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Poesia dos Lutos

16 de ago. de 2023
1 min de leitura

Fotografia de Annie Griffiths

Lutos pessoais ou sociais,

Fugazes ou duradouros

Por vezes somos apenas nós que nos valemos

Ou poucos os que nos amam

Mas o pouco chega sempre

O quase nada chega sempre

Quando é verdadeiro


“Eu”

“Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do sonho, e desta sorte

Sou a crucificada... a dolorida...


Sombra de névoa ténue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida! ...


Sou aquela que passa a ninguém vê...

Sou a que chamam triste sem o ser...

Sou a que chora sem saber porquê...


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver

E que nunca na vida me encontrou!”

Florbela Espanca


“Para os mortos”

“Eu sonhei que te ligava pelo telefone

para dizer: Seja mais gentil com você mesma

mas você estava doente e não atendia


Meu amor desperdiçado continua dessa forma

tentando te salvar de você mesma


Eu sempre me perguntei sobre o resto

de energia, a água descendo pela colina

muito depois de terminada a chuva


ou o fogo que você não quer levar para cama

mas que não pode deixar, queimando mas não queimada

o carvão vermelho mais extremo, mais curioso

no seu acender e morrer

quando você deseja que eles estivessem

ali mesmo muito depois da meia noite”

Adrienne Rich

 
 
 

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