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“Pessoas farol” Bug Sociedade


Eles andam por aí, pelo mundo. Iluminam tudo. Assumem suas diferenças com clareza e sobretudo – com delicadeza. Cada vez com menos frequência nosso caminho de vida se cruza com o deles por uma série de razões – sobretudo porque são raros – cada vez mais raros - e estão espalhados pelo mundo. Não dão em cachos, matilhas ou cardumes. São conjuntos unitários, caminhantes, mas para os que ainda veem algo na escuridão, são faróis-guia.


Num mundo cheio de “você sabe com quem está falando”, eles não usam joias, nem brilhantes, se “camuflam” na simplicidade que adotaram, sorriem sorrisos doces e falam de um mundo onde ainda se ouve o que as pessoas têm a contar sobre si mesmas, para assim tocarem o espírito humano. E hoje, desde às 6 da manhã estivemos ao redor de uma pessoa da qual se pode falar “exemplo e exemplar” sem medo de errar – não há muitas no poder, no Brasil, por exemplo.


Por acaso é escritor, mas poderia ser qualquer coisa porque manteria seu espírito humano intocado, o que nos aponta meios de preservar o nosso. Seu trabalho é sonhar histórias e com elas dar voz aos invisíveis. Quando olhamos por cima de nossos ombros anestesiados vemos seus protagonistas, seu assunto e seu motivo. Passamos pelo mundo pulando por cima do holocausto, escravidão, pobreza, refugiados, injustiças, perdedores. Olhamos de “rabo do olho”; evitamos. Ele não. Ele olha fixamente, procura detalhes, descreve-os. Não perde mais tempo reclamando, mas objetivamente procura a sua parte. E fala delas.


Não se acham facilmente faróis assim. Daqueles com as luzes no brilho dos olhos. Daquele que espera contando os segundos para falar também. Daquele que guardou a criança dentro do peito.


Há um tipo de diferente, que é assim. Um tipo de ser – tipo humano. São muito raros, mas acalentam novos sonhos dentro de todos, esbanjam-nos, inclusive. Somos melhores ao tê-los por perto e a vida com eles cresce – pra dizer o mínimo.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


O mundo parece tão cheio de desencontros, de relações pouco produtivas e pouco saudáveis. Falta de pessoas iluminadas, contagiantes – “pessoas farol”. Pessoas que parecem ir à frente na vida a iluminar o que para nós ainda é desconhecido, assustador, impensável, difícil, misterioso. Ou mesmo aquilo que sabemos ser possível mas que ainda não “pisamos”. E a gente olha para os olhos delas, olhos vivos e inteiros, acompanhados de sorriso aberto e acredita que existe mais do que coisas assustadoras, lá na frente. E se anima mais um pouco e vai de novo “partir pedra” para continuar a abrir espaços, oportunidades, construir os sonhos. Eles são a prova real de que o que queremos ou sonhamos existirá, se o fizermos. Se nunca desistirmos.


No caminho do Bug, temos encontrado muitas pessoas encantadoras, iluminadas, diferenciadas. Sempre que as contatamos, seus braços estão sempre abertos para nos dar colo, para colaborar, para contribuir. Um encanto e uma paz. E sempre que encontramos mais uma, é um dia muito especial. Como o dia em que escrevo este texto. O dia já vai longo mas a sensação permanece: de espanto pelo belo que a vida às vezes nos proporciona. De felicidade pelo que pude aprender, trocar, viver. A vida vivida em pleno, as palavras trocadas que constroem caminhos, a “descomplicação” de problemas, de pré-conceitos. Alguém que vai mais à frente no caminho e que te demonstra que o que pensas do futuro, tem lógica, tem sentido. Que podes seguir, mesmo com os risos, as críticas, os “não”.


Porque existem dias onde o nevoeiro é denso, não podemos nunca esquecer que, por vezes, o sol nasce na nossa frente e tudo parece de novo possível.

Ana Santos, professora, jornalista

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