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“TIROS DENTRO E FORA DA TV - QUERO SENTIR CHEIRO DE JUSTIÇA” Bug Sociedade


Berenice-Abbot - Denver Art Museum

“TIROS DENTRO E FORA DA TV - QUERO SENTIR CHEIRO DE JUSTIÇA” Bug Sociedade

Bem, sou carioca. Conheço muito bem a virulência dos Comandos e a ausência da capacidade do Estado de reagir. Conheço como qualquer carioca a “novela dos condomínios fechados” e sua pseudo sensação de “status”, prolongada pela grana pra ostentar a “blindagem de carros”. Todos os cariocas achavam tudo isso “muito chique”. Zona Oeste e Zona Sul, Barra da Tijuca, Gávea, Leblon, São Conrado e o metro quadrado mais caro, na Vieira Souto, Ipanema.

Todo mundo protegido, pelo menos nesses bairros, ufa! Que nada! Ninguém se protege da falta de segurança. O Estado precisa ser apoiado por todos nós para que as comunidades e todas as camadas sociais se sintam seguras, afinal. Não é só apoiar quem sobe no helicóptero pra dar tiro.

É falso que as pessoas podem se isolar pela estúpida sensação de “Status social” - que a bala perdida, aliás, atravessa num piscar de olhos. Aliás, outra novela velha: Eu saí do Rio de Janeiro há mais de vinte anos porque passei no meio de um tiroteio e achei isso anormal. A partir daí, venho repisando que é inútil condomínio fechado, shopping chique, bairro rico, escola cara e que deveríamos nos unir em torno de uma superestrutura social onde caibamos todos. Comunista, você vai dizer – agora tudo o que discorda é comunista. Mas não. Apenas só temos, aqui o Brasil, essa única bala de prata. Vamos sobreviver juntos ou então os ricos e os que se acham ricos (porque têm uma SUV), a classe média e os mais pobres estaremos em perigo. Todos juntos. Ninguém escapa de virar refém e principalmente, ninguém escapa de tiro, bala perdida, granada – e graças ao governo passado, o que não falta aqui é arma, fuzil e granada.

Quem sabe com o problemão da tentativa de invasão do nosso estado e a forte reação da polícia – experiência carioca, gente – é guerra, podem acreditar – nós possamos começar a rever as ações repetidas e colocar coisas novas no lugar?

- Não existe lugar de pobre e de rico, esqueçam isso. Todos nós precisamos de segurança e principalmente, não podemos deixar o Estado perder a guerra.

O que é perder a guerra?

- Deixar as comunidades expostas e os bandidos se isolarem por barricadas; o Estado precisa estar presente em todos os lugares. Ele precisa querer estar presente.

- Estar presente não é ser violento, é atender as pessoas com serviços essenciais.

O que é estar presente?

É não permitir que as pessoas sejam isoladas de atendimento de saúde, escola, gás, luz, internet, operadoras de celular, esgoto, etc. Só isso? Não. Todo esse atendimento precisa melhorar muito pra atrair a classe média e botar “invejinha” nos ricos. Nada de mesas especiais e peruíces tecnológicas; vamos de cursos técnicos de alta qualidade, alta tecnologia, estimulação da linguagem oral desde o jardim de infância e trabalho forte de coordenação motora e psicomotricidade para que a criança esteja pronta para a alfabetização. Nada de resumir o problema; vamos mudar hábitos dos pais para que conversem com seus filhos. E nada de celular a torto e a direito.

E os tiros? E o bordão “bandido bom é bandido morto”? Se ninguém precisar roubar galinha do mercado pra comer e não ser preso por ser preto, pobre e ter um “baseado na mochila”, começamos a “guardar a cadeia” para os realmente bandidos. Isso, isso, isso!


Estamos longe da justiça, onde estamos. O resto, é novela velha. Já vi todos esses capítulos.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Quanto aceitas sofrer, quanto aceitas crescer?” Bug Sociedade

Envelhecendo nos fazemos perguntas que não fazíamos. O que viemos aprender? O que é importante? Porque é tão difícil perder as pessoas que significam muito para nós? O que é viver e qual a sua importância quando perdemos tudo o que é importante? Porque tentamos aprender tudo o que nos é possível, mas que é supérfluo e quando a morte chega, nada sabemos e temos de aprender tudo que realmente é fundamental de supetão?

Ficamos presos na superfície das coisas, nos comportamentos ligeiros. Bill Beswick, um renomado psicólogo esportivo e ex-treinador, refere que as pessoas que têm alto desempenho enfrentam todos os dias estas perguntas: queres ser uma “pessoa que avança e enfrenta os desafios ou uma pessoa que fica abaixo da linha e evita desafio? Que tipo de pessoa queres ser? O que queres? Quanto queres isso? Quanto aceitas sofrer?” Acho que é claro para todos que resposta diária dava Martin Luther King (1929-1968). Ou Mahatma Gandhi (1869-1948). Ou Clarice Lispector (1920-1977). Ou Fernando Pessoa (1888-1935). Ou Joana D'Arc (1412-1431). Ou Jingū Kōgō (169-269). Ou Sor Juana Inés de la Cruz (1651-1695). Ou tantos e tantas outras. E também é claro que foram pessoas que sofreram muito e algumas só foram reconhecidas após sua morte.

Acredito que todos nós nos damos as mesmas respostas, em quase todos os dias, mas não em todos. Isso parece fazer muita diferença. Esses recuos e avanços que cada um de nós “se permite”, esses “descansos”, esse “ouvir” os outros e não nos ouvirmos e pararmos ou mudarmos de direção, esses medos que voltam quando estamos distraídos, essas decisões sem sentido que tomamos quando pensamos “saber tudo” ou achamos que estamos com “sorte”, ou julgamos ser imortais. Tudo isso atrapalha, atrasa, troca a direção. Michael Phelps, imaginava que enchia todos os dias seu peteiro ou porquinho, não com moedas como fazíamos em crianças, mas com treino, esforço, enfrentamento dos desafios. Colocar todos os dias a “moedinha” no porquinho fez com que ele se construísse, por fora como vimos, mas principalmente por dentro – inabalável e histórico. Fez o que ninguém fez, como as pessoas que referi acima. Nenhum veio repetir ninguém. Todos fizeram o que vieram para fazer. Bob Dylan, o único Nobel da Literatura cantor e compositor, foi e é sempre um homem muito incômodo para a sociedade. Responde o que sente. “Agitou e agita os EUA e os anos”, como comentou Gregory Peck em 1997, agita os mundo e nossas cabeças. Numa entrevista de 2022, ao “60 Minutes”, afirmou que desde menino sabia que tinha de ir em busca de fazer algo único. Que ia ser uma lenda da música. Sentia isso. “É um sentimento de que você sabe algo sobre si mesmo que mais ninguém sabe. Uma imagem muito clara do que você vai alcançar.” Decidiu nunca dizer a ninguém por ser “um sentimento tão frágil que alguém o podia matar – o sentimento - e por isso decidiu mantê-lo em silêncio dentro de si”. Ao mesmo tempo diz que não sabe como foi capaz de escrever algumas letras das canções mais famosas. E que foram momentos mágicos que já não consegue repetir.

Acredito que todos, em algum momento das nossas vidas, percebemos o nosso destino. Mas parece que umas vezes esquecemos, outras vezes não queremos ter o trabalho. Simplesmente travamos o “nosso voo” em lugares inesperados, e por vezes patéticos. São esses travões que precisamos resolver o quanto antes, sob pena de termos de resolver, o que viemos fazer, sofrida e tortuosamente nos tempos finais da nossa estadia por aqui. Ou não os resolver.

Acredito que não existe “não gostar” por cá. Acredito que seja uma criação humana de consumo social. Durante quase toda a nossa vida, percebo agora, nos guiamos pelo que gostamos ou não, de quem gostamos ou não, o que queremos e não queremos ser, ter, ver, sentir, aprender. Até perceber que isso nada significa. A vida nada te pergunta. Tamara Klink fala isso do Mar, que ele não reage de uma forma porque você é feminino ou masculino, americana ou asiática ou africana, se entende ou não de barcos, se sabe nadar. O Mar faz, o mar é e você tem de tratar de si. Talvez a vida seja um pouco assim. Ela te dá um dom e te abre a porta. Colocamos a moeda no porquinho todos os dias ou só de vez em quando e as respostas que damos às perguntas que nos devemos fazer todos os dias, segundo Bill Beswick, nos darão a sensação de glória ou de vergonha. No nosso coração, na hora da partida.

Ana Santos, professora, jornalista

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