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“COM 5X2 TALVEZ SOBRE TEMPO PRA GENTE PENSAR NO MUNDO” e “Faça algo, não assista apenas” Bug Sociedade

“COM 5X2 TALVEZ SOBRE TEMPO PRA GENTE PENSAR NO MUNDO” Bug Sociedade

                  O dilema ao redor da má vontade do Congresso de colocar em votação a diminuição de um dia de jornada de trabalho é retórico, afinal: não conheço nenhum CEO que tenha a obrigação de trabalhar 6 em 7 dias na semana e – pelo menos teoricamente - a cabeça deles é que pensa tudo o que uma empresa faz. Deveriam ter uma jornada de 7 em 7, por esse ponto de vista. Não deveriam viajar, nem ter casa de praia, ilha, casa na montanha, avião particular, não deveriam fazer anos sabáticos, nem nada que não se relacionasse ao trabalho – da ideia que sai da cabeça deles, dependem milhares de funcionários.

                  Os congressistas que temos – com poucas exceções – são fraquíssimos (o que me faz sempre me perguntar como conseguimos escolher de forma cada vez mais estupidamente próxima às claques que animam aos programas de auditório: fica ali um animador “puxando aplauso”, mesmo que seja porque “dá brindes”. E tem quem caia nessa!). Eles dizem que trabalham muito, mas honestamente - vemos, sabemos, intuímos que não é bem assim – pelo menos não é bem assim para todos os 513 deputados federais e 81 senadores, já que muitos “fazem de um tudo para lacrar”, mesmo que fazendo discursos “turbinados por aditivos” não nomeados. Mentir? A nova geração de brasileiros deve amar ser enganada porque consome mentira, dependendo da claque contratada para disseminá-la. Ela – a mentira, já ganhou toda sorte de nomes, que também são consumidos como se fossem possibilidades reais, coisas verdadeiras. O que é pós verdade, afinal? Não seria um sinônimo sem vergonha de mentira? Mas é dito como se fosse mais chique ou menos mentiroso do que assumir com coragem que a mentira corre solta.

                  Coragem também não é mais a prerrogativa principal da maior parte dos homens relacionados com o poder. Alguém imagina o presidente americano assumindo alguma coisa difícil para a América, com coragem? “Eu vi o Epstein com as criancinhas”, por exemplo? “Estava lá e vi”. Alguém imagina um político qualquer que tenha coragem de ir aos “bacanais em casas de praia, com prostitutas internacionais” e assumir que é “galinha”? Nem precisa ser perante a Nação! Pode ser assumir ser galinha em casa, mesmo! Algum cocoricó? Ninguém cantou de galo? Alguém que “caiu em tentação”, levando pra casa um saco de dinheiro, confessou?

                  Parece muito difícil imaginar que essas pessoas todas – tão “gabaritadas” – não saibam que cada uma dessas suas cortinas de fumaça feitas de mentiras é uma aula para as crianças que se acham mais fortes reforçarem nas escolas a prática do bullying – cada vez mais atroz, aliás, já que agora pode ser transmitido, filmado. As tão propaladas IAs não conseguem interceptar e tirar do ar as crueldades das redes sociais de imediato? Estamos emburrecendo e anestesiando as novas gerações em nome de quê, se nada leva a nada? Pegue uma passeata de direita e lá estará a bandeira de Israel – que está dizimando palestinos e a bandeira dos Estados Unidos – que está pirateando os Países mais fracos como um urubu carniceiro, dizendo que é para ajudar a democracia, enquanto todos vemos que se expulsa  atores de Hollywood consagrados, proíbe as universidades, censura as ciências dentro do próprio território, como pode apoiar democracias nos outros lugares? Mas é assim: eu olho Israel, vejo Bíblia e nunca me pergunto se Jesus afinal era ou não judeu, quem o matou, o motivo. Ele era conservador, se interpondo daquele jeito no apedrejamento da Madalena? “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”? Ele era conservador? Ele era conservador?

                  Todo mundo “da moral e bons costumes” – mas hoje, quem teria o Seu apoio? O empregado pobre que precisa levar seu menino ao médico, ao parque, à praia e que precisa de um dia para isso ou o CEO que vai de lancha pra sua ilha “desestressar”? Quem pode, quem tem meios de ser mais generoso? O pobre ou o milionário? Todo mundo “da moral e bons costumes” e ninguém fala uma palavrinha sobre os palestinos que continuam sendo mortos – agora o Netanyahu tirou todos os Médicos Sem Fronteiras, enquanto mete bomba na Palestina e no Irã, junto com os Estados Unidos. O tempo, a bomba, o tiro, a violência passando na janela, mas a nossa “Carolina” interior está anestesiada - nunca vê nada. Chico Buarque envelheceu e sua Carolina emburreceu, rolando eternamente a tela do celular.

                  Sociedade, entenda seu lugar. Na maior parte do tempo, você vai morrer muito mais do que matar. Nós somos a parte que morre no assalto, na violência urbana, no atentado. Os bilionários estão fazendo “bunkers”. E tentando escapar ou você vai se vender ou vender alguém, aceitando a regra do famoso: “Aqui é assim”... É o papel de Judas que a sociedade vai assumir? De omissão em omissão, silêncios, falta de perguntas... olhe para nós, olhe o que os juízes estão fazendo com estupradores de crianças, pelo mundo, o que os bancos estão fazendo com quem tenta defender nossas liberdades. Olhem.

                  O mundo está aí chamando a gente.

                  - Carolina, o tempo está passando debaixo da sua janela agora.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Faça algo, não assista apenas” Bug Sociedade

Estamos numa época em que tudo parece estar virando de cabeça para baixo. Comentários como “isto nunca foi assim”; ou “na minha época é que era”; ou isto devia voltar tudo a ser como era em determinada época”; e tantos outros mais são frequentes nas nossas mentes assustadas. Sempre pensamos que as coisas estão piores do que alguma vez na vida estiveram. Mas não vivemos na Idade Média nem vivemos o Holocausto, por exemplo. Não adianta dizer que noutra época era melhor, não adianta dizer que no passado é que era, não adianta achar que com as regras de outras épocas tudo seria melhor. Não adianta. Não adianta olhar para trás e buscar soluções que se aplicaram noutros momentos. Não adianta.

O presente é o que temos e o que temos é sempre totalmente inesperado, sempre totalmente incompreensível, sempre totalmente diferente. Podemos chamar nomes feios às pessoas que estão provocando guerras, invasões, abusos, torturas, ilegalidades. Não vai adiantar de nada. Seremos apenas pessoas falando – tudo ficará na mesma.

Todos sabemos que essa não é forma de resolver seja o que for – eles também sabem.

Criamos regras humanas que pensávamos que eram para sempre, mas essas regras já não são eficazes neste novo mundo. Temos visto como alguns líderes seguem passando por cima de uma lista interminável de regras não ditas que o mundo conhecia, aceitava e obedecia, sem necessitar de documento, tratado, acordo. Bom, isso acabou. E mesmo com tratados, acordos, organizações, as regras não ditas e ditas, também não são mais 100% seguras. Seja como for, não adianta nem apenas falarmos, nem apenas assistirmos.

 

As escolas se tornaram, ao longo dos tempos, lugares onde o bullying se desenvolve e se dissemina silenciosamente. Não se resume só aos alunos. Existe um ambiente de comparação, de competição, mais voltado a superar os outros do que a si mesmo. Isso atravessa professores, auxiliares de educação, familiares de alunos e os próprios alunos. A necessidade de cumprir metas, de ter boa avaliação, de nunca dizer que está cansado, de cumprir tarefas sem fim e sem limite, de querer as melhores médias, não acontece só com os alunos – abrange toda a comunidade escolar, toda a comunidade de empresas e instituições, todos os locais de trabalho que criaram a ascensão das carreiras por avaliações que já não parecem ajustadas à realidade do mundo de hoje.

Como os atletas que não sabem lidar com a derrota, ou com a vergonha de passar por momentos confrangedores durante o seu desempenho, a grande maioria destes profissionais e alunos fazem exatamente o contrário do que deviam fazer – vão diminuindo a imagem dos outros, apontando defeitos e fragilidades que possam “tirar, esses outros, do caminho da vitória”.

As crianças e jovens aprendem com os adultos – os observam mais ainda quando os adultos não percebem. É como uma cascata, porque os familiares “desabafam” sobre os colegas problemáticos, os professores e auxiliares de educação “também”, o que leva a que na hora em que o jovem precisa escolher a sua reação perante “um ataque” de bullying, por exemplo, escolhe repetir comportamentos de pessoas que admiram – se essas pessoas reagem com bullying ou assédio moral, eles repetem esse comportamento. São os que percebemos que fazem bullying porque sofreram bullying. E, talvez, os jovens que admiram pessoas que não reagem assim, que são educadas, que fogem desses ambientes tóxicos – mas que depois adoecem, deprimem ou vão se apagando na vida, ficando até inúteis socialmente – esses jovens, repitam esses comportamentos. Calam, aguentam em silêncio a dor, até, também eles, começarem a adoecer. Alguns podem até sentir que a melhor saída é “irem embora”, considerando que são um fardo, um problema, considerando que “saindo de cena”, melhorarão muito a vida dos que amam. Isto é assustador, preocupante e difícil de resolver porque, como a tortura, desaparecimento e morte na ditadura, é como se estivéssemos falando de algo que não existe, que se inventa, parecendo que queremos destruir o ensino. E não é nada disso, todos sabem, mas todos se mantêm em silêncio, todos seguem o seu caminho, para não se prejudicar nas avaliações, na carreira, no dinheiro que precisam para pagar suas contas.

Como algo que apodrece por dentro e ninguém fala, enquanto a podridão vai aumentando, até um dia cair, do nada. Problemas invisíveis, problemas não ditos, problemas proibidos. Um dia, chegam à tona.

Não tem outro jeito de resolver problemas, a não ser aceitar que existem, aceitar assumi-los, aceitar começar a resolvê-los. Aos poucos, passo a passo, não sozinhos, mas como deve ser a vida, através de uma experiência partilhada.

O Bullying/assédio moral precisará, um dia, ser criminalizado, não só nos alunos, mas criminalizado como um ato que mata silenciosamente. Existem vários níveis, que levariam a vários níveis de punição. Deve existir um limite, um sinal de “stop”. Os risinhos, os comentários depreciativos, por exemplo, também precisam terminar – em qualquer conversa, qualquer troca de palavras entre seres humanos. Temos muito para fazer, muito para ajudar os outros, por isso esse tempo gasto falando mal das outras pessoas precisa terminar. Utilizar as palavras para avançar, não para “empoçar”.

Vivemos outro tempo, outra época, outras regras, outros comportamentos, mas precisam ser todos de construção. Tudo o que é comportamento de destruição, de “abalo de estrutura” emocional de outros, “stop”.

Comportamentos de construção, utilização de palavras apenas para fazer coisas positivas no mundo, abertura de espaços emocionais para as pessoas falarem nos problemas que sentem existir nas organizações – sejam escolares, empresariais, familiares até – pensar em criminalizar o bullying escolar. E ouvir pessoas que possam nos ajudar a acreditar que somos melhores do que o que estamos mostrando ultimamente, enquanto espécie, como, por exemplo, Harrison Ford, Susan Sarandon ou o filósofo e historiador Howard Zinn.

“Ter esperança em tempos difíceis não é tolo e romântico. É basear-se no fato de que a história humana é uma história não só de crueldade, mas também de compaixão, sacrifício, coragem e bondade.” Howard Zinn

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Lorenzo Ghiberti


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