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“Nomadland” (2020)


Engraçado como algumas coisas saem do “charme da aventura pelo mundo” à exploração do trabalho pelo dito mercado, solidão, desemprego, doença sem assistência - com tanta liberdade, que muitas vezes a gente lê “abandono”.

NOMADLAND é o exemplo perfeito de como sair por aí, caminhando contra o vento, pode ser árido, doloroso, mas também amigável, afável – e de como dependemos tanto da burocracia – que nem de longe faz o que nasceu para fazer, que era nos igualar diante das normas de um mundo igualitário. Não somos iguais diante da lei. Sequer sabemos como nos igualar diante da lei. Podemos ser bons ou maus, mas há momentos onde tudo se resolveria se as pessoas nos vissem, apenas.

NOMADLAND se constrói sobre a explosão de talento chamada Frances McDormand. Soberba, do começo ao fim, ela conduz o fio da história, emociona e é a responsável pela dimensão do mergulho humano proposto.

Um filme de grandes silêncios, paisagens solitárias às vezes exuberantes, outras nem tanto, mas que nos conduzem a nós, a quem somos, o que estamos procurando nas nossas vidas e como o fazemos.

Imperdível.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Desde menina que tenho um fascínio por autocaravanas/ motorhome. Aprendi que era uma forma de fazer férias econômicas, mais tarde aprendi que eram as férias de quem tinha dinheiro e depois veio este filme, esta realidade. Demorei muito a querer vê-lo. Demorei muito a aceitar enfrentar esta realidade, de pessoas que ficam sem ter onde viver, onde trabalhar, sem ter a quem recorrer, sem se conseguirem ajustar a outras pessoas ou ao tipo de vida convencional. A uma facilidade cada vez mais frequente de demitir pessoas, de qualquer idade, a trabalhos cada vez mais mal pagos, sazonais. Pessoas que tinham vidas equilibradas e as suas vidas se desmoronaram, por morte do marido, por despedimentos, por fecho de empresas ou fábricas, por doença. O mundo degradante e inóspito americano está se espalhando um pouco por todos os lugares e que a vida nos abençoe com clarividência, energia, saúde e proteção para nunca nos encontrarmos numa situação assim. Sabendo que nem sempre isso depende de nós. O mundo está mudando, as condições trabalhistas piorando.

O ser humano com condições precárias de vida, sem casa, vai acumulando doenças mentais, pobreza, doenças, desinformação, incapacidade ou nenhuma vontade de se manter num lugar, de criar vínculos muito próximos, isolamento, comportamentos depressivos, agressivos, inusitados. Criam amizades que se alimentam sazonalmente. Você só se tem a si próprio, só conta com você. Vida dura, triste, assustadora.

Ter uma motorhome de repente já não é assim uma coisa tão fascinante ao ver como estas pessoas vivem.

Já amava as atuações de Frances McDormand, em outros filmes. E aqui de novo nos mostra como é boa atriz. Para mim, está do lado de Meryl Streep no talento. Suspeito que este filme mexeu com ela. O filme mexe com quem assiste, imagino como deve mexer com quem vive esses lugares, mesmo que seja para atuar.

Um filme difícil, para ver numa época boa da sua vida. Mas um filme muito necessário.

Ana Santos, professora e jornalista


Sinopse: Uma mulher na casa dos sessenta anos que, depois de perder tudo na Grande Recessão, embarca em uma viagem pelo oeste americano, vivendo como um nômade moderno que vive em uma van.

Direção: Chloé Zhao

Elenco: Frances McDormand, David Strathairn, Linda May.

Trailer e informações:

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