“O Leitor”/ “The Reader” (Youtube, 2008)

Vai para arquivo de filmes que eu deveria ter visto, mas não vi. Portanto, O LEITOR é um filme antigo, de 2008, que vale cada segundo das suas 2 horas e 4 minutos.
A gente muitas vezes vê coisas incompreensíveis – vergonhas, maldades, induções ao mal. Parece muitas vezes melhor arcar com uma culpa, do que dizer “não fiz porque não sei” – porque é muito humilhante a ação de não saber nessa vida que levamos. O Marketing joga com isso, vende “respostas” para “você que ainda não faz 7 em 6” – quando a maior parte das pessoas intimamente sabe que é apenas um gatilho mental e ganhar 7 dígitos em 6 dias é tão fácil quanto jogar na loteria e ganhar sozinho. Mas – tem quem compre. Tem muita gente disposta a comprar, aliás. Como se fosse “feio” não saber ficar rico.
Como se fosse “feio” ser analfabeto? Kate Winslet, com uma pureza abissal, lança essa pergunta a todos nós, em O LEITOR. Quantas pessoas, ainda hoje, porque foram criadas numa família que por exemplo, “ideologicamente ama o político X”, leem que eles cometeram crimes, mas se negam a interpretar, inferir, pelo menos duvidar? Quantos desacreditaram do poder curativo das vacinas, apenas porque algum “mito” disse que elas poderiam virar “jacarés”? Quantos, enjaulam voluntariamente o seu próprio conhecimento porque ele “atrapalha” a forma como você deve ver as justificativas dos seus “favoritos”?
Mas – e se você apenas não tivesse tido a oportunidade de aprender e se visse preso na armadilha da ignorância? E se a vida – apesar de você ser bom, mas se pautar por obedecer porque não sabe e não quer que as pessoas saibam que você não sabe? E se obedecer em silêncio, “escapando” assim de ser descoberto pela “autoridade” virar sua marca de vida? Como seriam suas dúvidas se você apenas “tivesse” que obedecer para sobreviver à vergonha de se confessar ignorante? Quantas oportunidades perderia? Poderia sobreviver?
O LEITOR trata disso. Criando um histórico onde, antes, todos nós conhecemos as personalidades das personagens – muito, mas muito solidamente construídas por Kate Winslet e David Kross em cenas cotidianas, algumas pueris, imaturas. Mas importantíssimas para nos vermos na mesma encruzilhada de Michael Berg, anos depois. O que você faria se soubesse um segredo que vê que aquela pessoa não quer que seja contado, embora ela vá ser culpabilizada, punida por algo que vocês dois sabem que ela não pode cometer? Que dilema...
Até onde você pode ir para manter seu segredo? Até onde estaria disposto a ceder, a perder?
Veja esse filme, portanto, com toda a família, para que se possam discutir as questões centrais da vida e sair dos fatos adjacentes e menos importantes. Você é capaz de confessar-se incapaz de algo, tendo omitido isso de todo, durante toda a sua vida?
Vale a pena assistir.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro, TV
Assisti a este filme no ano em que saiu, 2008, e amei. Quando o encontrei no Youtube, gratuito – apesar de dublado – sabia que o Bug Latino teria de o divulgar.
Um filme denso, complexo, cheio de questões, sem nos dar respostas, deixando perante nós, apenas a vida e as decisões que se tomam, por dever, por obrigação, por desejo, por honestidade, por vergonha, por nobreza, por maldade, etc.
Este é um dos grandes filmes, que deveria ser obrigatório nas escolas, nas universidades, com debate em seguida, com espaço para as pessoas colocarem suas opiniões, dúvidas e serem esclarecidas.
Atores famosos e talentosos. Um roteiro que mistura o passado e o presente de uma forma majestosa.
A ignorância onde nos leva? Acreditar quando as pessoas nos dizem que a terra é plana, que nos enganam quando vemos imagens das pessoas no espaço, significa o quê, para além de estranho? Este filme nos mostra como a ignorância, pode provocar muito mal a si e a todos – e você nem percebe o mal que fez. Nos mostra como um verão pode mudar uma vida toda. Nos mostra como é difícil perdoar. Nos mostra como existem tantas histórias dentro da “história” da segunda grande guerra e do holocausto.
Me ficou na memória uma frase do filme: “Não interessa o que sentimos, interessa o que fazemos.” Onde estão os limites da bondade e da maldade em cada um de nós? E como podemos cuidar disso em sociedade? O que interessa sentir muita pena das pessoas, por exemplo, mas nada fazer? Entendem?
E, ao mesmo tempo que a leitura, carrega uma dor, uma perda e muitas consequências – entenderão quando assistirem – adoro a forma como a literatura acontece no filme. Vamos tendo uma aula master de literatura, onde alguns dos grandes autores, das grandes obras, são referidos. Quem sabe isso o estimula a ler? Mesmo que já tenha lido alguns, ler de novo, é maravilhoso. É como se fosse um livro novo, já que estamos diferentes, vemos tudo de outra forma.
Este filme como disse é denso e complexo porque aborda muitos assuntos que se interdependem, que são consequência um dos outros, que nos tocam, que falam das nossas vidas também. Excelente, excelente, excelente! Mas igualmente difícil, difícil, difícil.
Gratuito, não pode perder esta oportunidade. É uma pena ser dublado porque não podemos ouvir as leituras de excelentes atores, e por isso também excelentes leitores, mas mesmo assim, é imperdível.
O link gratuito do filme está a seguir.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Quase uma década depois de sua aventura com uma mulher mais velha ter chegado a um fim misterioso, o estudante de direito Michael Berg volta para encontrar sua ex-amante enquanto se defende em um julgamento por crimes de guerra.
Direção: Stephen Daldry
Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, Bruno Ganz.
Trailer e informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt0976051/
Link do filme completo, dublado:
https://www.youtube.com/watch?v=RMAzpRkzKSk
Domingo é dia de sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.
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