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“PAUTAS ENTUPIDAS” e “A busca na vida” Bug Sociedade


Athos Bulcão - Biblioteca Ministério da Saúde Brasilia Relevo em madeira Arq Oscar Niemeyer 2002 Foto @edgardcesar

“PAUTAS ENTUPIDAS” Bug Sociedade

Planos de Saúde receberam dinheiro por décadas a fio da minha geração e agora querem que o Presidente da Câmara faça uma votação que dê um “jeitinho” na antiga aprovação automática das internações. Claro: na hora de pagar, sem problema. A questão é o receber. Planos de saúde “estão retirando” idosos dos planos e não houve sequer nenhuma menção de protesto na Câmara, nem no Senado. Todos muito ocupados dando seus “jeitinhos” nas votações porque o que interessa é embolsar muito dinheiro paras as eleições desse ano. O povo?

Os senhores deputados e senadores do Rio Grande do Sul, mesmo depois da catástrofe que ocorreu lá, continuam rindo das pautas ambientais. Querem privatizar as praias porque tragédia pouca é bobagem. E é o Rio Grande, com quantos mais estados melhor – que afundem. Os deputados? Muito ocupados fazendo bullying na Luiza Erundina. As reclamações de Erika Hilton? Nem foram respondidas. Os homens, os senhores deputados – na minha época, homem não era um órgão falado e propalado, mas um estado de ser. Era um gênero, muito antes dos gêneros entrarem em discussão. Era a palavra, o fio do bigode, a honra. Então, honestamente não sei o que essas pessoas são. Não têm gênero nenhum, talvez. São “os histriônicos”, “os histéricos grosseiros”, mas daquilo que se herdava do princípio masculino, nada, nada. Só a baixaria interesseira e indelicada mesmo.

Além de escândalo sobra alguma coisa, em Brasília? Pouca. Não sei se de 500 deputados, conseguimos salvar 100. Vão pra lá rezar, amaldiçoar, fazer negociatas, usar peruca, imitar gay, desrespeitar mulheres e idosas, chamar pra briga, ofender, ofender, ofender, dar ataque de pelanca, brigar, bater boca, se auto proclamar “macho” – seja lá o que isso queira dizer. Ah! E inventar todo tipo e sorte de mentiras deslavadas.

Sobre Porto Alegre, alguma preocupação real, uma legislação protetiva, algo assim? Na verdade, eles continuam rezando e derrubando a mata, a praia, a água, a caatinga. Inventaram que isso é ser de direita, coisa de conservador. Mas quer coisa mais conservadora do que respeitar as pessoas? Que respeitar os mais velhos? Quer coisa mais conservadora do que ver uma senhora de 89 anos passando mal e correr pra pegar nela e levar pro hospital?

Não se enganem com a gente. O gênero feminino mudou. Muito. Queremos muito mais do que lágrimas e rezas. Eu amo Erika Hilton, senhores. Ela me representa quando chama todos de ignorantes e tacanhos. Quando cobra trabalho dos senhores. Porque eu reconheço o significado de trabalho quando olho pra ela, pra Duda, pra pastor Henrique porque choram lágrimas reais, por dores reais. São humanos.

Meus olhos secam ao ouvir até o nome de Artur Lira. Meu coração endurece.

São 500 deputados dos quais admiro cada vez menos pessoas. Quem não se dá ao respeito, quem mente, quem não pensa no seu povo – e o povo não é o político coligado, meu senhor – sou eu, é o Nordeste, o Brasil.

Então me respeitem. Sobretudo: Se respeitem!

(A eleição vem aí e os “machos testosterônicos” vão conhecer a arma secreta do voto – ou não voto - em vocês, senhores!).

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“A busca na vida” Bug Sociedade

Um dos 4 maiores torneios de tênis do mundo, Roland Garros, tem como diretora, uma mulher - Amelie Mauresmo. Uma atleta de sucesso – primeira francesa número um na WTA, em 2004. Uma mulher, que em jovem assumiu sua homossexualidade perante o mundo, numa época ainda mais terrível do que a que vivemos. Agora as pessoas fazem de conta que aceitam, mas nessa época não faziam de conta em nada – eram mesmo ferozes. Tudo isso mexeu com seu percurso competitivo, talvez por ter de enfrentar duas “competições” ao mesmo tempo – as competições duras do tênis e o massacre constante dos meios de comunicação. Recentemente foi vítima de assédio pela sua ex-mulher. Venceu judicialmente, com sua ex-mulher sendo condenada a 4 meses de prisão e proibição de contactar ou se aproximar de Amelie por dois anos. Haja coragem para falar das misérias humanas publicamente. A única mulher, até hoje, a treinar um atleta masculino da elite mundial - treinou Andy Murray. Enquanto diretora de Roland Garros, é discreta e franca em todos os momentos – por vezes isso parece torná-la frágil, mas não se enganem. Teve muitas críticas, muitos problemas para resolver, muitas polêmicas para enfrentar. Deve ter havido muita conversa pelas “suas costas”. Mas publicamente e frontalmente nenhum homem teve coragem de a enfrentar. E isso é muito, não é tudo mas é muito. Lá chegaremos, ao tudo.

As finais da NBA estão fervendo. Depois do segundo jogo – será campeão da NBA 2024 o time que vencer 4 jogos – é desesperador assistir às perguntas dos jornalistas. Sempre as mesmas, sempre o mesmo raciocínio, sempre a mesma necessidade de salientar um ou outro jogador. Como falou Joe Mazzulla, treinador dos Boston Celtics, é triste perceber que os meios de comunicação só procuram discórdia, procuram dividir os times, procuram encontrar o MVP (Most Valuable Player/Jogador Mais Valioso) antes do momento, em vez de tratarem o Basquetebol como pode ser – um esporte coletivo onde todos precisam ser “os melhores” no que fazem, onde se vê o resultado do trabalho colaborativo, de entre-ajuda, de fazer o seu e ainda ajudar quem necessita - estes e outros excelentes exemplos para a vida. Fica mais importante a “briga” entre essa decisão – MVP – baseada na pontuação atribuída pelos jornalistas, do que entre quem vai ser o campeão da NBA. Bizarro e triste isso né? Times como o Boston Celtics, por exemplo, mostrando como é o trabalho em conjunto, como é cada um colaborar para um bem maior, como é e deve ser o verdadeiro esporte, e os jornalistas querendo assunto polêmico. Que cansativo! Jayson Tatum, jogador muito mediático dos Boston Celtics, recebe sempre perguntas sobre porque não marcou mais pontos, porque não se salientou no jogo. Mais maduro, apesar do seu ar de menino boneco, relembrou que já esteve numa final há dois anos e perdeu. E afirmou, com sua boquinha de “piu-piu”, que não vai ser pela sua vaidade ou ego em querer ir atrás dessa vontade de marcar mais pontos que vai arriscar perder de novo o que sonha alcançar desde menino. Que pode ser muito mais útil, por vezes, a chamar a atenção, a dar espaço aos colegas, a defender. Tudo tão simples e tão igual na vida. Não sei como é com vocês, mas para mim, finais de tênis e da NBA, me ensinam sobre a vida. Não vence quem começa bem, ou começa mal – não é uma parte do todo que define o resultado, e o resultado também é muito subjetivo. Você tem de saber manter a sua postura e seu equilíbrio quando está a vencer e quando está a perder. Quando parece que tudo está perdido, só parece – tudo depende do que você faz e acredita, quando tudo parece encalacrado. Quando você relaxa achando que está tudo resolvido e ganho, acabou de entregar tudo ao adversário – ou às adversidades da vida. Grandes festejos depois de vitórias significam que você vai sofrer muito quando perder – o nobre atleta sente serenamente a alegria de vencer e respeita  profundamente quem perdeu. São lugares e sentimentos para serem vividos, tanto um como o outro, perder e ganhar, durante toda uma vida de esportista e de ser humano. Todos perderemos e todos ganharemos. Saber estar à altura desses momentos precisa-se, aprende-se e ensina-se. Não cai do céu...

O que cai é o nosso queixo quando assiste à subida da extrema direita na Europa, no mundo, quando a França necessita de eleições porque nas eleições europeias deste domingo a extrema direita venceu, e outros horrores. Muita gente não está “indo aos treinos”, muita gente está competindo e vencendo, sem obedecer às regras. Muita gente está conseguindo vencer, sem se esforçar, muita gente está deixando tudo acontecer, sem fazer nada.

Observar tênis, basquetebol, nos diz muito do ser humano, mas observar os políticos em ação, a discursar, em competição, nos ensina ainda mais. E aí, os cartões vermelhos, as suspensões, expulsões, talvez devessem começar a fazer parte do jogo. Os jornalistas fazendo perguntas sobre qual se acha merecedor do prêmio MVP, seria um espetáculo de horrores de vaidade e ego. É, o esporte pode ensinar muito, talvez os políticos precisem de uns treinos.

Ana Santos, professora, jornalista

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