"Sinta a minha voz" / "No abbiam bisogno do parole" (Netflix, 2026)

Eu amo filme água com açúcar, todo mundo sabe. SINTA A MINHA VOZ tem um mote interessante, já que, dentro de uma família surda, uma única menina nasce ouvinte. Num dado momento, se sente responsabilizada por “traduzir” tudo o que pensam, num momento em que seu pai quer se candidatar a prefeito da cidade, enquanto ela descobre o seu talento para o canto, e enquanto se apaixona. É muito interessante discutir e rediscutir a questão do encurtamento – que já deveria ser obrigatório – entre o código utilizado por ouvintes e surdos. Talvez, apresentando a linguagem de sinais para crianças da pré-alfabetização; talvez apontando meios das crianças surdas compreenderem o que se fala por meio da leitura lábio facial. O fato é que gera perdas e nenhuma perda é necessária.
No filme, Sarah Toscano faz essa ponte entre a família e a sociedade, linka os mundos e mesmo sem um grande arranjo musical, solta sua voz – linda. Muitas atribuições depois, ela vai defender seu futuro em Turim com unhas e dentes. A relação com os pais é incendiariamente italiana, com gestos e gritos de todos os lados, mas há um amor que circunscreve todos – mesmo os que são contra sua saída de casa. Em nome desse amor – nítido – as cenas vão ganhando cada vez mais energia de generosidade, o que faz com que a chama do início – meio morna demais – nos tome, nos envolva e crie a emoção necessária para que o filme funcione. Não é uma obra que possa ser escolhida para concorrer ao Oscar, mas ver a chama da empatia, do amor, sempre faz com que eu ganhe o dia, de alguma forma.
É uma delícia ver, vocês vão amar! Veja com seus filhos adolescentes e converse sobre viver a própria vida ou apenas ir ficando. As vezes apenas ficar pode ser extremamente doloroso, embora não pareça.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
Um filme emocionante, que aborda incapacidades, aos olhos da sociedade, mas que também são capacidades aos olhos humanos. Incialmente um pouco lento, diria até que parece um pouco perdido o roteiro, mas a partir de determinado momento, nos captura e nos atinge bem no meio do peito. Me relembrou toda a dor e cascata de lágrimas, quando saí de casa para ir para a faculdade, tendo de viver noutra cidade. Todos os que passaram por isso sabem do que falo – para ir para a faculdade ou por outra qualquer razão.
Fala de dom, de talento, de família, de até onde as famílias nos fazem voar e a partir de que momento as próprias famílias precisam entender que nos têm de deixar ir, para continuarmos a voar. E quando um voa, toda a família voa.
Lindo, terno, amoroso.
Aborda o namoro de uma forma muito original e fascinante, principalmente neste mundo atual em que vivemos e em que parece que namorar se reduz apenas a transar.
Um filme com linguagem verbal e gestual, se comunicando, se enfrentando, se namorando também. Senti que o filme nos está perguntando quando vamos começar a aprender linguagem gestual e me senti envergonhada porque já devia saber – pelo menos o básico. Afinal aprendemos o básico em tantas linguagens, dialetos, porque não o fazemos com ela.
Bons atores, um cenário/casa que nos convida a viver na natureza, entre os animais.
Filme lindo, questionador, embaraçoso. Por tudo isso, imperdível!
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Eletta, uma jovem com talento vocal excepcional, mora com seus pais surdos. Quando surge a oportunidade de se juntar a um coro em Roma, ele deve escolher entre sua paixão e sua responsabilidade para com sua família.
Direção: Luca Ribuoli
Elenco: Sarah Toscano, Serena Rossi, Carola Insolera
Trailer e informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt38589464/
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