“Eu, Que Te Amei” / “Moi qui t'aimais” (Autoral Filmes, 2025)

A gente começa a ver o filme com aquela curiosidade da Revista Caras porque afinal, atores e cantores premiados, famosos certamente terão uma boa história, cheia de emoção e... acabamos caindo no universo da machosfera, onde o homem trai porque a mulher, desconfiada de que ele a está traindo, o pressiona e isso é... chocante.
A natureza da interpretação de Marina Foïs é magistral. Nada de exageros desnecessários – ela vai se autodestruindo na nossa frente com toda a naturalidade de uma mulher traída rotineiramente, num casamento entre uma estrela no alto do firmamento e outra, já caminhando para a palidez. Não sem coincidência, a estrela pálida, envelhecida e sem convites constantes para atuar é a mulher. No cinema como na vida, o olhar social para o envelhecimento do homem vai da complacência e chega ao da mulher com implacável crueldade. Em EU, QUE TE AMEI você assiste a personagem que retrata Simone Signoret acompanhar, com absoluta consciência e todo o sofrimento ao redor do saber, do conhecer os casos infindáveis de Yves Montand e todo seu árduo mergulho nos cigarros – tão chiques naquela época – e a bebida.
Uma frase rasgou meu coração. Simone diz no filme que num dado momento da relação, uma parte sofre, enquanto a outra se entedia. E, indicando fortemente o filme para todos os casais, deixo a pergunta: Por que os homens se entediam e mesmo vendo, assistindo ao sofrimento de quem dizem amar? Que tipo de forma de amar é a masculina?
Às mulheres: Preparem-se porque mesmo sabendo que é ficção, o sofrimento vai ser real.
Que os casais não deixem de assistir, que vejam juntos e que possam evoluir. O gênero feminino agradece.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
Yves Montand e Simone Signoret eram muito famosos na Europa. Muito mesmo. Por isso, poder assistir a este filme, aqui em Salvador, tem muita importância: pessoal, cultural, profissional. O cuidado com que a Autoral Filmes seleciona os filmes e documentários nos permite o acesso a um nível de cultura apaixonante, discreta, intensa. Nós, enquanto Bug Latino, sempre ficamos extremamente honradas e felizes pelo privilégio.
Fazer um filme sobre duas personalidades públicas deste calibre não é fácil. Mais difícil se torna quando sua vida é ou foi conturbada, ou até polêmica. A fama e o sucesso têm efeitos muito próprios nos seres humanos. E em particular nos homens, esses efeitos trazem questões sexuais padronizadas.
O homem que não lhe basta a mulher que ama, ou que diz que ama. O homem que acha que tudo lhe é perdoado. O homem que nunca está satisfeito e nunca está errado – tanto profissionalmente como nas escolhas de infidelidade constantes. É uma aprendizagem aterrorizante e universal. Não sei em que geração humana esse karma se vai resolver. Credo!!!
A mulher que aguenta, que percebe perfeitamente quando ele mente, que tenta sair desse “lodo” mas nunca consegue. A mulher que vai quebrando – pela bebida, ou pela comida, ou pela insegurança que se instala, etc, etc, etc. A mulher que fica no papel da irritada, aborrecida, desconfiada, desagradável, desinteressante, que lhes provoca a vontade de se afastarem e procurarem algo mais leve e atraente – em todos os sentidos. Ou a mulher que aguenta, sofrendo em silêncio, apodrecendo por dentro perante tanto massacre emocional, mas firme, corajosa, e o lugar para onde sabem que podem voltar.
Como se a relação fosse um elástico que, uma hora, te afasta, outra hora, te aproxima. Vidas e vidas, casais e casais que vivem vidas assim, por 20, 40, 60, 80 anos. Por vezes bem do nosso lado. Por vezes, somos nós a viver isso.
Muito importante trazer estas questões para a sociedade as falar abertamente. Penso que apesar da sociedade estar a fazer recuos assustadores, precisamos falar destas questões abertamente: infidelidade, amor, lealdade, verdade, sinceridade, desejo, casamento, etc.
Um filme que mexeu muito comigo – e adorei por isso – porque precisamos fazer algo para terminar com relações onde um ou uma considera que pode ter as ou os amantes que quiser, enquanto a outra pessoa nunca será considerada perfeita e precisa engolir tudo principescamente. Ninguém é mais servo ou serva de ninguém não. Acordem e respeitem as outras pessoas, para serem respeitados e respeitadas.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: A tumultuada história de amor entre duas estrelas de cinema no auge de sua glória: Yves Montand e Simone Signoret.
Direção: Diane Kurys
Elenco: Roschdy Zem, Marina Foïs, Thierry de Peretti.
Trailer e Informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt36987619/
Sobre a Autoral Filmes
A Autoral Filmes, fundada no início de 2025, teve sua origem através dos sócios do Paradigma Cine Arte, Felipe Didoné e sua mãe, Marize Didoné, que desde 2010 mantém a sala de cinema que é uma instituição cultural em Florianópolis (SC).
A Distribuidora vem do desejo dos sócios de ampliar as atividades
no mercado do cinema, replicando na distribuição o mesmo conceito de filmes independentes e de arte que formam seu conceito na exibição.
Como seu nome deixa claro, a Autoral Filmes terá seu foco no cinema de autor e em documentários de arte, focando em produções escolhidas a dedo, tanto nacionais como estrangeiras, prezando sempre a alta qualidade dos filmes.
Para Felipe Didoné, diretor da distribuidora, "a Autoral Filmes é a realização de um sonho, de expandir os horizontes para além da distribuição, mantendo a curadoria elegante que sempre foi o diferencial do Paradigma Cine Arte".
@autoral_filmes
Domingo é dia de exposição de azulejos e de sugestão cultural.
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Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.
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