“O Agente Secreto” (Cinema, 2025)

Finalmente visões mais claras do que foi a ditadura brasileira. Depois de “Ainda estou aqui”, O AGENTE SECRETO mostra a perseguição no mundo acadêmico, o roubo de ideias, profissionais, espaços de pesquisa, verbas federais – aquele nojo que a história tentou nos esconder por décadas e que o cinema – santo cinema – está desnudando, finalmente. Num momento particularmente pérfido e desprezível da geopolítica mundial, Pernambuco retrata o carnaval com sua poluição rítmica, pessoas pulando ao som do frevo, batuque, confusão, rua cheia e buzinas nos apontando também para aquilo que era o verdadeiro sistema – aquilo que ainda querem re-sistematizar à força, com tentativas de golpe atuais e sucessivas, deputados perfilados permanentemente na votação de leis que se apropriam das nossas liberdades reais – reais porque ninguém tem liberdade de dar golpe de estado, parem com isso.
E Pernambuco viu o que o Rio de Janeiro, São Paulo, a Bahia, o Brasil viu e viveu e vive até hoje: o assassinato carioca custa dez vezes mais que o nordestino. É mais “chique”, elaborado e malandro chegar aqui, “chorar preço”, contratar o jagunço e trucidar, enquanto toma um solzinho. Enquanto isso, nós é que sentimos o frio na espinha, o medo de morrer por defender sua pesquisa, seu departamento, seu País - tanto faz se de militares ou milicianos.
Wagner Moura é o homem que vai desempenhar inúmeros momentos de sua personagem, em tempos e lugares diferentes, nesse filme cheio de cortes, momentos, ruídos, medos e desrespeitos. A voz calma de Wagner marca a resistência a barbárie: “Eu me considero um homem calmo, mas mataria esse cara com um martelo”. Que espécie de desrespeito traria a você esse desejo?
Um elenco fenomenal – cheio de atores com desempenho sólido, construção de personagem que lhes saia pelos olhos, no qual destaca-se Tania Maria e Maria Fernanda Cândido, com atuações marcantes, num roteiro extremamente original – jamais me passaria pela cabeça usar essa construção para sistematizar uma história assim. Dirigir um filme com essa quantidade de detalhes históricos, pessoas, movimento, com certeza foi uma loucura – mas que santa loucura é essa que nos vai permitir falar de um tempo que insistem em nos passar como não nascido, não transcorrido.
Não sei se O AGENTE SECRETO vai conseguir os Oscars principais porque esse ano teremos uma disputa intensa, mas deixará certamente marcado, construído no segmento mais jovem de que o que houve aqui não foi um passeio no parque, ninguém estava brincando lá e, principalmente, não há ninguém brincando de golpe, agora. É sério. Querem vender o que temos de mais nosso: o SUS, a Universidade, a pesquisa, a Educação, as cotas, a Petrobrás, os Correios e muito mais. Olhe ao redor: E os empresários, os banqueiros, querem comprar tudo isso - e de preferência baratinho.
Qual seria o seu papel, se O AGENTE SECRETO acontecesse agora, aqui, no seu tempo? Qual seria a sua personagem? Teria coragem ou se acovardaria? Porque a vida não acaba na ficção. Ela segue, para além do que está retratado ali, nos filmes.
Qual será o seu papel? O que o Brasil pode esperar de você?
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
Mais uma vez o Brasil no cimo da montanha. Merecidamente. Nomeações para os Óscares, correm o risco de ficar normalizadas por aqui. Ninguém se vai importar não! As grandes e médias produções de cinema, estão de parabéns. Falta só apoiar um pouco melhor o cinema de produção “caseira”, alternativa, individual, experimental e o Brasil se orgulhará mais ainda de si mesmo. O brasileiro respira cultura e criatividade e essa magia precisa poder sair para o mundo. E bem!
Novamente o dedo na ferida. Já em “Ainda estou aqui”, foram desmascaradas algumas mentiras bem “cabeludas”. Por exemplo, a ideia de que pessoas “não militares”, não eram torturadas, nem mortas, nem desaparecidas. Desaparecidas até hoje.
As mentiras, os silêncios, o “não dito”, aos poucos vai sendo exposto, falado, transformado na realidade crua de um país que precisa se olhar, se ver, se enfrentar, para seguir. Tudo isto incomoda a extrema direita e isso é bom. Para os extremistas, os que se dizem de Deus, Pátria e Família, existem sempre umas versões “suaves” e inventadas dos horrores que aconteceram durante a ditadura. Nos horrores que aconteceram na pandemia “Covid” foi igual.
O cinema, essa magia criada pelo ser humano, consegue desmascarar todas essas mentiras veladas com a verdade, com a excelente dramaticidade, com excelentes atores, com excelentes produções, excelentes trilhas sonoras, excelentes roteiros, direções, inovações na edição.
Em “O Agente Secreto”, é exposta a inveja do poderoso, que não consegue lidar com o sucesso dos que tiveram poucas oportunidades, da pessoa honesta, trabalhadora, simples, talentosa. E a indústria, como que “substituindo o mundo militar” ditando as regras do “faroeste”. Incomoda o sucesso e o talento daquela pessoa? Manda matar. Apareceram provas? Troca. Apagar, apagar, apagar. Escrever o passado, o presente e o futuro segundo suas vontades doentias e cegas. Se a pessoa é afrodescendente, a intolerância extrapola os limites. Não há estômago que aguente essa maldade atroz.
A ditadura deu espaço ao empresário ou industrial que manda matar, implodir, desaparecer, tudo o que o incomoda. Qual Nero, não gosta, vira seu dedo polegar para baixo e isso desaparece, seja o que for e quem for.
A inveja destrói o mundo, repetidamente. Me pergunto quando decidimos, como seres humanos adultos, curar essa inveja coletiva e mundial. Mas ao me perguntar e buscar soluções, leio os jornais e percebo que estamos entrando de novo nessa mesma inveja e veneno da montanha russa da geopolítica. Ou tão “simplesmente” homens matando as mulheres que se querem separar deles.
Um filme que deve ser visto por todos os brasileiros. Que os deve orgulhar. Que incluiu detalhes maravilhosos deste país, único e dos seus habitantes, únicos. A música, a cultura com seu carnaval, o jeito de falar, de vestir, de ser, de amar os filhos, a família. O orelhão, o carro Brasília, o fusca amarelo, a coxinha de frango, a cervejinha, a cachaça, etc, etc, etc. Que saudade dessa estética do mundo, das roupas que se usavam nessa época.
Encantador, necessário, vibrante, tenso.
Atores mais jovens, atores mais velhos, crianças, todos sensacionais. Wagner Moura, maravilhoso. Na noite dos Óscares, contem com os brasileiros na torcida, desejando trazer a estatueta de novo.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: Em 1977, um especialista em tecnologia foge de um passado misterioso e retorna à sua cidade natal, Recife, em busca de paz. Ele logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procurava.
Direção: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Robson Andrade, Rubens Santos, Licínio Januário, Wagner Moura
Trailer e Informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt27847051/
Domingo é dia de exposição de azulejos e de sugestão cultural.
Azulejaria, uma arte milenar que enriquece nossos dias.
Sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.
Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.
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