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"O DIA DO HINO" Bug Sociedade




Lá, ele – o hino. O que comemora o Brasil, quando cantamos nosso hino? Nossas margens, creio que nunca foram plácidas, já que somos agressivos entre nós, com cada vez menos empatia e reconhecimento do que somos. Matamos negros, povos da floresta, brancos e mestiços. E somos brasileiros. Todos nós. Brasileiros tem a esquerda do lado esquerdo do corpo e a direita do lado direito – não deveria haver briga entre os lados do corpo, mas aqui há. Somos como a “Síndrome do membro assassino” – que parece mentira, mas é quando um lado do corpo quer matar o outro. Ou seja, vemos nosso hino, o lemos – alguns marcham e carregam faixas com dizeres malucos, botam a mão sobre o coração e gritam seus crimes a cada frase contra as Instituições do Brasil, mas não sabemos o que nada do que está ali significa, na verdade.


Um povo heroico que deu um brado retumbante – o povo heroico não é o Presidente, nem o deputado, nem o senador ou vereador ou prefeito. Onde está escrito povo, leia-se NÓS. Brado retumbante é um grito incrível – ao invés de fazermos isso com os políticos todos para que trabalhem a nosso favor, perdemos tempo e energia tentando cortar a outra parte do que somos – a parte que deve exigir administração e planejamento.


Onde no hino tem “gastem milhões com bife”? Ou, gastar milhões no mercado, com chiclete é a mesma coisa que ”o sol da liberdade brilhou na Pátria neste instante”? A Pátria não era de todos? Então, então... por quê o dinheiro do chiclete não virou investimento em oxigênio e analgésico para os nossos doentes que estão morrendo e morrendo e morrendo?


O hino não é uma coisa que rege a todos nós? Que abraça a todos nós? Ele é, ou deveria ser e não é?


Ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve...


A Pátria nos amou alguma vez? Os governantes nos amam? Amaram? Nos respeitam? Respeitaram? E se tudo isso for verdadeiro, como ao invés de brigar com governadores, Brasília não fez um simples planejamento de compra de vacinas? Pra todos nós, que somos o corpo do Brasil? Cada pessoa que morre é um pedacinho de pele que cai, um osso que se parte, uma célula que morre.


Nesse momento, todos conhecem alguém que perdeu alguém. Todos têm um morto ao seu redor. O heroísmo é perder pessoas ou teria sido impedir que pessoas fossem perdidas? Na Nova Zelândia não tem mais Covid. No Japão, na China, na Austrália. Devemos rastejar? Implorar? Não quero mais nada que não se chame vacina. Nada é mais verde amarelo, nada é mais seleção canarinho do que vacina. Nesse sentido, com raiva ou sem, seja qual for o partido, todos deveriam agradecer à São Paulo. Afinal, a nossa pouca vacina saiu inteira da cabeça do governador de lá.


Brasil, um sonho intenso, um raio vívido. Nós estamos no meio do sonho que virou pesadelo. Tropeçamos nos mortos. Não só de Covid, mas de todas as doenças, já que não há vagas. Tenho medo de morrer, se for ao dentista e ficar ali tão perto dele, de boca aberta. Não vou. Acho mesmo inacreditável que haja gente idiota pra matar e se matar indo se atirar de encontro a um político. E político precisa de “macaco de auditório”, no Brasil? Nós não éramos os chefes? Quando viramos os puxa-sacos?


Pátria amada Brasil se mantém. Por isso dói ainda mais. No dia do hino, me pergunto onde fica a localização emocional do País do meu hino. Hino de lágrimas, covas rasas, caixões e corpos embrulhados por plásticos, sem despedida, sem abraço, sem consolo, sem hino. No dia do hino, nada. Nada por cima, nada por baixo. Só plástico e a lágrima agreste que insiste em mostrar que aqui nessas covas rasas, ainda vivem seres humanos...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Você vive uma vida de 47 anos e percebe, que de repente, passará a ter duas “nacionalidades”, dois “Hinos”. Se me dissessem isso em menina iria achar que era uma grande história que estavam me contando. Mesmo em adulta acharia isso. Não estava nos meus sonhos, nos meus pensamentos, nos meus projetos. Apenas aconteceu. Ela, a Vida, simplesmente decidiu, e é incrível como transforma tudo, noutro “tudo”. Todos vemos isso em cada dia e desde que iniciou a pandemia com muito mais impacto.


Lembro, na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, de pensar que o mínimo que podia fazer por um país que me recebeu gentilmente como “habitante”, era aprender o seu Hino. E lembro de tentar acompanhar o Hino, de cada vez que a seleção brasileira tinha jogo. Nunca esquecerei essa sensação e que agora tenho comigo sempre. Uma sensação reconfortante de pertencimento num lugar e numa identidade que não me pertencia. De, ao aprender o Hino e seu significado, entender um pouco melhor o Brasil, entender um pouco melhor os brasileiros e entender um pouco melhor o que é viver aqui.


Um País de dimensão continental, com uma riqueza natural e humana estonteante. Com tudo para ser a maior potência do Mundo. Com tudo para poder ajudar o Mundo a ser um lugar melhor. Como podem o Brasil e os brasileiros, aceitar o lugar que ocupam no Mundo, os líderes que escolhem, o caminho que fazem à décadas? Como se entrega “o jogo”, se vende os jogadores, se deixa os outros jogando sem competir com todas as qualidades à solta na rua? De repente me lembro tanto de Portugal...porque será? Como se estraga o que se tem? Como no Brasil não se dá valor ao talento que se multiplica nas ruas? O cara escultural que carrega mármore, o cara equilibrista que coloca a tua cerca elétrica, o cara “gato” – leve e ágil - que arranja o teu telhado da casa, o cara que carrega os garrafões/galões de água pelas ladeiras íngremes de Salvador. Olho para eles, agradeço o carinho com que me tratam e sempre me ofusca a imaginária medalha de ouro olímpica que carregam no peito. É uma dor profunda e constante, assistir, todos os dias, a um País de campeões, um País de gênios, a um País de criativos, desperdiçando sua qualidade, sua riqueza, promovendo a desigualdade e a dificuldade, asfixiando a população com uma burocracia e uma incoerência patéticas, desmerecendo quem quer contribuir, quem ama e quer juntar esforços. Brasil, Brasil, quanto tempo vai levar para te veres, para te entenderes e para acreditares no que és capaz? Quanto tempo vai levar para seres o teu Hino? Quanto tempo vai levar para te fazeres ao caminho e seres o que realmente és capaz? Sem medo, sem insegurança, sem limites.


“Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza.”


“Dos filhos deste solo és mãe gentil.” Atenção, Brasil. Muitos dos teus filhos são abandonados, explorados, mal tratados. Eles nunca se queixam e isso é verdadeiramente incrível, mas não te esqueças dos teus filhos....de todos, mesmo que não se queixem.


“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido

De amor e de esperança à terra desce.”


Vamos Brasil! Vamos respeitar os mais fracos, os mais desprotegidos, os mais frágeis, os mais pobres. E Brasil, vamos dar uma vida honrada a todos e aceitar a contribuição, apoio, colaboração de quem te ama e te quer bem. E vamos acreditar no valor que palpita em cada esquina e concretizar toda a criatividade e sonho.

Ana Santos, professora, jornalista


Hino do Brasil


“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!


Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!


Brasil, um sonho intenso, um raio vívido

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.


Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.


Terra adorada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!


Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!


Do que a terra, mais garrida,

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;

"Nossos bosques têm mais vida",

"Nossa vida" no teu seio "mais amores."


Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!


Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

- "Paz no futuro e glória no passado."


Mas, se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.


Terra adorada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!”


Letra: Joaquim Osório Duque Estrada

Música: Francisco Manuel da Silva

https://www.youtube.com/watch?v=Z7pFwsX6UVc

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