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Bug Outras Artes

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“Peça teatral Chame Gente – Um Carnaval em Cada Esquina” (Teatro Gregório de Mattos, 2026)



Leandro Santolli é um ator que eu conheci como produtor de um outro evento. Desde aquela época, tinha o trabalho sólido. Podia-se contar com ele, com seu olho clínico. Nossos encontros continuaram – muito menos do que eu gostaria – no curso dos anos e seu talento para a interpretação também é igual - simplesmente sólido. A peça pede ao ator alguma coisa e ele está lá, sólido. Por isso, mesmo sem saber exatamente o que esperar do espetáculo, já sabia que em CHAME GENTE não importava o nível de exigência porque Leo iria fazer o impossível. Mas foi ainda mais. Danilo Cairo conseguiu emparelhar o seu nível de energia ao de Leandro, num espetáculo que, em si, já é uma explosão de energia – o carnaval da Bahia.

                  O nosso carnaval não é para amadores: tem o dobro de dias e, em cada um deles, vive-se uma maratona. Dependendo do dia, dos trios, a pessoa pode acabar no Pronto Socorro – tomando soro, na manicure – sem a unha de algum dos dedos dos pés, de ressaca, caído em alguma esquina, perdido na multidão, numa casa que não era a sua... são muitas opções. E esses dois meninos nos deram a antevisão de todas as intercorrências com absoluto bom humor.

                  Cenário simples e extremamente carnavalesco – isopores – alimentam nossa imaginação porque é só isso mesmo o que o povão vê – a super estrutura dos camarotes, lá no alto – e os isopores de bebidas que nos espremem na avenida, com uma multidão de milhões de pessoas se esfregando, sambando, passando, gritando – isso quando não estão brigando ou paralisadas diante da brigada militar. Com apenas duas pessoas em cena, a gente vê, a gente vive tudo isso porque quem viveu o carnaval aqui, sabe exatamente o que cada reação, cada frase quer dizer – e eles sabem como fazer.

                  O repertório da peça é conhecidíssimo e repetidíssimo no curso de anos, décadas, já que as músicas imortais do nosso carnaval não são as músicas novas, os lançamentos – as obras primas são bem mais antigas.

                  Onde estavam Leo e Danilo? Em cena. Sólidos. Dançaram, cantaram, berraram, com o som das músicas nas alturas, ouvindo a plateia, sendo o que o baiano é – carnaval e cordialidade.

                  Apenas a ideia da confusão sonora é tão cansativa vocalmente, que eu fico me perguntando se a diretora não teria uma visão de solução que não fosse passar por cima de toda a poluição sonora, dançando, pulando, cantando e berrando muito acima do que a capacidade da voz é capaz de aguentar, se a temporada não fosse curta – por causa da chegada do carnaval de verdade.

                  Cada baiano sairá de CHAME GENTE mais leve, tendo participado do “ensaio” do que vai ver no nosso carnaval. Vai mesmo brincar, sorrir, aplaudir, como se essa prévia fosse feita num camarote privado, com all inclusive – a começar do talento dos dois.

                  Adorei. Ganhei o dia.

PS: Que delícia ver que a responsável pelo teatro Gregório foi sua aluna quando era ainda uma adolescente...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

Em primeiro lugar, preciso partir do lugar de uma estrangeira que vive em Salvador há mais de 10 anos, mas que não tem a cultura do Carnaval. Fui e vou ao Carnaval muito pouco. Não sei as dancinhas, nem a letra das músicas. Não sou muito de cair na festa. Faço este “ponto da situação” que peço que recordem ao lerem o resto do texto.

Uma peça totalmente dedicada  ao Carnaval em Salvador: pessoal, intimista, desafiadora, sincera e frontal. Adjetivos que sempre encontro nas peças de Leandro Santolli e que me agradam. É muito importante esta arte autoral, pessoal, factual, até. Tem toda a razão em seguir esse caminho. É muito importante percebermos o que vivemos, o que amamos, o que não é tão bom, e fazer disso arte, processo, evolução. Outros aprenderão com as reflexões sábias e inteligentes de Leandro Santolli.

A peça inicia ainda nos bastidores, na fila imensa que aguarda a entrada na sala. Os atores aparecem, conversam, oferecem uma bebida – cravinho – e vão “quebrando gelo”, “partindo pedra”, estudando a plateia daquele dia. Algo comum, mas sempre muito interessante e intimista. É Salvador e suas formas artísticas e humanas de ser. Gosto.

No início da peça, logo entendemos que vamos participar. Os atores regularmente provocam e abrem espaço para a plateia contribuir. Numa boa, de uma forma muito gentil e agradável. Acontece que na primeira música que surge, uma das mais conhecidas de Daniela Mercury, toda a plateia batia palmas e cantava, menos uma pessoa – eu. Não sabia a letra e achei que não precisava bater palmas. Precisava. Não bater palmas e não cantar parecia que não estava a gostar. Nada disso! Amei a peça, cada segundo, cada fase, cada música, mas meu sangue europeu, congelado na compostura e no asseio ia dando uma ideia errada. Passei a bater palmas. Um dos atores me olhou e nem queria acreditar que eu não sabia a letra. Uma estrangeira na primeira fila que não sabe para o que veio é aborrecido. Não sabia a letra de quase nenhuma. Percebi que o Carnaval é como um doutorado, até para alguns um Pós-Doutorado. E bem. O Carnaval mais famoso do mundo é complexo, tem suas regras, seus lugares obrigatórios e cuidados e “obrigações” em cada dia. Como ir a Roma e não ver o Papa. Como se preparar para fazer uma prova de triatlo – e olhe que não sei dizer qual é mais difícil de preparar e de cumprir.

Fiquei com vontade de ter nascido aqui e ter vivido essa experiência de ver meus pais acompanharem o Carnaval, de aprender em cada ano sobre a importância dos trios, o valor de cada música, de cada dancinha, as coisas boas de cada circuito, os points obrigatórios, os horários melhores, onde comer, que roupa levar, que adereços, que cuidados, etc. É uma aprendizagem longa e complexa, uma quase doutrina. De fazer amigos para a vida, porque tem provas de amizade a todo o momento. Tudo bem que algumas “regras de amizade” são bem estranhas para mim, mas tudo bem. Cada um no seu quadrado.

E lá assistimos à peça, alegremente, cantando, batendo palmas e rindo, rindo muito. Toda a plateia. Só eu destoava por falta de experiência, falta de “estudo” e de preparação. Se fosse a prova do Enem, tinha tirado toda a gente a nota máxima e eu teria zero. As minhas desculpas aos atores, produtores e direção, mas apesar de parecer não ter gostado, amei, amei, amei.

Amei a peça, fiquei a gostar mais do Carnaval, amei de novo assistir ao talento destes dois atores, Danilo Cairo e Leandro Santolli, e super recomendo. Estamos bem no momento de assistir, em época pré-carnaval. Se programe. Considere um “esquenta” Carnaval.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: Chame Gente é uma celebração do espírito revolucionário e transformador do Carnaval. Com humor, paixão e música, o espetáculo transforma as vivências da pipoca, dos blocos e camarotes em um verdadeiro “documentário cênico”, que emociona tanto baianos quanto turistas. É um convite para reviver a liberdade, o suor e a magia que fazem desta festa um patrimônio cultural do mundo. (texto retirado do site Correio 24h)

Dramaturgia e direção: Paula Lice

Direção musical: Luciano Salvador Bahia

Elenco: Danilo Cairo e Leandro Santolli

 

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