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“E O GOLDEN GLOBE VAI PARA...” e “Quanto mais se esconde os problemas...” Bug Sociedade


“E O GOLDEN GLOBE VAI PARA...” Bug Sociedade

                  Wagner Moura!

                  Falando assim é uma frase curta com gritos e festas, mas quando você pensa que é o coroamento de uma vida, tudo muda. A Bahia, sendo riquíssima de recursos, é incompreensivelmente pobre, na prática. Salvador, depois de 138 anos pós abolição, não tem calçada pra ninguém em muitos trechos da cidade ou tem espaços onde a calçada abriga o poste, a lixeira ou onde as pessoas se habituaram a compartilhar espaços com cordialidade, como nas pistas pra bike porque a calçada é tão estreita que não chega pra duas pessoas andarem juntas.

                  Wagner sim, não é moleque do Calabar, mas era do Pelô, artista de sangue. Ninguém sabe bem porque alguns excelentes artistas estouram e outros não, mas eu adoraria dizer que é destino – mas não é. Pelo menos não é só. Precisamos muito evoluir em muitas larguras porque não há pessoas que descubram os talentos para investir neles. Não é apenas uma coisa dedicada à carreira artística, mas em todas. Homens altos, fortíssimos, pode-se dizer “muros humanos”, quando conseguem uma profissão condizente com seu tamanho, certamente é como segurança. Poderia ser no basquete, vôlei, atletismo, arremesso de peso, mas os meninos nunca são descobertos e direcionados, o que passa a ideia equivocada de que só no Sul tem gente alta. Eu e Ana já vimos “vários supostos atletas de times”, todos sob a forma de segurança de shopping, aqui na cidade.

                  Wagner conseguiu o Golden Globe, o Brasil conseguiu uma preciosa premiação, mas nem sei dizer se quando Wagner chegar, nós estaremos na rua aplaudindo seu trabalho porque não se costuma homenagear de uma maneira popular aqui – pelo menos a gente não vê o cara no carro dos bombeiros ou mesmo num trio pra cidade comemorar uma coisa sem festa vendida, como carnaval. Apenas sermos felizes. De graça mesmo. Sem precisar vender a festa pra uma cervejaria. É meio cansativo colocar a nossa alegria como parte da venda, enquanto a gente fica totalmente amassada em Ondina, sem ruas de escape porque as armações contra armas prenderam as pessoas na avenida cheia. Lotada. De dar medo.

                  Wagner, que ainda fala como o menino pobre do Centro Histórico - aquele que tem plena lucidez de tudo o que temos e não temos na Bahia e no Brasil, é trucidado muitas vezes nas redes, mas não pode mais ser invisibilizado. Mas tem milhões que ainda são - e ao mesmo tempo em que a gente fica tão feliz pelo Wagner, fica também meio triste porque se muda a política, tudo isso pode cair por terra de novo – como os seguranças de shopping, enormes, lá em pé nos corredores, que nunca tiveram uma única chance de viverem seu momento “Golden Globe”.

                  Não poderia nascer desse troféu uma política anti-invisibilização? O Brasil tem tantos talentos que vão viver a vida inteira em busca de uma porta, que eu não fico nada conformada em vê-los nas portarias, quando deveriam estar brilhando... igual a Wagner. Temos um vizinho que trabalha numa portaria, mas que faz triatlo, inúmeros seguranças que fariam times, recepcionistas que seriam modelos perfeitas, atrizes de talento e formação universitária dentro de departamentos. Ana Santos é uma caçadora de talentos em Portugal, mas nesse Brasilzão, nessa Bahia de meu Deus, quem caça os talentos e os orienta? Como ninguém pede pra que Ana mostre como se faz ou mesmo que faça ela mesma? Quem vê o que os políticos não estão vendo? Por que os políticos estão vivendo essa realidade paralela?

                  E o Golden Globe vai para... Wagner Moura! Mas tem tantos que poderiam engrossar essa fila, tantos!

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Quanto mais se esconde os problemas...” Bug Sociedade

O nosso mundo vai se deteriorando, mas a gente não vê, ou não quer ver, ou reza para não ser verdade. Quem de nós sabe ou recorda o caso do Mar de Aral, na antiga URSS, uma das maiores catástrofes ambientais, onde o desvio de rios para irrigação de algodão fez com que ele encolhesse drasticamente, virando um deserto salgado com cemitérios de barcos.

Ou o Lago Karachay na Rússia, extremamente poluído por resíduos nucleares, que também secou e foi selado com concreto para conter a radiação.

Ou a explosão da plataforma de petróleo semissubmersível Deepwater Horizon, nos EUA, que provocou a disseminação de uma grande mancha de óleo que chegou à costa da Louisiana e a outros estados.

Ou a maior catástrofe ambiental da costa galega, em Espanha: o afundamento e posterior derramamento de milhares de toneladas de fuel-oil por parte do petroleiro "Prestige."

Ou mais recentemente o "desastre do óleo" no Nordeste, que incluiu a Bahia. Um derramamento massivo de petróleo cru que atingiu o litoral brasileiro, em 2019, impactando praias, manguezais e comunidades de nove estados, sendo considerado um dos maiores desastres ambientais do país. Acontece que, resíduos desse desastre voltaram à costa novamente, no final de 2025 e início de 2026. Ou é outro assunto? Quase nada se sabe pela internet, pelas notícias nas televisões, mas as praias que estavam se recuperando lentamente, subitamente se encheram de novo de óleo, ou petróleo. A aparência é de muito côcô de cachorro espalhado na areia, mas o cheiro é de “óleo”, fortíssimo. Os siris, sempre vivos e fugidios, ficam parados, quase mortos ou mesmo mortos. Poucos são os que mantêm a sua vitalidade a fugir para as suas “tocas”. Em qualquer momento é horrível, mas aconteceu no momento em que a cidade está lotada de gente, curtindo todos os eventos, incluindo o principal, que é o Carnaval. É triste demais ver praias paradisíacas, cheias de côcô de óleo. Um desastre ambiental, de novo. Um desastre para o turismo. Um desastre para a nossa saúde. Algo que já nem é notícia, nem preocupação. Um silêncio que assusta.

Estamos a viver outros desastres por aqui. O desastre das crianças que vão para a escola sem comer, ou vão para a escola depois de comer aquilo que nem se pode chamar comida. Umas não comem por falta de dinheiro e outras comem mal por falta de informação e falta de educação cívica dos familiares. O chão das ruas em volta das escolas, fica cheio de sacos vazios de snacks. É o lixo voando e a saúde das crianças voando igual. Como é possível isto numa cidade e num estado com uma variedade impressionante de frutas. Infelizmente eu sei a resposta: as frutas são caras, os snacks são baratos. Uma tristeza.

Temos desastres latentes na forma como os motociclistas e os motoristas dos ônibus, dirigem na estrada.

Temos desastres latentes na propagação de notícias falsas, cada vez mais sofisticadas. Ou estamos super atualizados ou podem nos enganar tranquilamente.

E, por último, uma dúvida. Jornalistas surgem regularmente nas redes sociais criticando aberta e duramente os políticos. Os políticos respondem, nas mesmas redes sociais. E nada melhora na vida da população. Só fica este fala, fala. Isto pode ser considerado um desastre?

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Francisco Trêpa


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