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Poesia passado, Poesia futuro


Fotografia de Ana Ribeiro

Voltar ao que fomos e onde fomos é doloroso, até quando é escrito.

Nunca saberemos quem somos, quem são os outros, nem como nos entenderemos...?!?!

A poesia também é essa busca, esse confronto.


1. Poesia indicada por Bug Latino


“Soneto Visita à Casa Paterna”


“Como a ave que volta ao ninho antigo,

Depois de um longo e tenebroso inverno,

Eu quis também rever o lar paterno,

O meu primeiro e virginal abrigo:


Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,

O fantasma talvez do amor materno,

Tomou-me as mãos,—olhou-me, grave e terno,

E, passo a passo, caminhou comigo.


Era esta a sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)

Em que da luz noturna à claridade,

Minhas irmãs e minha mãe... O pranto


Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?

Uma ilusão gemia em cada canto,

Chorava em cada canto uma saudade.”


Guimarães Junior


2. Poesia indicada por Maria Lúcia Levert


“É tudo pueril

É tudo supérfluo

Não conseguimos abrir

As nossas cabeças aos outros


As nossas emoções

Os nossos medos

A solidão a pesar sobre os ombros

A angústia, o mal-estar a transtornar-nos o dia

É como um anel demasiado apertado no dedo

Que só talvez se aparte de nós

Quando a vida também o fizer


Provavelmente nada é partilhável

Talvez, sejamos todos

Tão diferentes de tão iguais

Tão isolados e tão estupidamente próximos

Náufragos de ilusões

Na nossa grande pequenez

De querermos ser alguma coisa com sentido

E ficarmos sempre aquém da meta

Ou pior, remetidos a uma imbecilidade satisfeita

De quem não se vê e se imagina grande

A encher os olhos dos outros com uma admiração

Que só existe na sua cegueira covarde


Se houvesse algo que pudéssemos partilhar

Nos ecos dos dias

Deixaríamos de ser estranhos

Empacotados em embalagens semelhantes

Nas prateleiras dispersas da mesma época"


Ana Wiesenberger

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