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“Reiniciar” Bug Sociedade


Ctrl Alt Del. Seria perfeito apenas podermos apertar três teclinhas e reiniciarmos um ano tão longo que já acabou e não acaba. Não quer acabar. A Covid era a recordação que queríamos ter de 2020, mas pulou pra 2021. Não quer ir embora, agarrada na irresponsabilidade de “brasileiros e brasileiras”, “minha gente” ou qualquer forma que os presidentes péssimos que já tivemos escolheram para nos chamar em seus discursos sem luz. Os “brasileiros e brasileiras”, a “minha gente” nem quis saber se a mãe vai ou não morrer na próxima quinzena, se a vizinha vai sobreviver – bebeu todas, foi à todas as festas, sem máscara, sem cuidado, sem generosidade. Vamos então odiar o Brasil – não. Parece que deu um tilt geral, no mundo – ou essa geração que educamos é cheia, cheia, cheia de jovens tiranos, que pouco se importam quem vai morrer se é pra perder a festa, a ficante, a night.


Ctrl Alt Del. Seria perfeito apenas apertar três teclinhas e reiniciarmos num ano novo em folha. Mas as duzentas mil famílias sem aquele parente especial, ou os pais dos que caíram pelas balas perdidas, violência, bombas, guerras... O ano onde vimos os presidentes rirem de uma doença mortal diante de milhares de corpos, onde vimos um apelo para que senadores desfizessem o resultado da vontade de um povo com muito mais dedicação do que aquela que tiveram em pedir que usassem máscaras.


O ano novo entra e tenho medo afinal de apertar o Ctrl Alt Del porque nada de importante vai mudar, se a gente não começar a mudar. O mundo não tem ideologia, mas demandas. O meio ambiente se ressentiu, o lixo, o fogo, a pobreza – tudo isso cresceu. Educação e saúde não incluem discursos, se não incluírem antes serviços – bons serviços. No Brasil, esqueça. O serviço de saúde parece brasileiro – não morre porque resiste a tudo – até ao abandono geral. Somos mestiços rebelados, espremidos num canto da parede, mas reagindo. Rimos de nossas desgraças e desditas, somos sobreviventes e por isso mesmo meio desregrados. Mas nem tanto ao ponto de matar. Nem tanto ao ponto de morrer.


Por isso, nesse Ctrl Alt Del seria perfeito apenas apertar três teclinhas e reiniciar um ano novo em folha, brilhante... eu olho pra nós, busco almas e vejo médicos esgotados, enfermeiras comendo ao lado dos doentes, os vizinhos conversando de longe, mas animadamente, o amor entre quem sabe amar, o trabalho frenético e online, a luz, a conversa, a proximidade mental que se pode ter de quem se ama e respeita. O nosso riso, o talento, a velhice digna, a vacina que vem, a vacina que vem, a vacina que vem... ela tem que vir com este ou qualquer presidente, dirigente, gerente.


Ctrl Alt Del. Reiniciou. Nós somos os mocinhos. Bom Ano Novo!

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


De novo. Mais uma vez. Tentar melhorar em algo.

Viver com calma.

Levantar de manhã sempre com vontade de viver, sempre com tarefas para executar, seja em que idade e circunstâncias.

Nunca deixar de fazer o que se ama e o que se sabe fazer. Nunca, nunca.

Se sentir desorganização interior, comece por organizar o exterior que o rodeia.

Água e legumes, amigos inseparáveis de uma vida.

Conversar com pessoas de gostos e opiniões variadas que fazem esquecer o tempo. Toda a vida.

Mexer e cheirar a terra, abraçar as árvores, falar com as plantas, com as flores.

Apreciar a companhia do vento calmo, conviver amigavelmente com os sons naturais do mundo, com o ar, com o espaço, com o universo, com o tempo.

Sorrir e dar sonoras gargalhadas, diariamente.

Sempre agradecer, mesmo que não pareça ter sentido.

Completar ciclos diários: o ciclo do sono, por exemplo, termina ao fazer a cama.

Ser criativo na transformação dos desperdícios.

Fazer boas ações diariamente.

Sempre que for comprar algo, se pergunte se isso é mesmo essencial à sua vida.

Desejar o bem dos outros. Tudo volta para você.

Quebrar amarras e hábitos tóxicos e desnecessários com o sopro da surpresa. Sabe quando você costuma ir sempre pela mesma rua, anos sem fim? Um dia, um momento, sem dizer a ninguém, vá para o mesmo local mas por outro trajeto. Apenas vire na rua que nunca virou, faça um atalho. Talvez descubra um trajeto com menos trânsito, mais calmo e mais rápido. Mesmo que depois volte à mesma rua, já nada será mais da mesma forma. Aquilo que ficou difícil fazer com a mão direita...faça com a esquerda...quando voltar a fazer com a mão direita, vai ter uma boa surpresa.

Vá deixando o peso da vida sempre que expira.

E mais e mais e mais.

Bom ano, bons momentos, bom agora.


Referências:

Livro “Ikigai - Viva bem até aos cem”

FRANCESC MIRALLES, HÉCTOR GARCÍA


Ana Santos, professora, jornalista

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