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“OS HERDEIROS DO CAOS” Bug Sociedade

Atualizado: 12 de ago. de 2023


Catherine Leroy 1944-2008

“OS HERDEIROS DO CAOS” Bug Latino

Quando Dom e Bruno morreram, houve uma ruptura em mim, algo como não mais desistir de falar, por mais que fosse difícil. Não foi consciente, mas foi um basta que eu decidi resguardar em nome do Brasil e o tenho feito. Percebi que havia decidido isso assim no supermercado, quando um senhor começou a gritar que Bolsonaro era um militar graduado e eu, na mesma hora falei que era um dos responsáveis pelas mortes das pessoas com COVID e que eu nunca o iria perdoar. Ele e eu aos gritos. No meio do mercado. Mas eu só calei quando ele calou.

Estou falando isso porque não nos pode ser possível ouvir e calar quando um governador decide que o melhor para as crianças de São Paulo é não terem mais livros físicos para estudarem, quando sabemos – estamos cansados de saber, aliás - do caos e destruição do sistema educacional durante a pandemia de vírus e de políticas públicas nacionais, naquele momento.

Estou falando isso porque não nos pode ser possível ouvir e calar quando um governador decide que o melhor para nós, os eleitores, é ficarmos aterrorizados diante de policiais assassinos, que saem para suas vinganças nas periferias como se estivéssemos acorrentados a esse faroeste, sem possibilidade de educar nossas crianças, de evoluirmos, de usarmos inteligência investigativa e não apenas apertarmos “o gatilho” como animais ignorantes.

Estou falando isso porque é impossível ouvir e calar quando um governador decide que é melhor para o Brasil e para nós todos, os brasileiros, virarmos inimigos uns dos outros, separatistas regionais, quando sabemos que o futuro do Brasil é a preservação do que restou - e que não por acaso está nas regiões que ele acha natural desacatar e descartar. Inclusive porque o próprio estado de Minas tem regiões onde o clima é igual ao nordestino e que tem muito a crescer com a nossa experiência.

Na política há um momento de espólio, onde aparecem “herdeiros” do legado do antecessor. Estamos vendo o aparecimento desses candidatos. Mas queremos mesmo essa disputa entre animais carniceiros? É assim que os vamos deixar aparecer diante de nós? Como, enquanto sociedade, vamos apontar o limite do que queremos ver? Essa violência recalcada não é a nossa e não adianta nada – o modelo carioca está aí para nos mostrar que se adiantasse alguma coisa matar em massa, o Rio seria a derivação do Paraíso – e não é, nem passa perto. Vi, no Instagram, pessoas falando sobre milícias, sem saberem qual é o negócio deles. Os cariocas sabem muito bem. Vi gente falando que nós precisamos nos isolar dos bandidos e das favelas – os primeiros condomínios nasceram no Rio, isso também é um capítulo velho e obscuro da nossa história. Vi muita gente falando contra os maconheiros – e nós todos vimos o percurso medicinal da maconha no mundo e na medicina. Diante de Dom e Bruno, aponto decididamente para limites dados em torno de educação e busca de igualdades para todos – porque nenhum carro blindado resiste aos tiros de metralhadora que o governo passado liberou. Então, ou seremos todos nós, ou nenhum de nós - creiam, caiam na real e exijam postura ética e generosidade de todos esses políticos mequetrefes que orbitam ao nosso redor.

O limite da ação tem que ser a lei e não a carteirada, o tiro, a violência do analfabetismo, a negociata.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Telhados, Prefeitura, Transalvador, Jair Bolsonaro e outras surpresas desagradáveis” Bug Sociedade

Telhado

No início de fevereiro deste ano, contratamos uma empresa que já tinha feito algumas revisões no telhado, para trocar todas as telhas. Muita chuva prevista para este e outros invernos da Bahia, um telhado que no futuro próximo não teria telhas para substituir, uma necessidade que teria de acontecer um dia. Passo comprido, sabíamos. Previsão de duas semanas a três, no máximo. O Carnaval atrapalhou, já era esperado, a doença de um dos principais trabalhadores atrapalhou, não era esperado, mas a coisa foi se fazendo. Telhas por todo o lado - procurar interessados nas velhas porque seria uma pena irem para o lixo - novas, pó, lixo, homens entrando e saindo para ir no banheiro, para pedir água fresca, para pedir para abrir ou fechar o portão de entrada – aqui nada pode ficar aberto, para tomar banho no final do dia. Vigiar, cuidar além de cumprir as tarefas do nosso trabalho. Com uns 6 a 8 homens entrando e saindo, falando e se movimentando, tendo necessidade disto e daquilo a todo o momento, não foi fácil, mas fez-se. Cada vez que chegava o final do dia parecia que tínhamos escalado o Evereste. O problema foi quando a obra “terminou”. Vieram as primeiras chuvas e percebemos que a “obra” não tinha terminado. Ela estava a começar. Brigas, discussões sobre o que ficou molhado na madeira do telhado, ou na telha, ou no chão do sótão ou era apenas uma mancha ou teimosia das donas da casa. Brigas sobre a quantia absurda que se paga para trocar um telhado para prevenir problemas futuros e afinal ganhar problemas novos que os especialistas desconsideram. Quando chovia, desde março de 2023, eu subia ao sótão e era como se mergulhasse num oceano cheio de problemas - sentia imediatamente uma angústia profunda ao ver, ouvir e sentir o telhado a “sangrar”. Espero que nunca tenham visto uma coisa assim. É como se o telhado fosse uma entidade própria e chorasse pedindo-lhe ajuda. A água encharcava as madeiras, pingava por todos os lados, o chão do sótão molhado. É um fenômeno muito doloroso de assistir. Demoramos uns meses a convencer os “especialistas em telhados que fizeram a obra” que algo estava errado. Horas, dias, meses, dezenas de idas ao sotão para marcar, filmar. Quando finalmente perceberam que teriam mesmo de corrigir, que não adiantava mentir, começaram a trabalhar.

Este suplício dura há sete meses. Estes últimos dias tem chovido bastante mas eu tenho evitado subir para ver como está o telhado. As últimas duas ou 3 vezes que vieram, veio um menino especial que realmente queria resolver e achávamos que tinha resolvido. Mas como das mil vezes outras também diziam que estava resolvido e não estava, eu andava a adiar a ida ao sótão desta vez. Esta noite choveu muito, pela manhã choveu muito, não dava mais para adiar. Subi aterrada de medo, traumatizada de tantas surpresas anteriores ao subir para olhar o querido telhado e o querido sótão e vê-los sempre num estado miserável. Desta vez nada estava molhado. Nada? Nada. Olhei, olhei e olhei e nem queria acreditar. 7 meses depois parece que tudo acalmou, que o telhado ficou equilibrado e que podemos considerar que se inicia o tempo de garantia da obra. O dono da empresa sempre dizia que era bom, que era um negócio de família, que sabia de telhas há mais de 30 anos, ria das nossas preocupações, inventava mais quantias para pagarmos como solução. O que eu lhe digo e vos digo é que aprendi que os verdadeiros especialistas são as pessoas que vivem na casa, os que vigiam, os que acompanham, os que se interessam. Se tivéssemos confiado na conversa dele daqui a uns meses, anos, o telhado ia cair na nossa cabeça, as paredes estariam danificadas, as madeiras do telhado podres. Isto vale para telhados, ou para “cabeças”, ou para corpos, ou para vidas. Isso eu tenho de lhe agradecer. O especialista que tinha todas as palavras e que ia destruindo a nossa casa me ensinou a “ser a dona do meu destino”. Como seria se não fossemos proativas? Se não tivéssemos capacidade para subir ao sotão para ver o telhado? Se não tivéssemos tido energia para os confrontar? Se fossemos idosas e ou incapazes? Quantos telhados por essa Bahia ficaram como o nosso ia ficar? É muito dinheiro, é muito descuido. Esteja atenta. Não valem só as palavras na vida. Veja as ações e as consequências das ações. Só porque o especialista fala que é, não quer dizer que seja, se aos seus olhos algo de errado está acontecendo.


Prefeitura e Transalvador.

Fomos ameaçadas de multa se não colocássemos piso tátil na nossa calçada da casa. Já lá vão uns anos, não muitos. A ameaça foi feita de tal forma, numa época de poucas economias, que foi enorme o esforço para o colocar o mais rápido possível. A justificação era que Salvador ia ter em todo o lado esse piso e quem não obedecesse teria multas, punições, sei lá o que mais. Passaram mais de 5 anos e fomos percebendo que só alguns, como nós, tiveram de colocar. Você passeia por Salvador e percebe os que foram ameaçados. Talvez os que precisam obedecer às regras, mesmo as mais estranhas ou absurdas, para não terem problemas, multas, ameaças. Numa cidade onde as calçadas adequadas para pessoas caminharem são pontuais – em zonas de turistas claro – porque nas outras calçadas é preferível ir pela rua, imagine você. Onde andar de bicicleta na rua é um esporte radical pelo perigo, ou onde as bicicletas têm melhor calçada do que quem caminha – em zonas turísticas claro. Onde as multas de trânsito que recebe em casa muitas vezes são de lugares onde você nunca foi e isso devia ser um caso de espiritismo no mínimo. Onde as ruas, renovadas, ficam com depressões – poças - que acumulam água das chuvas e quando os carros passam, molham quem está no ponto de ônibus ou caminhando na calçada. Quem pensa nessas pessoas? Os que passam de SUV? Os ônibus? Essas pessoas contam? São importantes? Li num dos sites da Transalvador que têm uma política de democratização. Eles sabem o que significa essa palavra? A Prefeitura de Salvador diz que é a melhor do Brasil. As pessoas do marketing, que escrevem essas frases, caminham pelas ruas da cidade?


Jair Bolsonaro e família

A UOL tem 10 episódios de momentos obscuros do trajeto profissional e pessoal de Jair Bolsonaro e sua família. Demasiado chocante. Mesmo vivendo no Brasil há uma década, ouvindo e lendo sobre a família Bolsonaro, é de ficar boquiaberta, espantada e horrorizada com o que a jornalista Juliana Dal Piva descobriu e nos relata. Um trabalho jornalístico impecável e de muita coragem. Muita coragem mesmo. É que a denúncia de tanta coisa errada, tanto esquema, mentira, de mundos obscuros e tenebrosos não é para qualquer um não. Não sei como ela consegue ter essa coragem, mas lhe agradeço porque está fazendo um incrível serviço público. É muito importante o que Juliana Dal Piva nos diz, nos mostra – porque ela apresenta muitos áudios das pessoas em causa, provas portanto. Vou deixar aqui os links porque penso que todas as pessoas que querem saber a verdade devem assistir. E todos deviam assistir para saber a verdade. Inclusive em Portugal tem muitas pessoas que nem sonham com o que realmente se passa no Brasil e se acham sempre com a melhor opinião sobre os assuntos. Eu também achava que sabia sobre o Brasil, mas agora que aqui vivo, percebo que nada sei e quanto mais aqui vivo menos sei. O que aqui acontece é demasiado complexo e profundo para ser entendido de forma simples, rápida ou intuitiva. Nestes episódios já dá para ter uma pequena noção. É tamanha a complexidade, tamanha quantidade de pessoas, de lugares, de serviços, instituições, envolvidos e envolvidas que será preciso ouvir com calma e mais de uma vez em alguns casos. Se prepare, principalmente se acredita cegamente no que Jair Bolsonaro e seus filhos falam. As palavras não batem com as ações, lamento informar. E aqui tem provas demasiado claras para as pessoas esconderem a cabeça na areia. Como um país elege uma pessoa assim, é muito preocupante. Mais preocupante ainda quando consideram esse o lado correto do Brasil.

Ana Santos, professora, jornalista


Links UOL sobre Jair Bolsonaro e Família

“Antes de começar um aviso – Estes episódios têm cenas fortes, com descrições de violência. Pode não ser adequado a todos os públicos.” Citação do comentário inicial dos vídeos que se encontram a seguir.

Episódio 1

Gravações inéditas apontam envolvimento direto de Jair Bolsonaro no esquema de rachadinhas

Episódio 2

Caso Queiroz joga luz sobre passado oculto de Jair Bolsonaro | UOL Investiga T1E1

Episódio 3

As origens do esquema de entrega de salário nos gabinetes dos Bolsonaro | UOL Investiga T1E2

Episódio 4

Queiroz, amigo com papel central na vida familiar do clã Bolsonaro | UOL Investiga T1E3

Episódio 5

Investigações sobre Flávio conectam Jair Bolsonaro ao esquema | UOL Investiga T1E4

Episódio 6

Em cartas, ex de Bolsonaro fala de dinheiro e briga por Carlos | UOL Investiga EP bônus

Episódio 7

Clã Bolsonaro e as homenagens a policiais bandidos | UOL Investiga T2E1

Episódio 8

As visitas de Jair Bolsonaro a matador na prisão | UOL Investiga T2E2

Episódio 9

Miliciano, herói de Bolsonaro criou empresa para matar | UOL Investiga T2E3

Episódio 10

A história completa da arma e moto roubadas de Bolsonaro | UOL Investiga T2E4


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