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Poesia Pungente


 


"Murmúrios do Sado"


“Pungente e dolorosa és tu, saudade

Dos fugitivos dias que lá vão!…

Doiradas ilusões, risonhas crenças,

Prazeres infantis, aonde estão?…

 

Quem trilha sem espinhos e sem dores

A senda tortuosa desta vida?…

Quem não viu dissipar-se ou extinguir-se

Das suas ilusões a mais querida?…

 

Agora neste marco me recosto

Cansada de chorar e de sofrer!

Daqui vejo o caminho percorrido,

E penso no que tenho inda a vencer.

 

Eu desta vida o fim ansiosa espero,

Qual nauta que suspira por bonança!

Agitado ou tranquilo… nada importa!

Que está longe daqui a minha esp’rança!…”

Mariana Angélica de Andrade

Poetisa portuguesa

1840-1882

 

“Meados de Maio”

“Chuvoso maio!

 

Deste lado oiço gotejar

sobre as pedras.

Som da cidade ...

Do outro via a chuva no ar.

Perpendicular, fina,

Tomava cor,

distinguia-se

contra o fundo das trepadeiras

do jardim.

No chão, quando caía,

abria círculos

nas pocinhas brilhantes,

já formadas?

Há lá coisa mais linda

 

que este bater de água

na outra água?

Um pingo cai

E forma uma rosa...

um movimento circular,

que se espraia.

Vem outro pingo

E nasce outra rosa...

e sempre assim!

 

Os nossos olhos desconsolados,

sem alegria nem tristeza,

tranquilamente

vão vendo formar-se as rosas,

brilhar

e mover-se a água...”

Irene Lisboa

Portugal

1892-1958

Escritora, Professora, Pedagoga


Imagem: O Gaulês Moribundo_AutorDesconhecido


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