“Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho” / “Champagne” (Autoral Filmes, 2026)

Como uma pessoa que se dedica ao estudo da comunicação como eu, CHAMPAGNE traz inúmeros detalhes importantes que as pessoas insistem em deixar passar. O mais importante de todos é que jogamos fora décadas de oportunidades de aproximação e no momento em que isso conta, não sabemos como começar, enquanto sufocamos de coisas para dizer. Nesse sentido, para contar uma história assim, Leo Alkemade, que não por acaso assina também o roteiro do filme, é um universo de expressões, olhares e silêncios. Uma interpretação difícil, cheia de interrupções, irritações, até que... você é colocado diante de uma doença.
Como caminhar na linha do tempo ao contrário e reencontrar o amor que comunica com carinho de mãos, de voz, de palavras, de assuntos, de passados? Como se reencontrar com o amor? Claro que nós sabemos que ele está ali, claro que a nossa preocupação mora dentro de nosso sentimento, mas... como externá-los sem ser rígido?
Pelas estradas da Holanda até os vinhedos da França, CHAMPAGNE trata apenas desse estúpido distanciamento que não sabemos como começa e tão pouco o sabemos explicar dentro de nós. Mas quando reencontramos o caminho perdido, podemos fazer todas as loucuras e nos permitirmos coisas inimagináveis - o filme lhe dará momentos inesquecíveis desses inimagináveis momentos de amor.
Não percam. Vejam juntos. Juntos significa em família. Talvez enviando olhares de amor aos avós, pais, à vida.
Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV
Mais uma enorme gentileza da Autoral Filmes em nos permitir fazer parte do lançamento e divulgação de mais um filme sensacional. Sempre falo, sempre falarei – as escolhas cinematográficas da Autoral Filmes são sensacionais.
Um filme holandês. Sou apaixonada pela Holanda e pelas suas casas abertas para o exterior – sempre me impressionou o facto das casas na Holanda não se fecharem para as ruas. Você, caminhando ou andando de bicicleta – outra maravilha holandesa – vê as casas, vê as pessoas dentro da sala, sentadas lendo, conversando, vivendo. Enquanto o mundo inteiro esconde sua vida dentro de casa, eles nem escondem, nem mostram, apenas vivem usufruindo da luz do dia ou da luz que ilumina as ruas de noite. Todas as pessoas de todas as idades, com suas bicicletas também é um sonho de consumo de todo o mundo, mas poucos lugares serão capazes de igualar – a Holanda é um país plano, em que as bicicletas têm seus caminhos próprios, mais confortáveis do que qualquer outro veículo de transporte e são as rainhas do trânsito – está sempre em primeiro lugar a bicicleta, em qualquer cruzamento, sinal, estacionamento. É um mundo de sonho que os outros países tentam imitar, mas imitam muito mal – Salvador, tenta de todas as formas dizer que também tem bicicletas, mas é impossível andar de bicicleta nas ruas e os locais construídos para as bicicletas, foram tirados à população que caminha. Estranho né?
Mais uma coisa sobre a cultura holandesa – o álcool é muito utilizado como forma de socialização, como em tantos e tantos países. As pessoas estão falando menos, como no mundo inteiro, mas depois de um vinho, de uma cerveja, de um champagne, a coisa flui – melhor, mas mesmo assim flui com dificuldade.
Um desejo, guardado, quem sabe para quando der, para quando tiver um dinheirinho, para um momento especial – visitar a zona francesa do champagne e andar no pequeno trem que circula pelos tuneis onde as garrafas se encontram “a descansar”. Cada um de nós com seus sonhos, guardados, para um dia - com a estranha sensação que talvez nunca chegue esse dia. E vamos vivendo nossas vidas, repetidas, rotineiras, suando cada vez mais para pagar as contas. No filme, o facto do pai dizer que estava com câncer, que esse câncer estava com metástases, que a coisa não estava boa, misturado com o facto de um amigo ter feito uma viagem com o pai e ter sido muito boa para os dois, fez parar todas as rotinas, os hábitos, o dia a dia da mesmice e partir de viagem com o pai, em direção ao sonho do champagne.
Parece que chega mas não chega. Precisa-se conversar, precisa-se coragem para quebrar filtros e hábitos de silêncios, coragem para abordar temas proibidos – como a morte. Não é fácil, mas é necessário e importante. E ali ficamos, aguardando os momentos em que pai e filho conseguem falar da partida do pai, nem que seja de forma frágil, simplificada, indireta, sarcástica, irônica, misturado com novas amizades construídas pelo caminho, com álcool à mistura.
Atores sensacionais, expressivos, silêncios onde olhares, sorrisos e prosódias nos conduzem à dificuldade que todos temos de falar do que afinal importa nos momentos que realmente importam.
Amei. Um filme um pouco difícil se teve perdas recentes, mas um filme que nos avisa e nos estimula a utilizar as palavras para o que é mais importante nas nossas vidas. Imperdível.
Gratidão à Autoral Filmes.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Maarten leva seu pai doente para a região de Champagne, na França. O que começa como uma viagem embaraçosa acaba sendo a mais bela aventura deles juntos.
Direção: Tim Kamps
Roteiro: Leo Alkemade e Rik van den Bos
Elenco: Leo Alkemade (Maarten), Huub Stapel (Hans), Beppie Melissen (Sophie) e Jennifer Hoffman (Loes)
Música: Alexander Reumers
Designer de Produção: Barbara Kusmirak
Fotografia: Dennis Wielaert
Som: Jaim Sahuleka
Edição: Joshua Menco e Gijs Onvlee
Produção: Jamel Aattache
Produtoras: Aattache Films e Brabant Films
País de produção: Holanda
Idioma original: holandês
Trailer e Informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt38816122/
Crédito da foto e do vídeo vertical: Autoral Filmes
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