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“A COVARDIA DOS “TONTOS”” Bug Sociedade

Foto retirada do site ESPN

“A COVARDIA DOS “TONTOS”” Bug Sociedade

É terrivelmente insuportável ainda termos que aguentar – sendo um dos Países mais miscigenados do mundo – essa baixaria de ouvir pessoas que se acham mais brancas nos chamarem de monos – macacos - e depois fugirem – como bons covardes que são – gritando: tonto, não mono!

Já são 3 séculos do fim da escravatura no mundo – o Brasil, não esqueçam, foi o último País a se livrar dessa vergonha – e as pessoas continuam insistindo em ferir o mesmo lugar e de novo e de novo e de novo... A mim, me dá nojo extremo.

Vinícius por acaso – ou não - é brasileiro. Dramaticamente craque de bola. Está sendo caçado em campo, não pelos outros jogadores, não pelos adversários – mas pela torcida que resolveu ofendê-lo, ataca-lo, agredi-lo com ofensas racistas. Seu “possível” crime: dança ao fazer gols, não aceita ser o agredido sem reagir – a maior parte das vezes dançando.

Quem ofende se sente um idiota preconceituoso, sente vergonha e asco por si mesmo? Sente a covardia por esconder-se em meio a milhares de outras vozes? Não. Mas espero muito que se sintam assim em algum momento breve.

Ser racista coloca o ofendido numa situação inferior? Não nesse mundo. Não nesse novo modo de ver a vida. Mas se a Espanha continuar a ofender, as novas sociedades vão apontar, denunciar, clamar, apontar, embaixadas entrarão na conversa, a polícia, a justiça, a lei – até a vergonha na cara amarelar as bocas racistas podres.

Aqui na nossa terra existem muitas bocas racistas podres que podemos aproveitar a levada para apontar, denunciar, prender. Porque é preciso dar um basta e a hora de fazer isso já passou, estamos atrasados. E, a começar do Brasil: Chega! Aqui, muito mais do que no mundo, no lugar onde as cores se confundem, onde as peles têm mil tons e semitons de “café com leite”, o som das vozes dizendo chega precisa ser aprofundado para a pobreza, para o descaso, para a invisibilidade social – que costuma ser preta.

Vini aponta para a visibilidade, para a graça e a alegria que ele é, que somos e temos. Somos todos meio pretos, cor de mil cafés com leite misturados entre indígenas, negros e brancos. Somos árabes, orientais, somos com quem nos misturaram/misturamos, somos brasileiros altivos e altaneiros.

Esses que gritaram, se sentem diferentes e são diferentes – são mal educados, racistas e desprezíveis. Isso não é diferença racial, mas de caráter. São piores, mais nocivos e precisam ser mostrados como são. Querem nos fazer de tontos ao nos chamarem de tontos, mas o tempo das mentiras já passou.

Nos telões do mundo, “puxem o zoom in” da torcida desprezível e lá estará a ofensa racista nas bocas, na mímica facial. Localizem e prendam todos, não porque Vini é brasileiro, mas porque isso precisa acabar de uma vez por todas. É uma vergonha ser visto como racista, ser apontado, ser... racista.

Nunca uma expulsão foi tão gloriosa. Nunca mais queremos engolir. Nunca mais seguiremos por aí.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Mono ou Tonto? Bug Sociedade

Vinícius José Paixão de Oliveira Júnior, 22 anos, o Pelé do século XXI, nos exige uma reflexão profunda, necessária e urgente. Não pode estar a acontecer, muito menos pode continuar e piorar. Onde uns ouvem “mono” outros ouvem “tonto”. Os ouvidos têm filtros quando é mais adequado. O que se ouviu, dirigido a Vinicius Jr, pela 9ª vez, em estádios espanhóis, chega a ser inacreditável, assim como inacreditável a interpretação e a opinião de algumas pessoas sobre a situação. O Presidente de La Liga (campeonato espanhol de futebol), alguns jornalistas, o árbitro da partida, os árbitros do VAR, viram e ouviram outras coisas. Onde o mundo inteiro ouviu “mono”, esses ouviram “tonto”. Onde todos viram Vinicius Jr levar um “mata-leão” de 8 segundos, esses só viram a mão de Vinicius atingir a cara do jogador que lhe fez o “mata-leão”, quando se conseguiu libertar. Onde todos percebem que existe um tratamento criminoso dirigido a um jogador, esses veem um jogador rebelde. Isto está sucedendo a um dos melhores jogadores do mundo, que joga num dos melhores times do mundo – Real Madrid. Pode parecer que é algo apenas atingindo um jogador e um clube, mas é capaz de ser a ponta de um iceberg gigantesco que tem agido sem darmos valor. Agora está muito visível e não podemos continuar a dizer que não percebemos. Vinicius Jr tem um talento fora do comum, já mostra bastante, mas será um Pelé, acreditem no que digo. A questão é que quem não é nada na vida prefere ver em Vinicius Jr um menino rebelde, desaforado, provocador, insuportável. E não podemos ficar a assistir quietos.

Espera-se que as pessoas baixem a cabeça, aceitem as humilhações, aceitem os “lugares sociais” que os poderosos da sociedade decidem atribuir a cada um. Minha paixão pelo esporte e pela psicologia e sociologia esportivas me deram a possibilidade de perceber a grandiosidade de seres humanos como Vinicius Jr, pelas razões já descritas. Mas também de Martina Navratilova, a tenista que mais me impressionou na vida por tudo o que enfrentou e quebrou de preconceitos. Ontem, foi homenageada antes da final masculina do Torneio de Tênis de Roma e pela primeira vez a vi nervosa e emocionada. Não é para menos, já que recentemente sobreviveu a um câncer de garganta e mama. Fez um discurso em italiano, engasgado, tocante, com analogias importantíssimas entre o que se aprende no esporte e o que nos serve para a vida. Uma menina que conquistou 59 títulos de Grand Slam. O esporte que educa, edifica, constrói.

O esporte está repleto de exemplos soberbos, estimulantes, surpreendentes. Regularmente me pergunto onde os jornalistas esportivos aprendem a tentar tirar leite de pedra, quando tentam fazer reportagens maravilhosas com atletas que todos no mundo percebem e vêm que não têm nada de valor para mostrar. A Espanha tem um problema grave para resolver e para dar um exemplo ao mundo. Deu um enorme exemplo em relação a Daniel Alves, mas desta vez o que aconteceu? Talvez o que acontece com todos os países, todas as organizações: têm de tudo, gente boa e gente ruim. Quanto esforço aceitamos dedicar para que as pessoas boas prevaleçam? Para que se resolvam problemas? Para avisar que daquela forma o tempo vai “fechar”?

Ana Santos, professora, jornalista

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