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“Como uma onda” Bug Sociedade


Fotografia de Dorothea Lange (1985 - 1965)

“DUPLA PERSONALIDADE” Bug Sociedade

Você olha para as pessoas, a forma como elas convivem entre si e de repente a verdade lhe cai como um raio: tudo aquilo que tem sorriso e alegria pode ser verdade ou mentira. Você não sabe e é fácil ser enganado por sorrisos não sentidos. Ou por sorrisos verdadeiros que, em seguida, viram cobranças cotidianas por rotina, por princípio.

O que você é por dentro, se reflete no que se percebe de você, por fora? Com Facebook, Instagram, o que os outros estão pensando de você, o Youtube, o TikTok, selfie de comida, sorrisos, joguinhos, selfie no espelho do elevador - você consegue essa sinceridade de se mostrar por dentro como se mostra por fora?

Seu sorriso é verdadeiro ou apenas marca espaço em seu rosto? Você vive qual vida? Aquela onde sorri ou aquela onde você recrimina quem sorriu? Que palavras está usando? Usa palavras delicadas com todos ou há os que recebem boas palavras e energias para que os outros recebam as cargas, as intrigas?

Quando se olha a sociedade, o que vemos nela? O que está ali, sem hipocrisia, sem retoques? Quem você é quando as cortinas fecham e a luz se apaga? Tristemente, vejo cada vez mais rostos crispados frente a frente. Nada de conversa, entendimento, negociação. Nada de troca. E o mundo, que antes produzia solitários, agora produz isolados que fingem solicitamente delicadeza por sons incompreensíveis: “Own, uou, uau, uow”, mas que não se interessam pelo sorriso real, em se entregarem ao divertimento, às pessoas, ao convívio humano. Melhor culpar.

Falando menos, guardando silêncios reais cada vez maiores porque é no celular onde as conversas acontecem, lá está você fingindo que é o que não sente ser, sendo gentil quando quer dizer que está chateado ou ofendido. E como não fala, nunca vai saber se o que pensa é a verdade ou se seu pensamento crítico corrompe a percepção da risada porque decidiu ver a humanidade com tanta crueza que não lhe dá chance de ser, mesmo que por um momento, alegre, doce e inteligente.

Que mundo se ensinou, afinal? Aquele onde as pessoas convivem e riem, se divertem umas com as outras ou onde “quem não sabe brincar, não desce pro Play”? Porque é uma percepção. Qual vai ser a sua? Por qual caminho quererá seguir? Isso será a sua vida, a sua missão – ter esperanças no mundo, sorrir sempre que for possível ou entregar os pontos que faltam, dizendo que a culpa é dos outros – os que sorriem pra vida.

Essa pergunta pode mudar o mundo, o ambiente, o ar, a convivência, a forma como amamos. Quem você quer ser no mundo novo? O fingidor que culpa ou o que se expõe?

Pense nisso.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Como uma onda” Bug Sociedade

Onde você vive? O que vê? O que lê? O que sabe e o que pensa do mundo? Você acha que sabe tudo não é? Que está “a par” do que se “passa”. Sei como é. Os jornais, as televisões, as redes sociais e as pessoas que se cruzam ou que fazem parte da sua vida te deixam “conectada” e segura. E você vive numa relativa paz porque acha que sabe onde está e sabe como o mundo e os humanos se podem salvar. E vive seus dias animada e confiante tentando fazer a sua parte. E se eu te disser que é tudo uma ilusão? Que tudo parece verdade, num mundo onde cada vez se sabe menos o que é a verdade? Se você viajar, por exemplo, para o Japão, você verá muito de um mundo que só chegará ao interior do seu país, seja ele qual for, daqui a uns 20 anos. Você acende a luz de casa com seu dedo, mas o seu vizinho já acende a luz de casa falando com a “Alexa”. A Inteligência Artificial já está entre nós há mais tempo do que julgamos e nós achando que nos estamos a preparar para a sua chegada. O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas de vez em quando nos alerta, nos assusta, nos avisa, sobre o clima, sobre a fome, sobre os conflitos. Mas o que ele pode fazer? Alguém o ouve? O verão na Bahia, em África, na Ásia, é muito quente, mas o verão da Europa, está ficando assustador – tanto na temperatura, como na falta de humidade/umidade – e as pessoas, suas casas e seu modo de vida não se está adaptando ao que é e ao que vai ser. E como adaptar quando a vida na Europa está ficando cada vez mais difícil? Se você tem contas cada vez mais altas de eletricidade, água, o combustível cada vez mais caro para o carro ou para os transportes que você utiliza, se não sobra muito dinheiro para comer, como tem dinheiro para melhorar sua casa, sua roupa? Na Bahia, 24 graus, é frio rigoroso. As pessoas querem sopa, se agasalham. E se os 24 graus se transformassem em zero graus? Como seria a vida dos baianos? Dava para adaptar as casas, a forma de viver? Penso que concordam que também seria difícil e preocupante. Basta olhar as casas das comunidades que nem têm reboco, muito menos tinta – é um mar de tijolo sem fim. Na Europa, os ataques a escolas, atentados, crimes, sabem-se nas notícias. Cada situação é um horror para quem assiste. No Brasil, isso é tão frequente, que uma pequena percentagem chega às notícias e o resto vamos sabendo em conversas. Como se a probabilidade de te acontecer algo na Europa se veja como um “estar no lugar errado na hora errada” e no Brasil você viver aliviada pelos segundos em que nada acontece perto ou com você.

A Arábia Saudita é quente, muito quente. E está mais quente ainda com o mundo do futebol a concentrar-se ali – o cheiro dos milhões é difícil de recusar, mesmo para os milionários, mas temo que as consequências futebolísticas e pessoais de quem está aceitando viver naquela zona do mundo, aceitando as regras muito particulares e muito discutíveis, sejam moralmente desastrosas. Falo de futebol, mas todas as modalidades e seus atletas estão cedendo há vários anos aos convites para torneios, à facilidade de comprar ouro e diamantes muito baratos, às propostas de negócio – Golf, Tênis, Voleibol de Praia, etc.

Este final de semana, teve jogo entre Palmeiras e Flamengo e uma torcedora do Palmeiras, de 23 anos, foi atingida por uma garrafa, numa confusão fora do estádio. Duas paradas cardíacas e acabou por morrer no hospital. É preciso retirar os criminosos do mundo do Futebol, urgentemente. O Futebol e bebida, é um negócio bom só para quem vende; o Futebol e brigas, é um mundo que tem crescido e que se tornou um monstro que dá espaço a criminosos fazerem o que lhes apetece contra quem lhes apetece. E o acaso fica tomando conta das nossas vidas.

Pierre de Coubertin deve estar dando cada “volta na tumba”...

O Brasil está pedindo doadores de sangue, acho que o mundo inteiro está pedindo. A cantora Ludmilla fez uma parceria com HEMORIO e quem doasse sangue teria ingresso gratuito para o seu show. Bateu todos os recordes no Rio de Janeiro. Ainda teve a gentileza de oferecer ingressos aos funcionários da HEMORIO. Um pequeno gesto, uma ajuda incrível. Que lindo! Tantas pessoas famosas poderiam fazer algo parecido. Ao mesmo tempo, Eduardo Bolsonaro faz um discurso inacreditável comparando os professores - que ele apelida de professores doutrinadores - a traficantes e ainda consegue ter a coragem de dizer que talvez os professores doutrinadores sejam piores do que os traficantes. Ele quer armas, mas talvez fosse importante algum professor doutrinador lhe ensinar que “a cantiga é uma arma”, “ter conhecimento é uma arma”, ser honesto, generoso, ter compaixão, são armas, mas armas que constroem, não armas que matam. A educação, a formação são as armas mais poderosas de um país, são o que determina seu futuro, seja ele qual for. Quando o povo tibetano teve de fugir do seu país, para não morrer (100 mil conseguiram escapar) – mesmo assim morreram 87 mil – muitos foram para a Índia. Nessa época, muitas crianças tibetanas viviam nas ruas da Índia e Dalai Lama pediu a Jawaharlal Nehru, Primeiro Ministro da Índia na época, para permitir que essas crianças pudessem ir à escola, pudessem aprender, dizendo que um povo nada é sem a educação e que as crianças são o futuro de um país. E Nehru aceitou e criou várias escolas para os tibetanos. Salvou o Tibete porque manteve a informação, a cultura, a sabedoria, a educação. O Brasil precisa urgentemente de caminhar no sentido de valorizar a classe docente, de melhorar as suas condições de trabalho e de vida, de proporcionar acesso ao conhecimento cientificamente atualizado, para que as crianças possam usufruir de um ambiente adequado, com profissionais preparados e em boas condições humanas, para poderem ser o melhor de si próprias. O futuro do Brasil depende muito disso e o Brasil tem condições financeiras para fazer isso. Cada dia que passa sem nada fazer, é facilitar o perigo, a violência, a fome, a desinformação, o conflito, o terror.

Nunca temos tempo hábil para fazer tudo o que precisamos e deveríamos fazer. Olhamos para tudo isto e para o tempo que temos e nos assustamos. Mas talvez Pablo d’Ors nos dê uma ajuda preciosa, a de olhar para dentro de nós, como ele sabe tão bem explicar e ensinar. E, do outro lado do espectro, ouvir Leo Ferré, falando do tempo que passa, ou ouvir Barbara Tinoco, na sua juventude, sendo capaz de falar o que todas já vivemos mas não conseguimos escrever, nem dizer. Seja o que for, a vida e o mundo como as ondas, umas mais fortes, umas mais suaves e de vez em quando, ritmicamente, um tempo de calmaria, até tudo se repetir de novo e de novo e de novo. O bem e o mal.

Ana Santos, professora, jornalista

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