Poesia Pungente
- portalbuglatino
- 8 de abr.
- 1 min de leitura

"Murmúrios do Sado"
“Pungente e dolorosa és tu, saudade
Dos fugitivos dias que lá vão!…
Doiradas ilusões, risonhas crenças,
Prazeres infantis, aonde estão?…
Quem trilha sem espinhos e sem dores
A senda tortuosa desta vida?…
Quem não viu dissipar-se ou extinguir-se
Das suas ilusões a mais querida?…
Agora neste marco me recosto
Cansada de chorar e de sofrer!
Daqui vejo o caminho percorrido,
E penso no que tenho inda a vencer.
Eu desta vida o fim ansiosa espero,
Qual nauta que suspira por bonança!
Agitado ou tranquilo… nada importa!
Que está longe daqui a minha esp’rança!…”
Mariana Angélica de Andrade
Poetisa portuguesa
1840-1882
“Meados de Maio”
“Chuvoso maio!
Deste lado oiço gotejar
sobre as pedras.
Som da cidade ...
Do outro via a chuva no ar.
Perpendicular, fina,
Tomava cor,
distinguia-se
contra o fundo das trepadeiras
do jardim.
No chão, quando caía,
abria círculos
nas pocinhas brilhantes,
já formadas?
Há lá coisa mais linda
que este bater de água
na outra água?
Um pingo cai
E forma uma rosa...
um movimento circular,
que se espraia.
Vem outro pingo
E nasce outra rosa...
e sempre assim!
Os nossos olhos desconsolados,
sem alegria nem tristeza,
tranquilamente
vão vendo formar-se as rosas,
brilhar
e mover-se a água...”
Irene Lisboa
Portugal
1892-1958
Escritora, Professora, Pedagoga
Imagem: O Gaulês Moribundo_AutorDesconhecido
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