Poesia como Arma
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POEMA PARA A PADEIRA QUE ESTAVA A FAZER PÃO
“ENQUANTO SE TRAVAVA A BATALHA DE ALJUBARROTA”
“Está sobre a mesa e repousa
o pão
como uma arma de amor
em repouso
As armas guardam no campo
todo o campo
Já os mortos não aguardam
e repousam
Dentro de casa ela aguarda
abrir o forno
Ela em mão que prepara
o amor
Pelos campos todos armas
não repousam
mais os mortos
ter amor
Sobre a mesa põe as mãos
pôs o pão
Fora de casa o rumor
sem repouso
Ela agora abre o fogo
para o pão
em repouso ela ouve os mortos
lá de fora
Lá de fora entram armas
os homens
As mãos dela não repousam
acolhem
Sobre a mesa pôs o pão
arma de paz
Contra as armas da batalha
arma de mão
Contra a batalha das armas
não repousa
Caem contra a mesa os mortos
contra o forno
Outra paz não defende ela
que a do pão
Defende a paz que é da casa
e das mãos”
FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO
escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora portuguesa (1938-2007)
“INÊS DE MANTO”
“Teceram-lhe o manto
para ser de morta
assim como o pranto
se tece na roca
Assim como o trono
e como o espaldar
foi igual o modo
de a chorar
Só a morte trouxe
todo o veludo
no corte da roupa
no cinto justo
Também com o choro
lhe deram um estrado
um firmal de ouro
o corpo exumado
O vestido dado
como a choravam
era de brocado
não era escarlata
Também de pranto
a vestiram toda
era como um manto
mais fino que roupa”
FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO
escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora portuguesa (1938-2007)
Imagem: Picasso
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