Living the Land” / “Shengxi zhidì” (@autoral_filmes 2025)

Que filme... Chega a ser difícil de imaginar que, na década de 1990, eu estivesse passando no meio de um tiroteio no Rio de Janeiro, indo pra Botafogo e na China agrícola o tempo passasse tão sofridamente devagar, com inúmeros atrasos afetando as relações familiares, machismo, posição social da mulher, direitos das crianças, bullying – e tantos pequenos sofrimentos somados – frio, casamentos combinados, falta de comida...
Daqui do século XXI, tendo a China atual como a maior economia do mundo, olhamos 30 anos atrás e nos perguntamos como foi possível crescer tanto em tão pouco tempo... entendemos também porque os chineses acreditam na política – meu Deus, se vivia no pouco, pouco, quase nada há 30 anos atrás apenas...
- E voltando ao filme: Ah, sim – é como andar com o freio de mão puxado. Tudo, mesmo sendo feito com enorme presteza, é lento. Casamentos, enterros, aulas, colheitas – tudo feito à mão, individualmente. Passa um tratorzinho à manivela de vez em quando, mas nada relacionado a mecanização agrícola. Nada. Gente que passa uma vida sem ter nem nome, invisível, sem registro de sua existência no planeta Terra.
Vendo a quantidade de jovens que colhem da urbanidade o tédio de não terem que fazer nada, com famílias que resolvem seus problemas, lhes permitem o não fazer, o não agir e comparando a nossa realidade atual com esta, fico pensando quando começamos a exagerar na dose de conforto, de não trabalho, de falta de esforço e pouca ou nenhuma necessidade de trabalhar para sobreviver. O fato, é que continuamos infelizes, mas LIVING THE LAND, um filme sem nenhuma risada, nos mostra que o tempo lento nunca foi um tempo vazio de trabalho. Um filme muito marcante, que não adianta ver porque ganhou o Urso de Prata, mas sim para nos sentirmos de volta a um mundo onde se comemorava a chegada da eletricidade, de docinhos de festa. Hoje, cada vez mais ociosos, pagando aulas de musculação na academia para suprir a nossa extrema inutilidade funcional, usando a mente em ambientes vazios como a internet, temos um mundo que nos dá tudo, mas não sei responder se ou quanto estamos dando algo de nós ao mundo...
Vejam o filme, pensem em Donald Trump e o mundo que ele quer nos empurrar, nas possibilidades que a agricultura familiar pode trazer ao mundo, o que significa invisibilizar as pessoas, ser preconceituoso ao rotulá-las – e talvez o “quem indicou”, o “quero proteger meu filho da vida”, seja usado para expô-los didaticamente a problemas que precisam ser experenciados para termos onde ocupar nossos pensamentos. Se não, também é o caos, a depressão, a falta de projetos futuros, o emburrecimento.
Não percam.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
Sempre preciso iniciar agradecendo à Autoral Filmes (@autoral_filmes) pela parceria e possibilidade do Bug Latino poder assistir a filmes sensacionais e poder ter a honra de escrever sobre eles, divulgando sim mas também fazendo parte desta família tão maravilhosa que é a família Cinema – no Brasil e no mundo. Sempre gratas.
Neste caso, com a sua divulgação nas salas de cinema, estreia comercial, a partir do dia 5 de fevereiro, maior a honra.
E ainda, e não menos importante, um filme vencedor do Urso de Prata de melhor direção em Berlim. O que mais podemos pedir à vida? Apenas agradecer. Agradecer, agradecer.
Sou muito apaixonada por culturas. Saboreio a cultura portuguesa naquilo que me faz bem, que me enriquece, que melhora as pessoas. Tento fazer o mesmo com outras culturas. Como vivo no Brasil, tenho a possibilidade de aprender todos os dias com uma cultura incrível que me melhora todos os dias como pessoa.
A cultura chinesa é milenar. É de uma riqueza abundante, repleta de ensinamentos. Tem uma dureza muito própria de um país territorialmente grandioso, com todos os climas – incluindo os extremos. E ao mesmo tempo a sua grandiosidade se encontra em todo o lado: o tamanho das muralhas da China, da Cidade Proibida, do Palácio de Verão construído para a Imperatriz passar apenas o período do verão, por exemplo, nos dão a medida, a proporcionalidade de uma cultura invejável.
Poder assistir a um filme, premiado, e que nos permite saber como a vida acontecia – talvez ainda aconteça em lugares mais remotos – saber como as vidas são duras, as decisões mais duras ainda, a pobreza da linguagem, da comunicação, da alimentação, das relações humanas, os casamentos, os nascimentos, as incapacidades, as partidas para as cidades em busca de melhores oportunidades, as separações, o isolamento, os filhos, as mulheres, é um privilégio que deixa o Bug Latino bem feliz.
Um filme imperdível, um filme que significa um raro e valioso patrimônio imaterial da China. Portugal, Brasil e outros países devem pensar nisso, desta forma “isenta”, sem tomar partido. Saber de onde vimos, melhora a forma como somos agora e facilita a urgência de melhorar o que não estava tão bem. E o que as mulheres vivem precisa melhorar, em qualquer lugar do mundo.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Na China rural de 1991, quando os aldeões migram para as cidades em busca de melhores oportunidades, Chuang, de 10 anos, permanece em sua cidade natal. O terceiro filho de sua família vive em uma época de grandes mudanças nacionais.
Direção: Meng Huo
Elenco: Shang Wang, Zhang Yanrong, Chuwen Zhang
Informações e trailer:
https://www.imdb.com/pt/title/tt31079597/
Domingo é dia de exposição de azulejos e de sugestão cultural.
Azulejaria, uma arte milenar que enriquece nossos dias.
Sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.
Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.
@buglatino
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