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“PERÍODO DE CHUVAS, CLIMA EXTREMO E MEDO” e “Humanoides” Bug Sociedade


“PERÍODO DE CHUVAS, CLIMA EXTREMO E MEDO” Bug Sociedade

Mesmo morando numa cidade abençoada, onde a temperatura pouco varia o ano inteiro, a cada ano que passa sinto mais medo da época de chuvas. Não sinto Salvador pronta pra enfrentar rigorosamente nada acima da média, ainda mais porque a cidade está cada vez mais impermeável. Todas as invenções acerca de pavimentação usando asfalto poroso não chegaram aqui, as ruas recebem muros, as pessoas têm dificuldades para caminhar, para atravessarem a rua e, coisas simples, se transformam em transtornos, exatamente porque não se vê quem tem o olhar voltado para o que acontece.

Já tivemos – e antes mesmo do período chegar – grandes chuvas, até agora. Antigamente não se via tantos trovões e raios, havia a Mata Atlântica visível, na Avenida Paralela – tudo isso acabou. A cada novo prefeito, mais devastação. O IPTU – pelo menos onde eu moro – não devolve o valor pago com coisas básicas, como bueiros desentupidos ou mesmo calçadas – o que é totalmente incompreensível, diante do fato de que, indiscutivelmente, em qualquer plano de desenvolvimento urbano, o pedestre é prioridade no mundo inteiro. No mundo inteiro, menos aqui.

Portanto, mais uma vez, agora já no início da nossa temporada de chuvas, o Bug Sociedade volta a repisar o básico do básico, com aquilo que a Prefeitura de Salvador não levou para a Amazonia, na Conferência do clima: a cidade precisa urgente de escoamento. Não adianta fazer as galerias de esgoto e depois enchê-las de terra, cobri-las com uma capa de asfalto ou deixar nascer grama no vão das grades de escoamento porque, como a cidade é inteira enladeirada, se não há escoamento, as ruas que ficam nas partes baixas alagam. Seja no subúrbio ou nas zonas urbanas, com IPTU alto ou baixo, a água da chuva precisa ir para algum lugar que não seja a casa do vizinho.

O meio-fio da rua precisa ser um pouco alto para guiar a água da chuva, para que ela não invada as calçadas e crie problemas para o pedestre. O que ocorre, na prática, é que a cada recapeamento, como o asfalto antigo é recoberto do novo sem nenhuma raspagem, calçada e rua acabam ficando com a mesma altura – um contrassenso total que chama acidentes.

Não temos a quem solicitar medidas, quando o problema afeta uma propriedade privada. Isso é gravíssimo. As calçadas são privadas, tanto quanto as árvores dentro de prédios e condomínios, fossas, controle de pragas, latas de lixo. Se a Prefeitura não observa, não chama a atenção, se retira do problema, o que fazer? A quem procurar? Eternamente vamos ter que recair no Ministério Público, quando se poderia apenas fazer uma queixa, pedir uma inspeção, reclamar de maneira simples?

E o lixo? E o lixo agravado pela chuva? E os bueiros recebendo dejetos, ao invés de água? Por que ainda não separamos o lixo dos catadores, pelo menos? Por que temos que conviver com tantos ratos que, na época das chuvas, são obrigados a sair dos poucos bueiros abertos, por causa do nível da água? Vejam, não é nada fora do comum, ao contrário: é o mínimo. Andar por uma calçada - molhada, apenas – seria pedir demais? Sem enchente, sem lixo, sem lama, sem bueiro jogando água pra fora?

Se isso não acontece, acontece o medo – essa sensação horrorosa que faz com que não sobrem muitas pessoas se deslocando, na hora que cai um temporal.

Eu tenho um programa no Bug Latino que se chama “O Dono da Cidade”. O que o prefeito faria se ele fosse o dono? Tornaria tudo impermeável, como tem feito? Venderia todas as áreas verdes? Nos assistiria sucumbindo na água da chuva, do alto dos camarotes de carnaval? A dor dos soteropolitanos é muito mais que visível. Fora o medo, temos um rio de mágoa pra chorar. E não é o prefeito quem deve aparecer para nos consolar, tenho certeza.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Humanoides” Bug Sociedade

Estudei em Espanha por um período da minha vida e nessa época, conheci duas professoras, psicólogas, espanholas, sensacionais. Uma psicóloga clínica, especialista em ansiedade, que me ensinou muito sobre ansiedade no esporte. Um ano muito difícil que trouxe muita informação e luz para os meus caminhos.  Sua visão da ansiedade é absolutamente sensacional e útil a todos. Por isso ela é uma das mais conceituadas psicólogas clínicas de Espanha – não é pouca coisa. E outra, psicóloga clínica, especialista em psicologia da saúde, que me ensinou muito sobre a ideia que as pessoas têm da saúde na sua vida, seus comportamentos, pensamentos. Suas falas eram tão disruptivas, que demorei a entender, mas quando entendi, voei. Estas senhoras, estas mulheres, mudaram a minha forma de pensar, tanto no trabalho, como na vida pessoal. A elas devo muito e com elas caminho nesta luta tão difícil em direção à simplicidade e à busca da saúde e bem estar para todos, seja em que ambiente, área, ou nível de sucesso, estejamos.

Quem trabalha com alto rendimento, alta performance, sucesso mundial, produção interplanetária, habitua-se à ideia que vale tudo, que os profissionais têm de se dedicar totalmente ao trabalho, que só isso interessa e que ali não é mundo para preocupações de saúde. Ali só pensam em rendimento, sem perceberem que sem bem estar não existe rendimento, muito menos rendimento máximo. Exige-se tudo das pessoas, em nosso benefício, e é subentendido que é assim mesmo, que quem não quiser viver isso deve fazer outra coisa, ir para outro lugar. Isto é assim, atualmente, quase em todos os lugares – esporte, empresas, mercado, financeiro, serviços, lazer, saúde – e o número de pessoas que deprime, que aumenta sua agressividade, que se entope com medicamentos, só aumenta. Percebemos que essa postura de exploração de outros seres humanos, não está bem, não é correta, nem justa, mas dizemos que, por interesses econômicos, precisamos seguir.

Estamos destruindo o interior das pessoas. Estamos adoecendo a população mundial, por isso, estamos adoecendo o planeta. Continuamos. Seguimos cegos na busca dos lucros. Esticamos todas as cordas emocionais, como forma de testar e encontrar os melhores, sem nos darmos conta que estamos “estourando” com gênios pensando que são “máquinas”. E mesmo as máquinas não se podem aquecer muito, nem ficar eternamente ligadas, precisam de cuidados, de manutenção, de ambientes com boas temperaturas.

Nos anos 70, aconteceu a 2ª revolução da saúde, que nos fez mudar de direção – estávamos numa direção muito errada. Passamos a ter cuidados com a promoção da saúde e com o estilo de vida.

Agora, anos 20, do século XXI, precisamos de uma 3ª revolução da saúde. Pelo menos com preocupações como a empatia e o entusiasmo. Nem as nossas plantas tratamos tão mal. Nem nossos cachorros, nem nossos gatos.   

A quantidade de alimento venenoso e de medicamento que as pessoas ingerem, é inacreditável. As farmácias viraram mercados.  Tem algo errado. Por mais medicamento que tomemos, se continuamos a tratar mal as pessoas, a invejar quem trabalha e ou quem é boa pessoa, se continuamos a ter pensamentos destrutivos quando pensamos se somos capazes, tudo vai piorando. Uma enorme percentagem de pessoas do mundo, não sabe mais resolver seus problemas sozinha – procura de imediato terapeuta, psicólogo, psiquiatra, etc. Problemas, que eram desafios que nos estimulavam a melhorar, se tornaram sustos e ameaças ao nosso ambiente e à nossa vida, e que aceitamos que os outros é que sabem melhor do que nós como devemos viver. Algo está errado. Atualmente, a vida, se espera que seja serena, sem nenhum sobressalto. Mas os sobressaltos é que nos fazem crescer, como vamos fazer então?

Estamos a aprender que sozinhos não somos capazes, que precisamos de terapeuta, psicólogo, psiquiatra, medicamentos, conselheiro, coach, preparador físico, advogado, staff, empregada doméstica, cozinheira, jardineiro, motorista, nutricionista, manicure, etc. Buscamos sempre alguém para resolver nossos problemas. Isso interessa à sociedade que enriquece, isso empobrece quem já pouco tem.

Agora lemos notícias que referem que o ambiente, as relações, os silêncios, no espaço de trabalho, adoecem os profissionais, apesar deles cumprirem os objetivos – mas são os objetivos da empresa e nenhum objetivo de vida do profissional, entendem?

Onde estão as pessoas e os ambientes verdadeiros, sinceros, generosos, empáticos, confiáveis? Desaparecendo.

E as preocupações cegas com o rendimento, o sucesso, a produção? Em todo o lado. Todo o lado. Até nas amizades, nas conversas na espera do ônibus – entre quem conversa.

Vidas sem entusiasmo, empatia, generosidade, bondade e cumplicidade agregadora, adoecerão. Serão infelizes. Gastarão todo o dinheiro milionário em mil especialistas. Sem sucesso.

Lembre disto tudo sempre que pressiona seu filho, sua filha, seu neto, sua neta, seus alunos, seus atletas, seus funcionários. Todos temos de cumprir nossos deveres, mas sem estas emoções e esse ambiente - entusiasmo, empatia, generosidade, bondade e cumplicidade agregadora – seremos pouco rentáveis, pouco úteis, seremos fardos, nos tornaremos inúteis. E os humanoides serão melhores do que nós em tudo. Mantenha dentro de si e das pessoas ao seu redor a constante preocupação de desenvolver sempre o entusiasmo, a empatia, a generosidade, a bondade e a cumplicidade agregadora.

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Picasso


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