“O Desafio de Marguerite” / “Le théorème de Marguerite” (Youtube, 2023)

Um filme como poucos. Um desafio. Afinal, ficamos diante do desafio de nos desafiarmos a nós mesmos, nos confrontarmos com o que acham que somos, enfrentando o que podemos fazer, mesmo quando somos postos de lado.
O ambiente acadêmico tem esses momentos. A crítica cruel, a dureza do olhar, o desejo de atravessar o pensamento genial, copiá-lo, vencê-lo, angariar para si mesmo a fama. Ou não: dividi-lo, compartilhá-lo, amar a companhia, a descoberta.
Quem afinal somos nós? Em O DESAFIO DE MARGUERITE todas as questões estão postas. Ella Rumpf está primorosa, perfeita. Tão soberba que o elenco passa por ela. Não que ele não esteja perfeito, mas porque ela é magnífica.
São tantas as perguntas postas sobre nós que ficamos chacoalhados com o que pode nos estimular mais, como podemos alcançar pessoas que saibam ser parceiras, como nos unir, como produzir saídas, quem podemos ser, ao acreditarmos que podemos ser. É um universo inteiro.
Veja com os mais novos, abra a conversa sobre tentar, se jogar no que acredita. Mas tire um dia para ver sozinho, se desafiando a ser melhor pessoa, cidadão, aluno, conselheiro - nós somos capazes de muito mais.
Não perca!
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
Não sei de onde tiramos a ideia de que ser um gênio é algo maravilhoso. Parece que só pensamos no glamour, nos prêmios, na facilidade de resolver problemas de matemática e da capacidade de inventar e de resolver o que ninguém foi capaz. Pensamos também talvez nos fãs, nas fotografias, nas redes sociais, honestamente não sei bem de onde sai essa sensação. Talvez os filmes ajudem nessa ilusão porque na vida real, gente, as pessoas sofrem muito. Elas não se encaixam em quase nada, social, de forma leve. Tudo é um esforço, tudo é dor, sacrifício. E como não ligam à roupa, são inferiorizados por caçar pantufas na universidade, ou andar com uma meia de cada cor, ou cortar o cabelo à sorte, isto é, por inventarem suas próprias regras de estar em sociedade. E essa sociedade, exigente, não perdoa, aponta, ridiculariza. Claro que quando o gênio “genializa”, todos aplaudem, todos querem estar na foto, todos dizem que foi seu gesto que fez a diferença. Mas continuam a não ver a pessoa que sofre para se adaptar a um mundo que não gosta, que não concorda, mas que tem de aguentar.
Tem outro detalhe no filme que eu já conhecia mas que é importante tornar público – a rivalidade entre cientistas, incluindo a rivalidade e a inveja dos professores para com seus alunos geniais. Isso atrapalha demais o avanço da ciência, a ciência que existe para melhorar a vida de todos, para curar doenças terríveis – não existe para competirem para ver quem o melhor, não é nenhum jogo de futebol. Temos problemas pessoais e humanos com a importância de colaborar, já que meio mundo está mais preocupado em ser o que escreve mais artigos, o que ganha mais prêmios e financiamentos, o que é mais condecorado. E enquanto isso pessoas aguardando que os milhões, os triliões investidos, tenham algum resultado.
Excelentes atores, excelente filme. Amei, amei.
Imperdível. Ainda por cima gratuito.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Uma brilhante estudante de matemática na melhor universidade da França, a Ecole Normale Supérieure. No dia da apresentação de sua tese, um erro abala toda a certeza de sua vida planejada, ela decide abandonar tudo e começar de novo.
Direção: Anna Novion
Elenco: Ella Rumpf, Jean-Pierre Darroussin, Clotilde Courau
Trailer e informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt26699529/
Filme completo e dublado:
https://www.youtube.com/watch?v=yg8I3rqV_Ds
Domingo é dia de sugestão cultural.
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