“DURMA-SE COM O BARULHO CONTRA AS VACINAS” e "A roda girou...campanha eleitoral começou..." Bug Sociedade
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“DURMA-SE COM O BARULHO CONTRA AS VACINAS” Bug Sociedade
Como sabem, peguei Chikungunya pela falta absoluta de higiene de um prédio com apartamentos triplex e piscinas privativas – sim, piscinas particulares, um luxo (isso, visto pela frente porque pelos fundos revelam um lixão que acumula os aedes aegypt que me atacaram e a todos os porteiros da minha rua).
Por indicação médica, preciso levar “minha chikungunya” para caminhar duas vezes por dia e todos os conhecidos da Rua Sabino Silva perguntam como vai evoluindo o meu longo, doloroso e penoso tratamento.
Vários moradores, meio que torceram o nariz quando falei e repeti que espero com impaciência o lançamento da vacina contra dengue e chikungunya, contrapondo conselhos como tomar cachaça, conhaque de alcatrão e todo tipo de beberagens estranhas. Mas como tudo em Salvador ou é patrocinado por bebida ou BET (quem não bebe, nem joga é porque tem o espírito forte), nem estranhei.
Até que ontem, comecei a estranhar. Um desses conhecidos levantou suspeitas contra a vacina. Nem realizei direito as falas. Fui amadurecendo o que ouvi no caminho. Então ainda existem ignorantes vivos advindos da COVID? 700 mil mortos não foram suficientes? Procurei na internet. E lá estava cheio de políticos, malfadados ignorantes, malignos e maliciosos copiando, como sempre fazem, as ignorâncias malfadadas inventadas pelos norte-americanos, pilotados pelo malfadado-mor – Donald Trump. Políticos com milhões de seguidores que têm a ousadia de mentir, a cara de pau de passar a perna nos seguidores – pobres macacos de imitação que apenas seguem cegamente a qualquer pessoa que grite, bata no peito e pague robôs para disseminarem suas mentiras – e que agora afirmam e reafirmam que “vacina dá enfarte”. Não esquecendo que antes foi inventado que pela “agulha da vacina se injetava um chip, microchip ou nano chip no nosso sangue” (muitas versões malucas), que nós deveríamos nos socorrer “clamando pela ajuda dos Ets” (aquela que põe o celular aceso na cabeça) ou ainda que alteravam o “magnetismo corporal”, alteravam o DNA”, “transmitiam o HIV” ou mesmo que nos “transformavam em jacarés”. Jacarés, imaginem... E acreditaram nessa baboseira, só porque ela foi dita e repetida nada mais, nada menos, do que pelo ex-presidente do Brasil!
Assim, cá estamos. E depois de termos posto fim ao sarampo no Brasil inteiro, com o que nos confrontamos, em São Paulo? Sarampo de novo! Daí nasceu a volta dos “políticos influencers” falando da nova versão “vacina e enfarte”. Perceberam? Não querem que as pessoas vejam a doença que está na cara delas, contagiando agora incautos paulistas!
São fatos da vida, senhores. A ignorância mata por cachaça, por mentira repetida, por ignorância e por falta de vacina. Quando morrer alguém, espere - vai aparecer um religioso qualquer dizendo que “Deus levou” – uma boa forma de meter a culpa no “Costas Largas favorito” das pessoas!
Durma-se com um barulho desses.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
"A roda girou...campanha eleitoral começou..." Bug Sociedade
No domingo iniciaram os debates, em cada estado, os candidatos a governadores se enfrentaram. Aqui na Bahia, os que têm mais expressão, ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, lá ficaram falando do que são capazes, do que já fizeram, do que vão fazer se forem eleitos.
É cansativo assistir a tanta palavra, tanta encenação, tanta promessa. Como uma peça de teatro, onde cada um se apresenta enquanto personagem, vemos que tudo foi preparado, ensaiado, pensado. Se há uns anos isso nos dava a sensação de que o candidato era responsável e se preparava bem para as suas funções, agora fica uma sensação de que estes debates não trazem nada de útil porque aquilo é apenas uma peça de teatro que nada tem a ver com a realidade. Que pena! Assistir a uma boa peça de teatro, baseada numa obra famosa, nos ensina a olhar o futuro e quem somos com coragem, inovação e determinação, mas nestes casos, não aprendemos mais nada senão como saber o que dizer para mostrar que sou melhor, para provar que sou o capaz, que comigo tudo se vai resolver.
Dando uma pesquisada simples no google, me surgem 4 das primeiras obras de teatro que são avisos em relação ao poder, ao orgulho, à ética, à ambição:
""Os Persas" (472 a.C.) de Ésquilo: A peça mais antiga do mundo. Mostra a queda do líder Xerxes após uma derrota militar, debatendo os limites do orgulho e do poder absoluto.
"Antígona" (441 a.C.) de Sófocles: Retrata o choque entre a lei do Estado, representada pelo rei Creonte, e a ética pessoal. Mostra os erros de um governante orgulhoso.
"Júlio César" (1599) de William Shakespeare: Analisa a ascensão, a ambição política e o assassinato de um líder romano, além das consequências para o Estado.
"Henrique V" (1599) de William Shakespeare: Examina a transformação de um jovem rebelde em um rei estratégico, corajoso e inspirador em meio a uma guerra." (trecho retirado do google)
Andamos sempre à volta do mesmo. Ou sempre com a esperança de que algum dos candidatos seja finalmente o salvador, o perfeito, o sincero, o correto, capaz de resolver tudo o que está errado e de manter tudo o que está bem. Tentamos acreditar nisso, queremos acreditar nisso, mas estes debates nos derrubam qualquer sonho, qualquer expectativa, qualquer desejo. Tudo igual, tudo a mesma coisa, tudo se resume a quem consegue dizer que é melhor, mais capaz, um confronto entre duas pessoas e seus valores. O homem que veio de berço de ouro e o homem que veio do mundo da dureza. Aparecem todos com um ar perfeito, com as palavras certas no momento ideal, mas os nossos impostos continuam a ser gigantes, quanto menos dinheiro temos menos proteção sentimos e menos saídas vemos. Nenhum é capaz de assumir que existem assuntos muito difíceis, assuntos que necessitam da ajuda de todos, assuntos que precisam se tornar visíveis pois fazemos de conta que não existem, e assuntos que são tão importantes e sensíveis que nem deviam ser considerados temas eleitorais - como a criminalidade, a violência, a violência contra a mulher, contra a população lgbtqiapn+.
Quando vamos ver e ouvir candidatos falarem e se articularem pelo estado da Bahia? Todos colaborando, quem foi eleito com quem virou "oposição"? Não oposição no sentido de atrapalhar, mas no sentido de alertar, de vigiar, de estimular, de mostrar outros pontos de vista, sempre com objetivos em direção ao bem estar da população e à sua qualidade de vida. Para todos, todos, todos. Um, o eleito que faz e deixa um começo para o que vem continuar? Porque tudo tem de ser ego, poder, iniciar tudo sempre que se inicia um novo mandato? Já nem falo na dança das cadeiras, de funcionários, de cargos, pois não basta manter o mesmo partido com outro candidato que as cadeiras dançam de novo. E isso vemos em todo o lado. Os lixeiros, por exemplo, não ficam na mesma rua muito tempo, nem ficam com o mesmo encarregado. A estabilidade é considerada perigosa? Nunca tinha visto isso. Sempre aprendi que a estabilidade ajudava, permitia que o desenvolvimento avançasse para etapas mais desafiadoras. Mas parece que estou enganada. Como sempre digo, mudar de país, muda a gente, mudar de continente, muda muito mais, mas mudar de hemisfério, te vira o mundo de cabeça para baixo.
Um simples problema de esgoto, num prédio, demora anos e necessita o envolvimento de imensas instituições para tentar ser resolvido - demora muito mais a resolver. Sendo este um de muitos problemas numa das ruas de uma das cidades, o que vai mesmo melhorar no Estado da Bahia, o quarto estado do Brasil com mais população - 14.141.626 pessoas - seja com um ou outro candidato, que já conhecem tão bem os cantos da "casa" e já sabemos bem das suas capacidades e fragilidades?
Como queremos acreditar que algo vai melhorar, como precisamos acreditar, como é tão necessário e urgente tanta melhoria...
"Para William Shakespeare o poder absoluto afasta o governante da moralidade, gerando uma cegueira ("hybris") que inevitavelmente colapsa o tirano e o próprio reino."
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: Van Gogh
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