga a falar delas, a expor o que está errado, a lutar pelo que queres. A não esperar que os privilegiados, seja onde for, façam alguma coisa para mudar – porque quereriam mudar o que para eles está “perfeito”? Então mexe-te, olha, fica atenta. Ainda mais se fores mulher, se não fores branco ou branca, se fores LGBTQIAPN+, se fores idosa, se fores estrangeira, se fores pobre, etc, etc, etc. Como diz Thuram, assim como muitas pessoas permitiram e aceitaram as violências da colonização, da escravidão, em outros tempos, atualmente permitimos e aceitamos as mesmas e outras violências. Se fechamos os olhos, se nada dizemos, se nem vemos, se achamos que não temos nada a ver com isso, etc, somos cúmplices. E daqui a centenas de anos, se existirem humanos, falarão dos horrores que permitimos. Falarão da falta de coragem para fazermos o que queremos, para falarmos as verdades. Falarão do lixo que criamos, dos vícios de consumo e outros que adquirimos, da capacidade para perder tempo e oportunidades, da lentidão do nosso crescimento espiritual. Se perguntarão porque éramos como éramos se sabíamos que íamos morrer? Se sabíamos que o que fazíamos estava errado?

Dra. Ana Beatriz Barbosa, Lilian Thuram e tantos outros, SÃO, FAZEM. Em vez de criticar as redes sociais e perder tempo em baboseiras porque não as aproveita para fazer coisas boas para si e para os outros?

Ana Santos, professora, jornalista

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