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“Falta de Planejamento” Bug Sociedade


“VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?”

Com total assertividade e sem medo de errar: tenho fome de planejamento. Tudo bem que a vida nos surpreenda – mas isso não é motivo pra sermos abandonados no mundo e na vida porque os governos atuais preferem reclamar do governo passado, da ideologia passada, ao invés de, antes de entrarem, nos darem uma ideia clara do que pretendem fazer do agora para o futuro, em 20 anos, no mínimo...


Nem vou falar do Brasil agora, ok? A Europa poderia ter um planejamento estratégico para energias limpas há anos! O Putin está lá todo descontrolado agora, mostrando a sua cara maligna e todo mundo parece ter sido surpreendido por uma coisa que até as crianças saberiam dizer. Bastava terem se perguntado: Você gosta do Putin? Você tem confiança nele? – E todas as casas da Europa já teriam energia solar, eólica, óleos orgânicos de seja lá qual fosse a fonte. Agora perigam voltar para o carvão. CAR-VÃO. Num momento onde, até para os mais míopes, está visível que o clima é alguma coisa totalmente descontrolada.


Falando em clima: o sul da Bahia sofreu, Minas sofreu, São Paulo sofreu, Rio de Janeiro - e lá, um zoom no mapa para a crise crônica de Petrópolis, que de chuva em chuva vai empilhando mortos, sem ninguém fazer absolutamente nada a não ser reclamar do que não foi feito antes para justificar o que não é feito agora.


Isso é nossa responsabilidade. O candidato precisa mostrar o que fez no passado, em que golpes, cambalachos está envolvido ou se a gente só ouviu falar bem dele. Randolfe Rodrigues, Alessandro Vieira, Rogério Carvalho, Fabiano Contarato, Otto Alencar são senadores de bom passado e ótimo presente, por exemplo. Mas no Congresso Nacional existem mais de 590 políticos, entre deputados e senadores – e eu só lembrei de 5. Erro nosso na hora de votar. O erro é nosso, gente!


Vai ter mais eleição esse ano. Posso garantir, jurar! – que mais de 50% do tempo, mais de 60, mais 70% - eles vão passar falando mal um do outro. Teremos um candidato com coragem para nos entregar um plano para o meio ambiente, educação (coitada, uma desvalida que está sendo tratada atualmente como se fosse maluca), segurança pública - órfã de sua maior mantenedora, que deveria ser a educação pública de qualidade, saúde (um saco sem fundo de ideologia, quando deveria ser o lugar que se apoia mais fortemente na ciência), energias renováveis (não temos nenhum plano estratégico para a nossa tecnologia de carros elétricos, nenhum plano estratégico para usar asfalto poroso para ajudar a escoar a água, habitacional, de ocupação de encostas, uso do lixo, venda de carbono, expulsão dos bandidos/ traficantes / piratas / assassinos / incendiários que invadiram a Amazônia? Ou vamos apostar no gás, como a Alemanha? No gás do Putin, quando temos sol pra dar e vender?


Tenho fome de um plano realista. Somos um País rico em recursos que é praticamente indigente de planejamento – e por isso cada vez mais mendigo em soluções.


Ninguém merece perder sua casa para o desemprego, chuva, fome, necessidade, pobreza. Se passarinho tem casa, toda a gente deveria ter a sua. Um presidente que seja econômico consigo mesmo e preocupado com a gente, inteligente e estudioso, falante habilidoso, negociador brilhante.


Mas isso não nos afasta do voto. O nosso voto. Ele precisa ser incorruptível. Não interessa se sua excelência deu um comprimido, um cimento. Se ele nunca faz nada e guarda o comprimidinho pra te comprar, aceite o comprimido e não vote nele. Minta, como ele te mente. Os políticos não são o Brasil, não são a Europa, nem a América. Nós é que somos o povo, nesses lugares todos.


Tenham fome de melhoria para todos.


E nunca esqueçam: no Canadá, por exemplo, o primeiro ministro vai trabalhar de Metrô. Cadê o Prefeito? Cadê os vereadores? Os deputados? Cadê o presidente? Do que os nossos políticos fogem? Seria de nós? Da nossa cobrança? Pois vamos cobrar o tempo todo!


Cadê o nosso planejamento, excelências? Eu tenho fome de resposta!

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Olho Rafael Nadal. Parece tudo tão fácil. Olho com imenso carinho e respeito o que construíram pessoas que admiro e parece tão fácil. Tudo que os outros fazem parece tão fácil e sabemos tão bem criticar, corrigir e até faríamos muito melhor. Palavras! Na ação, os que tiverem a coragem de ir em busca do mesmo ou de melhor, aprenderão que tudo é extremamente complexo, demanda muito esforço, muita dedicação, muita persistência e um bom e contínuo planejamento/planeamento. Como a construção de uma ópera, de uma sinfonia, de uma obra da literatura ou de uma cidade, de uma localidade. Ou de uma vida. Ou de um povo. De um planeta. Da Terra.


O que viemos aqui fazer de útil? Quantas vezes temos a coragem de fazer esta pergunta e de lhe dar uma resposta real? Apesar de sabermos que morreremos um dia, o que procuramos construir, deixar para os outros, melhorar?


Tem dias que a dor de ver como vivemos é dilacerante. Um dia atrás do outro, aguardando que alguns façam, organizem. Ou que aconteça um milagre. Ou que a sorte e o nosso talento resolva os problemas em segundos. Não entendemos o tempo. Não entendemos a vida. Não nos entendemos. Corremos confusos, apressados, stressados, focados em coisas mundanas, coisas sem consequência de valor. Fazemos sacrifícios enormes para sermos recompensados com mais trabalho, mais responsabilidades, mais tempo ocupado a cumprir tarefas sem sabermos bem com que sentido. Apenas é assim que os bons fazem. Depois ficamos cansados e precisamos de nada fazer, para recuperar. Repetimos erros, achando normal, como se fossem a nossa sina. Aceitamos os problemas como se fossem parte de sermos adultos. Morreremos sem entender, sem aprender, sem resolver os problemas que encontramos na Terra? Na vida? Em nós e nos outros? Porque não tentamos? E quando alguém tenta porque é considerado doido ou, se resolve, um herói?


Fazemos as coisas por impulso. Somos pai e mãe porque não tivemos cuidado. E, com 12, 13, 14, ... anos, a vida inteira teremos funções que nem previmos. Caminhamos pela rua e olhamos uma casa. Sentimos que a queremos comprar e mergulhamos para sempre em contas para pagar, todos os meses da nossa vida, achando que teremos sempre segurança financeira, saúde, energia. Acreditamos na palavra do arquiteto, engenheiro sem imaginar que no século 21 podemos ficar sem ela numa chuva inusitada e chocante, num segundo. Decidimos estudar na faculdade que nossos pais desejam, ser o que eles desejam, até o dia que rebentamos. Ou para não rebentar, mudamos tudo no final da vida e tentamos apressadamente ser tudo o que sempre sonhamos. Somos estranhos. Distraídos. Ambicionamos estabilidade e depois de uma vida de esforço, percebemos que não era bem isso.


Como eu gostava que entendêssemos a vida mais cedo. A sua forma simples. Como eu amava que vivêssemos o que realmente desejamos. Que percebêssemos a importância e o peso no futuro nas decisões que tomamos. E cedo aprendêssemos a conviver com o medo, esse limitador, protetor ou companheiro. Falássemos das verdadeiras dores, dificuldades e conquistas. Percebêssemos que quando entendemos a vida e o que viemos fazer aqui, deixa de ter sentido o conceito de férias. E muitos outros conceitos que nos viciam e travam.


Rafael Nadal já era alguém especial mas algo nele mudou durante a pandemia. Para melhor. O seu esforço é ainda maior. Seu planejamento/planeamento, sua entrega, análise e adaptação às dificuldades, melhorou. Ele, agora, entrega literalmente tudo. É impressionante dizer isso de alguém que já era conhecido por ter essas características, mas melhorou. Um ser humano em todo o seu esplendor, buscando o que deseja. Quando consegue, a sua felicidade é pura. E, quando não consegue, como domingo, em Indian Wells, a sua cara mostra um homem em paz, sereno. Deu tudo, tentou tudo e reconhece que alguém ou algo foi superior. Mesmo sofrendo uma lesão estranha e extremamente limitante. É, a vida é capaz de ser apenas isso.

Ana Santos, professora, jornalista

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