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“Eu me educo” Bug Sociedade


“VELHICE”

Você sabe que está envelhecendo quando o fato de que a filha do presidente ter entrado pela janela do Colégio Militar te dá pena. Que espécie de família ela tem que não tem vergonha de falar que, antes de confiar na formação e na inteligência da menina, preferiu apelar pra influência política – o que não dá nenhuma força moral, nenhuma resistência emocional quando a coitada for “frita”, assim que o pai dela deixar o palácio onde vive atualmente? O Michelzinho mesmo sofreu bullyng na escola... Será que vão fazer um bloco fechado pra menina estudar? Vai ter que ser uma fortaleza...


O fato é que mil vezes a gente olha a educação do Brasil e pensa que ela não consegue ficar pior – mas consegue. Agora mesmo, creio que o nível de incompetência transbordou todos os copos, mas daqui até a eleição, tenho certeza de que vão encontrar espaço para que piore ainda mais. Não há mais matérias que fazem pensar e debater, as crianças não conseguem mais fazer cálculos de cabeça e o supermercado é lugar onde o SUPEREGO é a caixa registradora – ela que diz tudo o que você quer e não sabe calcular se pode ter. Aliás, debater... Quem sabe debater usando palavras? Com vocabulário suficiente para empunhá-las e tentar provar seu raciocínio? Quem consegue ouvir uma fala e interpretar claramente o que foi dito? Porque, o que justifica que haja pessoas que acreditem que vacina faz virar jacaré? Que vacina mata? Que a Terra é plana? Que Kit Covid não tem contraindicações suficientes pra não ser de confiança?


A educação – vendo por senso amplo – deveria estar em todos os lugares. Você vê uma criança fazendo uma coisa errada e lhe ensina o certo. Todos os adultos deveriam ter esse mesmo dever cívico. Mas é praticamente uma coisa perigosa, quando as pessoas resolvem partir pra ignorância, ao menor sinal de discordância.


Em Portugal eu vi uma coisa muito linda, na era pré-pandêmica: As crianças de creches e pré-escolas, visitam os asilos de idosos e ali sentam nos seus colos, ouvem suas histórias, aprendem a falar (lembra que precisa ter alguém pra ensinar?), ao mesmo tempo em que lhes dão uma injeção de vida e energia. Quanto custa? Talvez o prefeito fazer a escola perto do asilo, talvez a boa vontade dos professores e cuidadores em criarem oportunidades, talvez a gente perceber que a solução precisa ser apenas de bom senso e não custar milhões de dólares em viagens à Microsoft, ao Google ou seja lá onde for. Mas aí, as excelências não viajam, não tem verba extra e tal... Se cada escola pública pudesse ser um espelho de bom senso e tivesse um cachorro e uma horta onde todos - desde os menores – aprendessem a cuidar, a alimentar, talvez percebessem que poderia ser melhor do que esses super “sistemas computadorizados” – que, aliás, não ensinam a criança a aguentar os nãos da vida, por exemplo – já que os pais não estão mais conseguindo fazer isso.


Apartar autistas, cegos, surdos, pessoas com perdas motoras e intelectuais vai salvaguardar a educação de quem? A escola, como a estão deixando, será melhor sem eles? Como? Com as crianças sem a possibilidade de conviverem com diferenças e ajudarem, contribuírem, resolverem problemas, serem úteis? Vendo assim, se consegue perceber que talvez, em Brasília, muitas pessoas devessem assumir seu déficit de convívio humano. Não aquele que aparece pra pegar criancinha no colo com uma mão e pedir voto com a outra – mas aquele que as vê como parte de um plano de País, hoje sem plano, sem direção, sem busca, sem vanguarda e sem futuro.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Eu me educo” Bug Sociedade

Se tem dúvidas sobre a eficácia na forma como estuda/aprende ou como estudam/aprendem os que o rodeiam, Héctor Ruiz, neurobiólogo, tira todas as dúvidas numa entrevista recente. Aproveite. Isso, acredite, pode mudar a sua vida de estudante, professor, mãe, de qualquer profissional. Quando a minha geração estudava, era fazendo como os outros faziam ou experimentando no escuro. Você não precisa mais fazer dessa forma e é sempre maravilhoso quando a ciência confirma o que estávamos a fazer bem ou avisa do que precisamos mudar.


Mesmo para quem estuda anos para ser educador, para quem é educador durante décadas, para quem tem sorte em casa, com a forma como foi/é educado, é preciso reconhecer que se fica sem palavras, nem argumentos, nem respostas, quando se aprende sobre outras culturas, principalmente de outros continentes que não o continente onde você nasceu. E se for de outro hemisfério, ainda pior. Acredite. Você fica sem palavras. Você necessita rever todas as suas certezas, suas crenças. Rever. Pode significar alterar ou manter, mas rever, é fundamental.


Desde pequeno, o ser humano poderia aprender que o mundo não é nem seu “umbigo”, nem apenas a sua aldeia. Tem tanto mundo, tantas formas. O mundo é também o que está fora do “seu mundo”.


Aprender que apenas os que contribuem para o caminho que você veio fazer, merecem ser considerados de sua família, de seus amigos, de seus colegas. Faça isso em silêncio. Ninguém precisa saber. Dói menos. Causa menos problemas. E cada um de nós pode contribuir um pouco, na convivência com os outros, sejam eles quais forem.


Viver, estudar, aprender, sofrer, ser feliz, não é uma competição. Não é. Fuja das comparações. Se concentre no que você pode e acha que deve fazer agora, daqui a pouco, logo, no futuro. Persiga em silêncio o futuro que deseja. Quando erra ou falha, espere um pouco. Chore, se desiluda, se avalie, se acerte. Pouco tempo de cada vez, para não correr o risco de se afundar na lama. E continue. Quem concretiza os sonhos, tem uma característica muito particular, no mundo inteiro – não desiste. Você pode olhar para Elon Musk, para Rafael Nadal, para o mosquito que morde a sua perna. Enquanto estão vivos, enquanto mexem, seguem. E só o mosquito deixará de seguir seu caminho quando morrer. Porque com estes dois senhores, mesmo depois de morrerem, o caminho deles continuará.


Seja bom no que faz. Seja no que for. Mude o seu mundo, seus dias, seus comportamentos, com essa escolha e mudará o mundo dos outros. E só tem um jeito. Dedicar muito tempo. Muito. Pense em Kobe Bryant. Quem diria que surgiria alguém melhor do que Magic Jonhson? Do que Michael Jordan?


Quantas pessoas conhece e conheceu que mudaram a vida das outras? Em silêncio? Sem as pessoas sequer notarem? Aprenda com elas. Em silêncio.


Não seja educado pelos outros. Se eduque. Seja o timoneiro da sua educação. Faça as suas escolhas: formação, profissão, opinião. Escolha o que vai fazer profissionalmente sabendo que vai passar muitas horas, uma vida inteira, se dedicando a isso. Não escolha igual aos outros. Tente sempre o diferente. O que não existe ainda. O que é difícil. O que ainda não tem solução. O que ainda ninguém pensou.


Siga exemplos, bons exemplos. E, se esses bons exemplos, virarem maus exemplos, mude de exemplos. Fácil.


Não é o colégio mais caro da cidade que dará uma boa educação e formação ao seu filho. Nem pagar estudos em França, Inglaterra ou Estados Unidos. Nem Oxford, Cambridge, Harvard, Stantford, Yale, Chicago, etc, etc, etc. Tudo isso intimida e abre portas para grandes cargos profissionais. Mas de nada adianta dar uma lagosta para cozinhar a um menino que nem sabe fazer seu café da manhã. Mais tarde ou mais cedo esse menino vai sufocar no lugar onde está, o mundo não avançará e pessoas sofrerão.


Aos que nunca terão essas oportunidades eu digo, não aceitem rótulos. Não se considerem menores, nunca. Sigam, persigam seus sonhos. Acreditem na vossa chama. O mundo precisa muito de vocês. Enquanto os outros passeiam os diplomas, fazem férias, acumulam experiências e amigos poderosos, existe um mundo a desmoronar que precisa de ajuda e de gente de verdade.

Ana Santos, professora, jornalista



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