Poesia Ativista
- portalbuglatino
- 25 de fev.
- 2 min de leitura

“SE ALGO PODE SER ADICIONADO”
“Se algo pode ser adicionado acerca da poesia e sua função pacificadora, se fosse possível dizer algo, alguma insignificância, como se para confrontar a própria escrita com seus próprios restos e mergulhar nesse mecanismo interno da existência, escavar a tradição e nas distintas expressões. E dessa maneira ir sem presunções ou ideias concretas, apenas ir – como se fosse – em direção ao fogo.
É a partir desse aspecto indeterminado, contundente e inflamável da poesia, de onde me interessaria abordar alguns pontos, no que diz respeito ao seu ofício, talvez pacificador e, por vezes, contraditório.
Nas ruas, a luta pelo humano desafia os constantes atropelos do poder, se faz através da palavra, da pintura, da música e de outras formas de poesia.
Todas as vozes estão lá fora. Eficazes ou não. Jamais seremos capazes de compreender plenamente a real influência dessas manifestações espontâneas e inequívocas do instinto coletivo, que emanam – talvez – desse resíduo ardente de que somos feitos.
Há algo enorme e secreto no que desconhecemos. O mundo da poesia sempre deixou sua marca fumegante no semblante das pessoas e o fez – infinitamente –, desde a clandestinidade de sua condição de fogo invisível.”
Shirley Villalba
Paraguai
“É A HORA”
“É a hora em que o céu fica rosa e as nuvens formam ondas (no céu). É a última tarde do ano. As cigarras anunciam algo: a chegada de janeiro. Seu canto inunda a tarde que se transforma em noite. Somente quando se calam é que ela percebe aquele canto ininterrupto. É a última tarde do ano, há uma calmaria forte, há cigarras. Há um céu rosa, há cigarras. Algo se anuncia e ela, estirada na cama, com os olhos quase fechados, vê o que se aproxima com a calma de centenas de dromedários num deserto tranquilo.”
Lía Colombino
Paraguay
Imagem: Lisipo
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