“A Vizinha Perfeita” / “The Perfect Neighbor” (Netflix, 2025)

Perturbador. Nenhuma imagem tratada, nenhum retoque de roteiro. É aquilo mesmo: uma mulher paranoica, que se sente perseguida por nada. Que implica por tudo. Que inferniza, provoca, chama a polícia - e é das câmeras corporais dos policiais que surge a história desse homicídio, onde 4 crianças se tornam órfãs. De repente.
A trama é ancorada nas mentiras sucessivas que A VIZINHA PERFEITA usa para justificar gritos, ofensas, ligações para 911, agressões. Você “sente” a emoção escalando, o preconceito usado para ofender, o racismo presente. Você sente a situação fugindo ao controle, a polícia dizendo repetidas vezes que as queixas não vão evoluir para processos, nem prisões. Você vê a expressão dos olhos, o desprezo, a indiferença.
Ouvir o som do tiro – PÁ! – É consequência. Mas perceber a trama por trás do tiro faz com que a gente vá subindo ponto a ponto a nossa expectativa em relação ao resultado daquilo tudo. Quais relações estamos vivendo atualmente, que tipo de pessoas estamos nos tornando? O som de crianças brincando merece gritos, impropérios, ofensas? Merece tiros?
Nós – sociedade - que vivemos exigindo mais punição, mais prisão, mais castigo, mais crianças misturadas com adultos, como criminosas comuns diante de crimes. E se as brincadeiras partem de crianças negras? E se o tiro parte de idosas brancas? Um filme para parar e repensar conceitos, razões e justificativas.
Imperdível.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
Chocante.
É necessário e fundamental a produção de documentários assim, para entendermos como algo que pode começar como um desentendimento, pode levar a uma tragédia monumental.
Quantos de nós – ou mesmo todos – não tivemos já um desentendimento com vizinhos? Coisinhas, que se não são resolvidas frontalmente, educadamente, com cedências de ambos os lados, começam a galopar em direção a lugares obscuros e de resultados inusitados, explosivos, destrutivos? Tudo pode ter dois resultados, dependendo da forma como nos colocamos perante a situação – queremos resolver ou queremos ter razão? Se queremos resolver, sempre encontraremos um caminho, por mais que demore ou que nos obrigue a dispender de tempo e energia. Se apenas queremos ter razão, isso rapidamente nos leva a ficar cegos, egoístas e a complicar muito o problema, além de provocar o surgimento de muitos mais problemas paralelos.
Na maioria das vezes, tudo isto piora com os preconceitos, que todos temos e não sabemos que temos. Ou com preconceitos que temos e que não sabemos como lidar, ou que nem os queremos melhorar.
É impressionante como esta história verídica tem todos os preconceitos, todas as lógicas terríveis dos comportamentos que os preconceitos despoletam – raiva, sensação de superioridade, tentativa de encontrar justificativas legais para fazer mal aos que não se aceita.
Uma mulher solteira ou viúva, branca, que não tolera os barulhos de crianças brincando e por isso, passa a vida a chamar a polícia. Ou, uma mulher branca racista, que não tolera ouvir os sons de felicidade de crianças afrodescendentes brincando. De famílias unidas, com filhos amorosos e que se dão bem, mas que têm uma cor de pele diferente e que por isso ela não admite que vivam no mesmo lugar que ela e com muito mais alegria e convívio. Com muito mais saúde social. Depois a “manha” de uma mulher idosa que sabe aproveitar as doenças e a fragilidade de sua idade, quando lhe interessa, sabe alterar os fatos da forma que lhe é útil e que fica difícil provar o contrário, e que sabe bem utilizar as leis a seu favor. Por exemplo, “leis "stand your ground", presentes em mais da metade dos estados EUA. A legislação vigente na Flórida permite, por exemplo, que indivíduos usem força letal se sentirem que suas vidas estão em perigo, mesmo que eles possam se refugiar em segurança ou estejam fora de sua propriedade.” (texto retirado do site CNN Brasil).
Documentário incômodo, mas muito necessário. Cuide dos seus aborrecimentos com vizinhos tentando resolver os fatos, sem se envolver emocionalmente com as pessoas. Tente ser prático, focado nos fatos, pensando no melhor para todos. E fuja dos atritos, evitando aumentar qualquer “fogo”. Nunca se sabe quando alguém pode surtar. E mudar a vida de todos para sempre. Nada vale isso.
Imperdível.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Um pequeno desentendimento entre residentes da Flórida toma um rumo letal, com imagens de câmeras corporais da polícia e entrevistas investigando as consequências das polêmicas leis estaduais de "defenda sua posição". O documentário aborda o tiroteio de 2 de junho de 2023, onde Lorincz, uma mulher branca, atirou fatalmente em Owens, uma mulher negra, em Ocala.
Direção: Geeta Gandbhir
Elenco: Susan Lorincz, Ajike Owens, Franklin Baez-Colon
Trailer e informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt34962891/
Domingo é dia de sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.
Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.
@buglatino
A Plataforma que te ajuda a Falar, Pensar, Ser Melhor.
#buglatino #treinamentosdedesenvolvimentopessoal #autoconfiança #desenvolvimentopessoal #comunicaçãoprofissional #crescimentopessoal #históriasdesuperação #motivaçãodiária #comunicaçãoeficaz #autoconfiançaeautoestima #habilidadesdecomunicação #falaréimportante #pensaresermelhor

