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Poesia de Mim


The Angel bronze, 2017, de Benjamin Victor - Foto Christine Dannenberger

"AQUELE RUMOR DE CANTIGAS E RISOS..."


“Aquele Rumor de cantigas e risos,

ir, vir, conversar;

aquele falar de coisas que passaram

e outras que passarão;

aquela, enfim, vitalidade inquieta

juvenil, tanto mal

me fez, que lhes disse:

"Vão e não voltem mais".

 

Um a um desfilaram silenciosos

por aqui e por lá,

como as contas rompidas de um rosário

se espalham pelo chão:

e o rumor dos seus passos que partiam

até mim com tal som veio ressoar,

que não mais tristemente

talvez ressoará

no fundo dos sepulcros

o último adeus que um vivo aos mortos dá.

 

E ao fim me encontrei só, mas tão sozinha,

que ouço da mosca o inquieto revoar,

do ratinho o roer terço e constante,

e do fogo o "tchis-tchas'',

quando da verde rama

o fresco sumo devorando vai,

parece que me falam, que os entendo,

e são meus companheiros;

e este meu coração lhes diz tremendo:

Não vão embora não!"

 

Que doce, mas que triste,

também é a solidão!”

Rosalía de Castro

(1837-1885)

escritora e poetisa espanhola. Considerada como a fundadora da literatura galega moderna

 



"AONDE IREI COMIGO? ONDE ME ESCONDEREI?"

 

“Aonde irei comigo? Onde me esconderei,

que já ninguém me veja e eu não veja ninguém?

 

A luz do dia assombra-me, pasma-me a das estrelas,

e os olhares dos homens na alma me penetram.

 

Pois o que guardo dentro em mim penso que ao rosto

me sai, como do mar ao fim um corpo morto

 

Houvesse, e que saísse!...; mas não, te levo dentro,

fantasma pavoroso dos meus remordimentos!

Rosalía de Castro

(1837-1885)

escritora e poetisa espanhola. Considerada como a fundadora da literatura galega moderna

 

 

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