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Bug Cinema

Público·89 membros

Filme “A Sun” / “Yangguang puzhao” (Netflix, 2019)


O cinema oriental cada vez mais me coloca diante de uma dramaturgia cujo objetivo é tornar a nossa percepção dela indeterminada, com uma trama complexamente invisível. É como se a gente fosse ver uma ficção que nos arremessa para a vida real, para o que poderia ser o desdobramento do jornal.


Por isso mesmo, é muito impactante. Atores caracterizados como gente comum – isso é caracterizar ou descaracterizar completamente? Descabelados, sem grandes gestos, cabelos por retocar. Alguém é intolerante, alguém é intolerável, alguém está perdido e tenta se encontrar de novo e alguém, para salvar o que se perdeu, aceita que precisa se desviar do dito certo – como se tudo pudesse ser visto assim, preto no branco, sem misturas e a vida viesse insistir que existem cinzas, cinzas e cinzas.


Externas de uma beleza incrível, contrastando com cenários onde nada parece ser compatível com nada, com casas escuras, feias, pouco funcionais. E o filme é como um ônibus antigo que balança em uma direção monocordicamente e de repente descamba pra outra – o que nos deixa cada vez mais diante das derrapadas da vida real.


Atores maravilhosos. Nas primeiras cenas você vê uma lágrima escorrer pelo rosto do protagonista quase sem nos dar a impressão de que aquilo é o choro de alguém. Lindo – uma cena limpíssima de gestos e por isso mesmo riquíssima.


Nada de altíssima tecnologia – claro que temos drones - nada mais parece acontecer sem eles – mas o trabalho do ator, do diretor está ali. O ritmo é totalmente diferente do nosso e gosto muito dessa mudança forte de velocidade porque as vidas estão ficando insossas de tantos acontecimentos simultâneos. Não conseguimos mais saborear quase nada.


Há grandes dramas em discussão e talvez a maior delas seja porque as pessoas insistem em não conversar sobre seus dramas. Preferem morrer, matar, roubar, mas falar, se expor – aí não.


Um grande filme pra se ver e depois comentar em família – e aproveitar pra ouvir como está a vida de cada um de seus amigos, seus amores.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Filme triste, cru, cruel, como a vida. Cenários de vida real, roteiro de vida real. A escalada da degradação social perante os nossos olhos. Perante o que acontece de difícil o que podemos, devemos fazer? A vida é frágil, mas quando tudo corre bem ou estamos no ritmo das rotinas, nem pensamos nisso. Pensamos quando sofremos, quando surpresas desagradáveis acontecem, quando pessoas que amas precisam de ti. Aí é quando mostras o que vales. Este filme é duro mas é importante de ser visto. Outra cultura, outra forma de lidar com a vida, mas na verdade, tudo é mais do mesmo. Em qualquer canto do mundo precisamos saber o que é certo fazer. Seremos capazes de o fazer?


Atores verdadeiramente incríveis, planos inusitados, um roteiro que mais parece a vida de 90% do mundo, os que lutam todos os dias para sobreviver. O oriente mais uma vez nos mostrando que o cinema pode ser sensacional sem Hollywood.

Ana Santos, professora, jornalista


Informações sobre o filme

Sinopse: Uma família de quatro fratura sob o peso de expectativas não atendidas, tragédia inesperada e orgulho intransigente.

Diretor: Mong-Hong Chung

Elenco: Chien-Ho Wu, Yi-wen Chen, Samantha Shu-Chin Ko

País: Taiwan


Link de informações: https://www.imdb.com/title/tt10883506/


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dias.dcs
Mar 14, 2021

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