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“LIVRE PENSAR” Bug Sociedade


Escultura de Adilson Rosa, Fotografia de Miguel Saad

“LIVRE PENSAR” Bug Sociedade

Há uma coisa muito simples, mas que me pareceu que nós, as pessoas comuns, não pensamos porque somos induzidos a não pensar. Da forma como a coisa é constantemente desenhada, quem está mais à esquerda parece que “não deve ligar” para a corrupção tanto quanto quem está mais à direita, ideologicamente. “Conservador é contra a corrupção e comunista não”. É mentira isso. Somos induzidos a parecermos em discordância, apenas.

Corrupção não tem ideologia nenhuma, ou se tem alguma, a ideologia é roubar; nos roubar. O dinheiro que o Brasil tem, é juntado a partir do que nós damos. Vou repetir: nós somos os verdadeiros donos do dinheiro que o Brasil tem. O bolo de dinheiro também não tem ideologia, repararam? É apenas uma vaquinha onde somos obrigados a contribuir, através dos impostos – e até o nome “imposto” é claro, mas a gente não percebe bem. Ninguém do governo nos pergunta se queremos ou confiamos neles para “cedermos por nossa vontade o valor pedido”. Na verdade, o valor do imposto nos é imposto, por isso o nome da coisa é “imposto”.

Portanto, é do nosso interesse que não haja nenhum desvio – não há nenhuma pessoa que goste de perder seu dinheiro, afinal. Exatamente por isso, não gostar de ser roubado não é ideológico. Da mesma forma, qualquer servidor público que aceite ser comprado por dinheiro, não tem ideologia; apenas se vendeu, vendeu a sua idoneidade, a sua fidelidade ao Brasil, às leis e a si mesmo.

Vender uma dose de vacina 1 dólar mais caro que o preço pedido para roubar, é uma traição. Não à direita, nem à esquerda, mas ao Brasil e ao nosso dinheiro que não chega pra tanta despesa. Seria ideológico se fôssemos gastar para estatizar os serviços (esquerda) ou entregarmos o serviço ao sabor do mercado (pensamento liberal, à direita). Mas percebem a diferença? O dinheiro é desviado de um lugar que prevê um planejamento qualquer de Brasil e vai para o bolso dos vendidos.

Por quê achamos que que estamos uns contra os outros, afinal? Porque a ideia de que temos lados diferentes é plantada entre nós. Com ideologias diferentes, não estamos tão atentos a cada votação do Congresso - e precisamos atentar para que não haja nenhum desvio que nos engane. Afinal, todos nós confiamos cegamente em todos os deputados? Senadores? Em algum político? Cegamente, gente? Em quantas pessoas da sua vida você confia cegamente para defender os políticos como se fosse caso de vida ou morte?

Ando cansada de ver o ex-presidente pregar contra a vacina e depois dar um “desculpe” e encerrar o assunto. Ando cansada de desvios repetitivos e de continuar vendo nossas nações indígenas tentando sobreviver ao descaso. Ando cansada de receber “espelhinhos dos colonizadores de plantão”, enquanto nos saqueiam. O que tem na Amazônia não pertence nem a um lado nem a outro; pertence a todos nós. Se os ricos pecuaristas se acham melhores do que nós, azar o deles; se os “velhos aristocratas” querem permanecer recolhendo nossos tostões, não podemos permitir. No Brasil, as coisas não são “assim mesmo”, como se nada tivesse jeito: não pode ser roubalheira à solta e pobres à mingua. O dinheiro é nosso, a democracia é nossa e, feliz ou infelizmente, a Terra é bem redondinha e vacinas curam. Não podemos nos distrair do principal, que é o Brasil. Olho nos caras que fazem as leis e se há alguma denúncia de desvio de dinheiro em algum lugar. Nós somos os olhos do dono, entendem? Temos que chocar os ovos do jacaré que, à propósito, nunca tomou vacina nenhuma porque é selvagem. Quem acredita na palavra de um cara por causa de ideologia é cego, não vira jacaré nenhum.

E em tempo: se partido político fosse assim uma coisa tão importante, não haveria tanto político que troca de partido 8, 9 vezes, não parece lógico? Para haver “fidelidade partidária”, eles deveriam primeiro saber e dominar o significado de fidelidade.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“É apenas Rock and Roll” Bug Sociedade

O filósofo Peter Sloterdijk diz que “o mundo é um lugar onde podemos ser magoados”. Mas não precisávamos de exagerar.

Quando as pessoas decidem sair do seu país em condições incertas, é porque estão desesperadas. Ficam à mercê de exploradores, de traficantes, à morte, à deriva no mar, enquanto estamos sentados no nosso sofá quentinho, achando tudo o que está a acontecer, errado e incorreto, e com medo de perdermos o que achamos que temos. As pessoas têm o direito de fugir das guerras, da fome, das atrocidades, em condições mínimas de saúde, proteção e justiça. Ninguém perde nada quando outras pessoas chegam. Nem precisamos nos amontoar nos grandes centros, com tantos lugares no mundo a precisarem de pessoas. Estamos tão desorganizados nas ajudas, na gestão do mundo, tão egoístas, ou é insensibilidade mesmo? É uma maravilha fazer turismo ou viajar pelo planeta para trabalhar, mas o mundo de quem muda de país por necessidade ou por escolha e sente que não é bem recebido, o mundo de quem só encontra dificuldades e portas fechadas é muito diferente – e isso não é justo. Somos todos iguais, mesmo que a maior parte de nós se recuse a ver e a aceitar isso.

No racismo a mesma coisa. Acham mesmo que vamos resolver o racismo com faixas? Com jogadores entrando de mão dada com crianças? Com minutos de silêncio? Com equipamentos/uniformes negros? Se não fizermos mais nada para além disso, não resolvemos nada. E isso significa que tudo fica pior, como uma ferida que não se cuida, que não se trata.

A lista só aumenta: Daniel Alves, Robinho, Cuca, Neymar, Jean Paulo, goleiro Bruno, Alessandro Faiolhe Amantino (conhecido como Mancini), Danilinho, Marcelinho Paraíba, Antony, etc, etc, etc. Na semana passada, a UOL divulgou partes dos áudios das conversas de Robinho e seus amigos. É ESTARRECEDOR. No domingo, numa entrevista, a ex-namorada de Antony acusou-o de agressão, cárcere privado, ameaça, lesão corporal. Problemas graves rondam jovens que têm fama e dinheiro. Jovens e jovens adultos que precisam de acompanhamento psicológico, social, pedagógico, de fazer algo mais do que treinar, jogar e se entreter em games, festas, mulheres e esquemas, quando descansam. Suas mentes precisam ser ocupadas com coisas úteis em vez de lhes resolverem tudo e os deixarem à solta com seus “amigos” e “comparsas” da “vida do inventa asneira”.

O Tribunal Superior do Trabalho divulgou, em março deste ano, uma cartilha, para orientar vítimas e testemunhas de assédio moral e sexual. É bom dar uma olhada e uma lida, principalmente se for do gênero feminino e começar a proteger-se sabendo a lei e se prevendo. Inglaterra já tem até um termo – “staring”- para o que eles consideram olhares demasiado intrusos, ameaçadores, intimidadores, abusadores. Segundo a cultura inglesa, os olhares demasiado prolongados e provocadores, podem ser sinais de intenções menos saudáveis e legais. Já não nos protegemos só contra animais selvagens, contra intempéries. Os principais perigos dos tempos atuais são nossos maridos, nossos colegas de trabalho, nossos vizinhos, nossos familiares. É chocante.

Antonio Turiel, investigador espanhol, nos dá uma lição impressionante e necessária sobre ambiente, energias renováveis – sobre quem somos, o que fazemos e como precisamos olhar de frente para o futuro. Uma lição verdadeira, nada de conversa mole ou conversa para nos enganar. É um choque ouvir o que ele nos diz, mas é um choque necessário. Precisamos acordar, precisamos agir. O mundo também é nossa responsabilidade e chega de acreditar no que nos dizem os que sabem tanto ou menos do que nós. O que tem acontecido, um pouco por todo o mundo e na semana passada no Rio Grande do Sul, tem de nos fazer agir. Existem 9 limites do planeta e já ultrapassamos 5. Continuamos a nossa vidinha, nos lamentando, mas felizes, fazendo festas, viajando, pensando no futuro, sem mudar nada.

Hoje, para não destoar de temas preocupantes, termino com o ranking de escolas que Portugal faz anualmente. A educação no seu papel mais triste – as escolas viraram um negócio. As primeiras 16 são colégios particulares. Que surpresa... É como se fizéssemos uma espécie de ranking de frutos. As ameixas, deliciosas no verão de Portugal, passarem a ser comidas no inverno de zero graus – com sopinha de ameixa. Gostamos mesmo de insistir em mudar a natureza das coisas e da vida e pagaremos caro por isso. E não paramos. Não paramos.

Mas como cantam lindamente, Monica Martin e James Blake, em “Go Easy, Kid”, é tudo Rock and Roll. Relaxemos então, para o cortisol não aumentar demasiado.

Ana Santos, professora, jornalista


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