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“O QUE SABEMOS SOBRE PENSAMENTO DE SEITA?” Bug Sociedade


Foto Folha - Uol

Ainda na semana passada – e mais uma vez – uma pessoa com quem eu me dava postou absurdos contra a vacinação. Gente, vacinação e todas as coisas relacionadas à saúde e educação deveriam nascer “café com leite” contra fakenews – ou, melhor dizendo, contra mentiras. Esses nomes novos: desinformação, fakenews ou pós-verdade, dão um ar moderno e leve a crimes antigos. Não dá pra chamar de outro jeito, se a sua fala prejudica direta e indiretamente a vida de outras pessoas.

Atualmente, se você defende a vacinação, é chamada de comunista. Por Deus, comunista está virando sinônimo de humanista e está errado, são coisas diferentes.

O pensamento de seita me deixa perplexa – é inacreditável que uma pessoa sã e vacinada, de repente, seja sabotada mentalmente ao ponto de se dizer contra a ciência, contra a vacinação. Essa pessoa minha conhecida queria analisar a bula da vacina – veja, quando foi na vida que desconfiamos dos nossos cientistas, ao ponto de exigir a leitura de uma bula para a qual não temos saber suficiente para entender o que significa a combinação da substância A com a B? Afinal, quando o médico nos prescreve um antibiótico, numa infecção grave, você escolhe o remédio ou a infecção? O que se “rouba” do raciocínio normal para que relações de pensamento simples se percam?

Vou dar outro exemplo: Essa pessoa é um técnico de informática, ou seja, certamente sabe mais de tecnologia do que eu, que sou especialista em comunicação humana em diversas áreas. Ele estava agressivo e o Instagram mandou um aviso sobre comportamento nas redes. Eu avisei a ele; a resposta foi algo como ser comunista, esquerdopata, etc. Eu repetia: não fui eu, foi o Instagram; rapaz , é o algoritmo; foi robô; não é uma pessoa viva que está marcando o que você fala! Nada.

Todas as tentativas de entabular uma conversa real, mesmo que falando de abobrinhas não dá resultado nenhum, em hipótese nenhuma. E olhem, eu trabalho com comunicação há mais de 40 anos. Não houve estresse – pelo menos da minha parte – mas espanto. É como seu eu tivesse, longinquamente, conhecido alguém com aquele corpo; mas não é mais a mesma pessoa, nem de longe.

A Universidade precisa se debruçar sobre isso com urgência. Famílias se rasgaram, pessoas se perderam, outras estão presas porque cometeram crimes, crimes! Que espécie de lavagem cerebral é essa e como não existe ainda uma regulamentação contra mentiras, golpes, indução a crimes? Vamos fabricar Bin Laden em série? Por um triz o nosso Bin Laden tupiniquim não explodiu Brasília. Isso não pode ser posto de lado como se tivéssemos perdido uma moeda na rua. Houve feridos e nós poderíamos ter tido mortes.

Dentro do mesmo tema, vocês já viram na internet esses “estranhos profetas” falando sobre “sonhos com anjos empunhando espadas”? São programas indutivos, que misturam política com ações religiosas. A BBC Brasil tem um pequeno DOC sobre o tema, assistam. O pior: Já imaginaram como, que espécie de cabeça fraqueja tão facilmente diante de coisas totalmente inverossímeis? O Brasil está cheio delas, imaginem.

Portanto, não é uma questão de ser de direita ou esquerda. É uma questão de você estar pronto para matar - ou pior: de alguém poder usar pessoas para matar outras. Sem sujar as suas mãos. Isso é psicopatia pura e precisa de muito estudo da psicologia de massas, da sociologia, de comunicação humana, neurociência, neurologia, psiquiatria e muitos saberes afins.

O que podemos fazer é calmamente, continuar insistindo em conversar. Muitas vezes vejo que essa pessoa some porque eu consegui “arranhar, com sorte furar uma barreira”. Mas o Bug precisa de reforços e eu peço realmente que a Universidade aponte o que fazer - e que os parentes por favor queiram fazer. Ainda que seja difícil, muito difícil mesmo ver um uma pessoa da família se esvair na falta de controle e de consciência da existência do outro.

As consequências disso é que somamos 700 mil mortos de COVID. Nunca nos esqueçamos desses mortos porque eles precisam de uma resposta do Brasil. Vamos nos unir e reconstruir o que for possível, mas punir. Antes, foram 21 anos de agonia e ditadura que pagamos caro, ainda hoje, por termos deixado passar, esquecer - mais que esquecer, apagar. Não há esquecimento para crime. E em tempo: não foi revolução. Foi golpe militar, nunca se percam da história.

Não se deixem envolver por coletivos. Não sigam gurus.

Falem uns com os outros. Procurem pessoas de lugares diferentes e conversem sobre as mesmas coisas.

Viva Stuart Angel. Stuart Angel, presente. Finalmente apareceu a confissão de um militar sobre a sua morte.

Remissão dos pecados é assunto pra Deus. Por aqui, justiça.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


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“Choque a cada segundo” Bug Sociedade

Conheci uma pessoa que durante muitas décadas se dedicou completamente a receber familiares de outro país. Décadas! Nunca ouviu grandes elogios, como se fosse básico e sua obrigação. Passavam meses, em cada ano, na casa dela, por décadas, e se fossem passar uma tarde a outra família vinham deslumbrados e com comentários do gênero: Aquele é que recebe bem! Fomos muito bem tratados! Ali é que é!

Tem coisas que não adiantam. Você pode fazer algo de coração, durante anos, décadas, mas se as pessoas não souberem ou não quiserem dar valor, não adianta o que você faz nem como faz.

O anterior presidente disse e fez coisas que vão ficar para a história lamentável deste país e da época em que vivemos no mundo. Muitas declarações, muitas ações, muitos comportamentos - gravíssimos. Demasiados, mas parece que uns fizeram esquecer os outros – a sociedade tapa um problema com outro - ou simplesmente as pessoas não os querem lembrar. Agora isso é bem interessante porque o novo presidente nem pode pisar na casca de ovo velha e seca que foi jogada no chão, que pode ser acusado de tentativa de homicídio de uma galinha. Os olhos já não olham para a realidade mas para imaginar o que se quer ver.

Você pode fazer por décadas coisas boas, mas basta algo minúsculo não tão bom para você virar uma pessoa que não presta. E a pessoa que fez coisas horríveis por anos, se fizer uma pequena boa ação, é perdoada de tudo num instante. É um automatismo, é uma aprendizagem social, é uma armadilha, que só você tem poder para aceitar ou recusar. Porque o mundo está aí tentando te automatizar em tudo.

E armadilhas na vida não faltam. O trabalhador que cumpre uma vida inteira, fica doente e lhe dão uma aposentadoria com metade do salário. Talvez, se voltasse ao início fizesse outras escolhas, afinal fez sacrifícios para ter uma estabilidade na aposentadoria e acaba perdendo tudo – os sonhos e a segurança. Pessoas a quem morre o marido ou a mulher e que para terem direito à pensão passam pelo terror de anos de burocracia. Milhares de pessoas estão em barcos no meio dos oceanos, buscando onde viver. Podia ser eu, podia ser você. O branco acha que sabe mais do que as pessoas com outras cores de pele. O que seria dele sem aquela pele? O homem se sente superior à mulher. Como seria se um dia acordasse e percebesse que é igual? O rico acha que sabe mais do que o pobre. O que é, o que sabe e do que é capaz o rico sem dinheiro? Os protegidos pelas suas famílias se consideram superiores aos que não têm família ou que a família não os protege. Isso não dura sempre e mais tarde ou mais cedo a vida se apresenta para pagar a conta. Enganar vale mais do que saber. Saber também já não tem os mesmos parâmetros. Mentir é mais valioso do que assumir responsabilidades. Como um vício mental, quem mente não pára, ser responsável implica envolvimento, tempo, coisas que o ser humano nunca tem. Alunos não gostam da forma como são tratados, ouvidos, falados e esfaqueiam professores, colegas. Alunos mas podem ser maridos, ex-maridos, ex-namorados - quem não faz o que queremos ou não sente o que queremos, retira-se a vida. A vida melhora depois de fazer isso?

A realidade a todo o segundo com suas ”irrealidades”. Deixamos de ter: “era uma vez alguém...que viveu feliz para sempre”, para ter: “era uma vez...com uma vida difícil, confusa e inacreditável até ao fim.”

Ana Santos, professora jornalista

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