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Poesia recorda


Minha vida em Minas, as mudanças do mundo. Minha vida no meu corpo, as mudanças que não páram.


1. Poesia indicada por Bug Latino


“O maior trem do mundo

Puxado por cinco locomotivas a óleo diesel

Engatadas geminadas desembestadas

Leva meu tempo, minha infância, minha vida

Triturada em 163 vagões de minério e destruição

O maior trem do mundo

Transporta a coisa mínima do mundo

Meu coração itabirano”


Carlos Drummond de Andrade


2. Poesia indicada por Maria Lúcia Levert


“O corpo não espera”


“O corpo não espera. Não. Por nós

ou pelo amor. Este pousar de mãos,

tão reticente e que interroga a sós

a tépida secura acetinada,

a que palpita por adivinhada

em solitários movimentos vãos;

este pousar em que não estamos nós,

mas uma sêde, uma memória, tudo

o que sabemos de tocar desnudo

o corpo que não espera; este pousar

que não conhece, nada vê, nem nada

ousa temer no seu temor agudo...


Tem tanta pressa o corpo! E já passou,

quando um de nós ou quando o amor chegou.”


Jorge de Sena

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