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Bug Cinema

Público·89 membros

“Frankenstein” (Netflix, 2025)


Todos têm uma memória perdida de seu Frankenstein. A minha incluía, além da altura descomunal, o parafuso no pescoço e o ar boboca – talvez por causa da Família Monstro. Mas, perca-se de suas memórias e mergulhe em FRANKENSTEIN – você não vai se arrepender.

                  Bem, era um sonho para Del Toro. E estruturar, produzir, realizar em cada pequeno detalhe tudo o que você sonhou, procurando o melhor ator para cada função, construir um roteiro que contemplasse tudo o que você pensou, amadureceu, ter a melhor equipe, reunir amigos, confiar para construir cenários, cenas, maquiagem, desenhar as cores pregnantes de cada personagem, as luzes de cada emoção, as emoções “fisicalizadas”, estruturando-as em cenas tão bem tramadas que muitas nem precisaram ser repetidas...

Assim o elenco e a construção de cada personagem envolvem você numa atmosfera que deveria ser talvez de terror – tem cenas de violência extrema – mas não é. Jacob Elordi – com o karma de ser imortal – gigante, maior do que todos, esculturalmente aterrador, tem a doçura que muitas vezes não vemos mais nem nas nossas crianças “telepatizadas” – e a potência destruidora, a raiva genuína. Oscar Isaac, dança entre o protagonista e o vilão, contrariando os filmes que os separam normalmente em duas personagens antagonistas, mas se unindo a vida real para unir duas em uma só: ter que ser brilhante e nunca reconhecido cria que espécie de monstruosidades emocionais em cada sujeito? E Mia Goth, como a mulher talvez mais atual que todas porque busca a essência real da vida, mesmo em lugares inesperados, em pessoas poucos prováveis – como um monstro inexperiente e gentil.

                  Parta daí e construa tudo o que vemos na sociedade, entendendo toda a destruição que causamos uns aos outros. Que interesses movem Cristoph Waltz a financiar a pesquisa de um gênio que perdeu os sentimentos que sentiu, ao perder sua mãe? Ao perder os sentimentos, uma pessoa perde-se totalmente de quem é, como o corredor das manchetes online que mata um adolescente a socos? Como adolescentes que espancam e matam cachorros amorosos, a ponto de seus olhos saltarem das órbitas? Qual o papel das famílias? Qual o nosso papel? Salvamos ao ouvir? Então por que não queremos mais ouvir? Quais são os interesses que movem o dinheiro que vem das Big Techs e por que manipulam a forma como vemos tudo?

                  Quem é você? Vilão? Protagonista? Qual é o seu papel?

                  Uma outra obra prima nesse Oscar. Você vai se ver por dentro. Se busque, pesquise, remonte, entenda, pergunte: Quem é você nessa civilização? O que pode fazer aqui? Qual é o seu talento?

                  Um bom momento para cada pessoa, de cada família, se perguntar. Vejam juntos.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro, TV

 

Inicialmente não tinha vontade de ver o filme. Adorei todos os filmes que vi de Guillermo del Toro, mas não são muito os filmes que mais amo ver. E ainda por cima com mais de 2h30 de duração, minha inércia aumentava.

Acontece que o filme, além de estar no cinema, também está na Netflix, e como estamos em pleno Carnaval, com problemas de sair e voltar para casa – lembro que Salvador está com multidões na rua – ver o filme em casa pela Netflix, virou uma excelente ideia. Claro que assistir na grande tela deve ser espetacular, mas problemas de mobilidade na cidade e o valor de um ingresso no cinema ser mais caro do que um mês de Netflix, quando o dinheiro não sobra, ajuda nas decisões.

Bom, vamos ao filme. Conhecia a história vagamente, como a maioria das pessoas da minha geração. Fiquei sempre com a sensação de que Frankenstein significava monstro. E afinal aprendi no filme que “etimologicamente, é um nome alemão que significa "pedra dos francos" ou "fortaleza dos homens livres" (definição retirada do google). E que é também o nome do criador, não da criação.

Acho sempre fabulosa a imaginação de Guillermo del Toro, que me parece sempre um menino grande, no sentido de ser sensível e doce, com um sorriso puro, e ao mesmo tempo, um baita gênio super maduro, construindo filmes repletos de mensagens úteis aos humanos. Produções gigantescas, desta vez com criação de sets inimagináveis, com 10 a 12 horas de maquiagem para o ator que fazia de Frankenstein – que loucura – com cuidados refinados no figurino, no cenário, nos detalhes. Não parece vir a ter concorrência em óscares de maquiagem, design e cenário, pois é único. Se assistir ao filme na Netflix, assista em seguida à explicação de como tudo foi feito – vale totalmente a pena.

Oscar Isaac, excelente ator, no papel de Vicktor Frankenstein, o criador, nos mostra o fascínio do conhecimento e como a ambição desmedida e descontrolada de bondade pode destruir o homem e tudo ao seu redor. Mia Goth, no lugar da mulher que vai casar com o irmão de Vicktor, excelente atriz, sua personagem é maravilhosa – verdadeira, pura, ativa. Nos estimula a ser, a marcar o caminho por onde pisamos, em vez de apenas sermos alguém que está ali, a fazer “número”. O homem financiador da criação, no corpo do excelente ator Christoph Waltz, que permite existir o dinheiro e o lugar para toda a pesquisa e magia, com o desejo silencioso da imortalidade, enquanto outros consideram a imortalidade uma cruz. Realmente, queremos ser imortais, mas se o fossemos não daríamos valor a nada. Muito interessante a construção de cada personagem. O ator Jacob Elordi, o Frankenstein, é lindo, excelente ator, carrega uma doçura encantadora. Frankenstein aos olhos de Mary Shelley e, principalmente, na mente de Guillermo del Toro, é quase um espelho do que acontece quando tratamos mal as pessoas, quando perdem a identidade, o seu lugar, quando não são respeitadas, nem amadas. A dor de não se saber onde pertencemos, nem se pertencemos, quem somos, qual o sentido da nossa vida. E como por vezes basta uma pessoa, que nos trata bem, nos vê, para tudo fazer sentido. O que somos é muito melhor do que a forma como dizem que somos. A segunda parte do filme, que mostra a visão da criação, é soberba, edificante, animadora e educativa. Falamos muito que o amor salva, mas salva mesmo. Não o amor desejo, mas o amor cuidado, respeito. 

Guillermo del Toro, o gênio, e sua equipe gigantesca, repleta de gênios e “gênias”, fazem um filme extraordinário, que deve ter custado um oceano de milhões, mas que nos obriga a pensar sobre o que estamos fazendo com a nossa vida e com os outros humanos.

Imperdível no cinema e na Netflix. Combata a sua inércia, se também a tiver. Vale bem a pena.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: Um cientista brilhante, mas egocêntrico, dá vida a uma criatura em um experimento monstruoso que acaba levando à destruição do criador e de sua trágica criação.

Direção: Guillermo del Toro

Elenco: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Christoph Waltz

Trailer e informações:

https://www.imdb.com/pt/title/tt1312221/

 


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