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Bug Outras Artes

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Peça de Teatro “Viva! Vida!” (TCA, 2026)



Peça de Teatro “Viva! Vida!” (TCA, 2026)


O Bug Latino agradece a cortesia de ingressos do patrocinador CCBB, Centro Cultural Banco do Brasil. Gratidão.


Regina Casé faz um solo onde, como uma bruxa pós-moderna, tenta nos tirar do encantamento das nossas rotinas sem passado, sem reconhecimento do tempo – o Iroko – consumindo coisas, emoções, medos, pessoas, crianças, filhos, netos – o Iroko, de novo – vivendo o tempo sem vê-lo, nem o absorver dentro de nós.

Sem nenhuma religião, talvez tenha sido o espetáculo mais religioso que me lembro de ter visto.  De uma forma absolutamente natural, sem nenhuma pretensão de criticar o fato humano que somos, a peça – e Regina é tão natural que nos vemos como parte dos comentários e tudo aquilo nem parece ter sido pensado, proposto, ensaiado, escrito – afinal, nem parece texto, nem parece teatro – é apenas aquele lapso mágico de tempo onde você está e se sente dentro da cápsula encantada que o teatro é. Ali, ela nos mostra afinal quem somos, quem éramos, de onde viemos, como uma peça infantil para adultos sem juízo, que não acusa, mas aponta; que não critica, mas sofre a falta – algo que as mães sabem fazer muito bem.  

Aqui em Salvador, nosso atual prefeito derruba tudo o que é verde por ainda não ter entendido que, embora o terreno valha dinheiro, nós precisamos dos elementos e estamos destruindo cada um deles, como se não houvesse amanhã – e talvez não haja.  

Por isso, sem ser político, o espetáculo é pura política – estamos entre dois momentos históricos e precisamos escolher um deles – e qual deles – vai se constituir como futuro em nossas vidas, aqui no Brasil. Para onde iremos? Como sobreviveremos?

E nesses devaneios que muitas vezes me levaram a sentir o pulsar de um “pesadelo bem produzido”, lá estávamos nós, os adultos, conversando, rindo, respondendo e tocando nossas infâncias, quando as árvores ainda faziam parte delas, recordando nossa vida em cima das goiabeiras, fazendo massinha de terra e água e vivendo – o que aliás também estamos deixando morrer, com toda a nossa conhecida desfaçatez.

É um lindo e triste espetáculo que não sei responder se foi aproveitado ou apenas consumido, como se consome tudo o que está a venda – sem perguntas.

Mas a surpresa definitiva veio ao final, quando Regina agradeceu especialmente à Bahia – e, verdade ou não, eu me senti na batalha de nossas vidas, com o “exército” – nosso “exército” – gritando, aplaudindo e fazendo a marca do nosso general, cantando seu hino e entoando esperanças, daqui até o 2 de julho renascido – dia 25 de outubro, dessa vez.

Um espetáculo assim, deveria fazer parte de um projeto que levasse nossas crianças ao teatro para viverem essa fantasia e quem sabe, nos salvarem de nós – predadores que somos. Ricas e pobres – assim como as águas, terras, árvores, raios, fogo e ares – misturadas em raça, credo, famílias e vidas – assim como no Brasil costumávamos fazer, antes de nos separarem de quem somos.

Um lindo espetáculo. Um momento especial. Algo para ir com filhos e netos e criar um novo momento para o Brasil – nada político e histórico, mas mergulhado em tudo o que nos compôs até hoje – política e história, cultura e costumes – um caldo muitas vezes difícil de engolir. Apenas nós e o que somos - humanos. Nós e o que ainda podemos fazer por nós.

Imperdível.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

Um espetáculo de atriz, com um desempenho moderno, engraçado e informativo. A tecnologia, a natureza e o ser humano, se cruzam nos seus textos e nos lembram da finitude, da consequência dos nossos atos, nos alertam, nos espantam. Muita informação já sabemos, mas colocada perante nós, junto com imagens – por exemplo o tamanho de uma célula junto com uma fotografia de uma – tem um outro impacto.

Uma produção equilibrada, serena, amadurecida.

A capacidade de interagir com o público de forma clara, quebrando a quarta parede tranquilamente, a conversa com crianças, mas também as perguntas descontraidamente incómodas às pessoas que saem a meio do espetáculo e voltam sem acharem que estão a perturbar.

O TCA renovado torna o espetáculo ainda mais maravilhoso.

Regina Casé nos leva numa viagem ao nosso interior e ao grande e grandioso que é, nos leva numa viagem ao mundo que temos tanta facilidade em destruir e depois sentimos falta na nossa saúde – a natureza – e nos leva a uma viagem ao espaço lembrando claramente da nossa pequenez em relação ao universo.

Tomamos decisões, executamos ações e temos comportamentos que fazem mal a todos nós, mas não vemos isso, não percebemos isso. Muito louco sermos capazes de nos destruir. Os mais inteligentes seres...será que somos mesmo?

Amei, amei, amei. Sinto que é um espetáculo que devia ser visto por todos, incluindo as crianças que nunca têm acesso a estas informações. Amei enquanto estrangeira por poder ter a honra de perceber, mais uma vez, como o Brasil é rico e deslumbrante em natureza. Não podemos deixar seguir esta destruição silenciosa que acontece a cada segundo, e não só. Temos todos a obrigação de fazer a nossa parte. É possível destruir e acontece rápido, é possível construir e acontece lento. Mas é possível construir, reconstruir, e falo de florestas, de rios, de montanhas, de mares. É possível recuar e transformar de novo este lugar na Terra que conhecemos. Não é mais através de um líder mas de todos nós, não só tendo comportamentos saudáveis e de cuidar, mas principalmente, nas escolhas que fazemos para vereadores, deputados, presidentes.

Boas escolhas, suas, que se refletirão para todos.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: a atriz constrói uma narrativa que costura tempos, saberes e histórias como uma grande teia. Com humor afiado, carisma e sensibilidade, Regina conecta ciência, espiritualidade, meio ambiente e tecnologia — tudo em um solo vibrante e instigante. Da explosão de estrelas à química do amor, das reflexões sobre o planeta à sabedoria ancestral dos povos indígenas, o espetáculo provoca riso, emoção e consciência do nosso lugar no planeta Terra.

Direção: Daniela Thomas e Estêvão Ciavatta Pantoja

Elenco: Regina Casé

 

Domingo é dia de sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.

Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.

 

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