“Criaturas Extraordinariamente Brilhantes” / “Remarkably Bright Creatures” (Netflix, 2026)

O filme funciona como uma armadilha amorosa. Começa assim sorrateiramente despretensioso e você relaxa, achando que vai gostar mais ou menos, que é aquela mesmice – mas isso é só pra gente relaxar e se deixar levar.
A personagem principal é um polvo – Marcellus – já no final da vida, amargurado por se ver aprisionado num aquário, fugindo sempre que pode e analista comportamental dos humanos ao seu redor. Colocar toda a perspicácia nele é uma sacada incrível. Cada personagem do filme é essencialmente solitária e infeliz, tentando se entender ao entender seu momento, sua perda. Nada dramático, sem nenhuma hemorragia – mas olhar para as personagens, significa olhar para dores e perdas humanas – coisas que de uma maneira quase vil o jornalista torna comum pela super exposição diária. Essas pessoas jamais seriam notícia, acreditem.
A análise eventual de Marcellus, a atuação justa e na medida certa de Sally Field, o trabalho detalhista de construção da personagem de Lewis Pullman e a participação de um elenco realmente precioso amparando a participação dos dois, cria vínculos com a gente. Muitos vínculos. De repente, todos se perdem, Marcellus quer apenas morrer em paz, a gente olha para o filme e se vê também tão só, cada um com sua questão, sua busca. E daí o filme te dá aquela volta e a generosidade rearruma tudo. Ah sim, teve final feliz com certeza! Mas não é apenas isso que a gente precisa ver de vez em quando para voltar a ter fé nos caprichos da vida?
Veja com a família inteira!
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
Engraçado, porque eu amei o trailer do filme, amei o fato de Sally Field ser a protagonista, mas no início do filme, achei o roteiro bobo e o filme previsível. Claro que caí na armadilha emocional totalmente.
O que parece bobo, vai, aos poucos, te enredando e te recordando dos teus momentos de solidão – bons e difíceis – das tuas relações humanas, da tua forma de viver, das rotinas, dos animais que te rodeiam, da bondade e gentileza que cada vez são mais raras , da verdadeira importância de viver, do que realmente importa.
Todos estamos sendo engolidos pelas distração das redes sociais, pelas ordens do marketing, pelas obrigações do mercado e economia e ficando cada vez mais afastados, do sentimentos verdadeiros, das pessoas verdadeiras, dos momentos verdadeiros e de como um polvo – mas podia ser uma minhoca, ou um gavião – nos mostra como é ser aquilo que aprendemos que era “ser humano”. Percebem? Os animais estão tentando nos alertar e tentando nos mostrar que estamos perdidos no nevoeiro do modernismo, do vanguardismo, da competição e de todas as outras sensações, decisões, comportamentos miseráveis, podres, venenosos.
Viver é tão simples e tão belo, tão amoroso e tão saudável. Mas insistimos em atrapalhar tudo. É triste.
Mas este filme te dá esse aviso, encantador. Um filme certinho e direitinho para ver com todos da família, para todas as idades, até para o cachorrinho e os peixinhos.
Sally Field, sempre encantadora, sempre talentosa. Mas todos os atores e atrizes são bons, a cidadezinha é apaixonante e a casa onde a personagem da Sally Field mora, meu Deus, meu Deus, é o paraíso na terra.
Imperdível.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Uma viúva que trabalha como faxineira noturna em um aquário forma uma amizade improvável com um polvo gigante que a ajuda a desvendar o mistério do desaparecimento de seu filho décadas atrás.
Direção: Olivia Newman
Elenco: Sally Field, Lewis Pullman, Colm Meaney.
Trailer e informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt33100314/
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