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“DITADURA NUNCA MAIS” e “As surpresas da vida” Bug Sociedade


Ritchelly Oliveira

“DITADURA NUNCA MAIS” Bug Sociedade

O Rio é lindo, talvez o estado mais sofisticado do Brasil, mas isso não o impede de sofrer atrocidades. Salvador pra mim, teve sempre o ar de Gabriela, aquele charme nativo, meio com cor de pantera, com pessoas cheirosas, de banho tomado e cabelo molhado, andando de manhã cedo pelas ruas da cidade – mas isso não apaga o nível de sofrimento de ter que se recriar progressista, depois de ter sido escravizado – a emoção tem a marca estampada.

O que falar da dor da ditadura? O que falar de terem achado que Deus, Pátria e Família combinavam de algum modo com morte, tortura e falta de liberdade e democracia?

Quando eu penso na ditadura, imediatamente lembro de Stuart Angel. Quem prega Deus, Pátria e Família se lembra, nem que por um lampejo, de que um jovem intelectual brilhante teve a boca colada no escapamento de um Jeep do exército que o arrastou pelo estacionamento porque por fidelidade, não quis delatar seus amigos? Colar a boca de alguém num escapamento de automóvel lembra alguém da existência de um Deus?

Sua mãe – Zuzu Angel – como era de esperar de todas as mães - já que falamos de Deus, Pátria e Família - aproveitou que era jornalista de moda e denunciou a atrocidade – você, mãe, dentro desse conceito, repito, de Deus, Pátria e Família não moveria céus e terras? Bem, ela moveu. Ou tentou mover. Num belo dia, dirigindo em São Conrado – um lugar que serpenteia a encosta pedregosa do mar – foi “fechada” e arremessada morro abaixo, rumo ao mar.

Num dia como o de domingo, onde se comemorou a Páscoa, juntamente com o aniversário do sexagésimo terrível e nefasto ano do golpe militar que deu origem à ditadura no Brasil – não revolução, essa palavra deturpa o sentido do que houve – porque o que houve, foi um golpe de estado - precisamos nos lembrar de colocar pelo menos os pingos nos is  e não podemos seguir como criancinhas “perdoando e esquecendo”, quando a autoridade daqui, “prende, bate e mata” porque se acha livre das mãos da justiça. Por isso, exatamente, dia 8 de janeiro do ano passado tentaram novamente, os aventureiros do mal.

A complexidade da beleza da qual falei entre Rio, Salvador e as demais cidades do Brasil, envolve o fato de que nada pode ser bonito com pessoas que acreditam que podem infligir esse tipo de dor em quaisquer outras, por quaisquer motivos – mesmo os políticos.

Há poucos anos, a Polícia Rodoviária Federal envenenou um homem com gás, dentro da viatura, porque achou que tinha o poder de falar sem ouvir; um segurança de mercado matou um homem no estacionamento, em São Paulo – este por sufocamento – porque achou que tinha o poder da vida e da morte. Esse mesmo São Paulo, em uma única operação da polícia, já matou mais de 50 pessoas, incluindo uma mãe de seis filhos pequenos – porque achou que tinha o poder da indiferença social e da vingança como resposta. Tudo nasce da frieza capaz de escravizar, prender, torturar, matar – de se sentir melhor que os outros, acima dos outros.

Ser conservador não é ser adepto ao assassinato livre, a céu aberto, creio eu.

É isso – exatamente isso – o que precisa acabar no Brasil. Essa é a origem do mal que nos aflige. Queremos ser melhores, superiores, quando podemos ser diferentes. Charmosos, cheirosos, da cor do cravo e canela, balançando os cabelos molhados, fazendo moda, andando seminus, na praia – diferentes. Igualdade é o espaço para sermos diferentes e felizes.

Mas livres. Democraticamente livres.

Por isso e mais tanta coisa... Ditadura, nunca mais.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“As surpresas da vida” Bug Sociedade

Gal Costa, um dos maiores nomes da cultura brasileira, muito querida no Brasil, em Portugal, no mundo, morre em circunstâncias familiares confusas e muito tristes. A empresária afirma que elas eram um casal, o filho diz que elas não eram um casal e que brigavam feio, todos os dias. Não sei se a sociedade saberá, algum dia, o que viveu Gal, se foi feliz, o que teve de lidar, aguentar, sofrer. Sabemos que Gal era muito discreta, muito intensa, muito suave, publicamente. Imaginar que teve uma vida turbulenta e agitada, é bastante triste e preocupante. Não sei se o filho alguma vez saberá toda a verdade. Também não sei se alguma vez o mundo vai saber se o que Wilma Petrillo fala foi o que realmente aconteceu. Assistir à reportagem do Fantástico, entrevistando Wilma e Gabriel, deixa o nosso coração amassado. Que ambiente tinha aquela casa? Quais são as verdadeiras razões e os verdadeiros sentimentos das pessoas que rodeiam os famosos? Os famosos “creme de la creme”? Nós os comuns mortais nem sempre percebemos quem fica junto de nós nos bons e nos maus momentos. Também temos dificuldade em perceber os verdadeiros sentimentos das pessoas que nos rodeiam. Mas os famosos “creme de la creme” vivem isso num nível muito mais profundo, mais triste e mais desolador. Gal, que nos fez e fará sempre tão felizes a todos, por tudo incluindo ao ouvir a sua voz, merecia melhor. Ou isto serve para nos alertar sobre a horrível “normalidade” da maldade humana. Se não ouviu a reportagem, deixo aqui.

A justiça espanhola, mantêm preso um suspeito de estupro, e bem. Após o julgamento, quando o suspeito é acusado de estupro, a justiça, em troca de muito dinheiro, permite liberdade provisória. Acho que preciso que me façam um desenho porque não entendi. Quem tem dinheiro pode tudo? A mensagem para a sociedade é, ganha muito dinheiro e poderás fazer o que quiseres? Acho que estou a envelhecer e rápido.

Domingo foi um dia cheio de jogos de futebol. É urgente perceber que os jogadores brigam com demasiada facilidade. Que quando competem, em cada jogada, na maioria das vezes parece uma luta por poder, uma luta de orgulhos e egos. Um segundo de briga normal de futebol, vira uma briga séria e perigosa entre pessoas que aparentam destilar ódio. Nas ruas, as pessoas brigam num segundo, mesmo sem você fazer nada. Foi porque olhou para mim, ou porque não me olhou. Tudo é razão para ir até às últimas consequências. Um dia estava num restaurante e um homem dirigiu-se a mim perguntando de que país eu era. Quando eu comecei a responder, ele de imediato me avisou que sua namorada vinha na minha direção para me bater. Eu realmente vi uma mulher, jovem, bonita, saindo de um carro, vindo na nossa direção. E quando ela chegou, ele a segurou enquanto eu dizia sorrindo que seu namorado me tinha abordado para saber de que país eu era. Penso que o que me safou foi estar acompanhada e realmente estar respondendo ao que me perguntou esse estranho. Ainda hoje não entendo o que fiz de mal. Ainda hoje não entendo que relação de confiança e de amor têm casais que, em situações semelhantes, partem para a briga. Só sei que se tivesse levado um soco daquela jovem, tinha ido direto para o céu...ou... A violência está rolando solta em todas as direções. Os grupos sociais, de maior destaque e visibilidade – jogadores de futebol, políticos, famosos, forças de segurança, precisam entender que podem ajudar, e muito, a inverter esta tendência bizarra e extremamente preocupante. Em vez de ajudarem a piorar. São visíveis, são importantes e devem utilizar esse lugar na sociedade para ajudar, não para piorar.

Enquanto isso, Donald Trump, aproveita a Páscoa para comercializar Bíblias Patrióticas. Quando a gente acha que já viu tudo...não viu é nada...

Ana Santos, professora, jornalista

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